Jussara Haddad Jussara Hadadd 11/09/2008

A medida de cada um

Eu sei que vocês vão dizer que é tudo mentira e que não pode ser... Será que esta terapeuta não tem uma posição definida sobre a necessidade sexual do ser humano?

Do ser humano sim, num apanhado geral, eu digo e repito que sexo é essencial, que esta é uma energia que não se despreza e que muitas pessoas lotam consultórios de terapias diversas em busca de respostas e soluções para uma vida mais feliz quando, na verdade, o que lhes falta mesmo é um pouquinho de carinho ou, melhor dizendo, uma pegada daquelas de alguém com quem se tenha afinidade.

Um homem beijando o pescoço de uma mulher Agora, quanto a cada ser humano... Aí a coisa tem que ser mais bem analisada. Cada um tem a sua medida, é verdade e isto deve ser respeitado. A quantidade e a qualidade do sexo que uma pessoa faz, depende muito de vários fatores e entre eles, seu humor, sua saúde, seu estado emocional, o clima no relacionamento.

O que vemos com freqüência hoje em dia são pessoas declarando fazer mais sexo do que realmente fazem. Tal fato se deve provavelmente à liberdade sexual instituída há umas cinco décadas e que obriga todo homem e principalmente toda mulher a se declarar realizado sexualmente. Assim como os homens, agora as mulheres também passaram a mentir afirmando fazerem sexo muitas vezes por semana.

Isto tem explicação. Homens e mulheres vêem no sexo um símbolo da juventude e da virilidade. A vaidade norteia os pensamentos e sentimentos da era pós-moderna e faz com que as pessoas se auto-afirmem, sobretudo, em sua aparência, desempenho sexual e posse de bens materiais.

A sociedade está dividida, entretanto em nossas pesquisas encontramos também, pessoas mais voltadas para a espiritualidade e a intelectualidade, talvez por opção ou talvez por falta de opção e que se orgulham em dizer que "nem pensam nestas coisas", que sexo é para pessoas menos elevadas, incultas e desprovidas de metas e objetivos maiores. Pode ser que para elas, isto seja uma grande verdade. Aí também entra o respeito à individualidade. Cada um vive como quer.

A verdade é que sem sexo nenhum, ah!, isso ninguém vive. Nem que seja em sonho e que depois a pessoa se auto flagele, ele acontece. Mesmo que se sublime esta necessidade, de alguma forma, o corpo humano e suas manifestações hormonais, pede por alguma atividade sexual e ela precisa ser atendida.

Tem aqueles que a revertem para alguma arte, para alguma atividade esportiva, para uma vida aparentemente ilibada e voltada para a caridade e o amor ao próximo, e por aí vai, mas como diz Freud: "Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fossemos de ferro". E diz mais: "Sob a influência do instinto de conservação do ego, o princípio do prazer afasta-se e cede lugar ao princípio da realidade, que faz com que, sem renunciarmos ao objetivo final que o prazer constitui, nos decidamos a consentir que a sua realização seja protelada, suportando até, em favor de um longo desvio que tomamos para chegar ao prazer, um desprazer momentâneo".

Em outras palavras o que queremos dizer aqui é que cada um tem a sua medida para a atividade sexual e o prazer obtido através dela. Cada um tem o seu momento e verdade seja dita, isto tem que ser respeitado.

Existem pessoas que se contentam com uma sessão de masturbação uma vez ao mês e outras que não passam sem uma transa de manhã, uma à tarde e outra à noite. Tem aquelas que necessitam de serviço completo, com carícias antes e depois de quatro horas de sexo intenso com múltiplos orgasmos e tem também aquelas que dão "uma rapidinha", do tipo coelhinho, duas vezes por semana. Homens e mulheres reagem de modo diverso em sua sexualidade. E o importante é ficarem satisfeitos.

O que deve ser levado em conta realmente é que o parceiro, se existir um fixo, seja respeitado também. Se a pessoa quer sexo demais e o outro quer um pouquinho menos, os dois devem achar um meio termo que possibilite a convivência. Um segura um pouquinho a vontade e o outro passa a se interessar um tanto mais pela coisa. O casal que vive com liberdade não enfrenta muitos problemas quanto a esta questão.

O parceiro que quer mais sexo busca compensações e alternativas como, por exemplo, a masturbação sem que o outro se sinta ofendido. Vê uns filmes, curte umas revistas eróticas e assim vai levando sem necessariamente ter que recorrer a uma relação paralela, o que não é muito legal porque implica em conflito, é claro.

O que pode ser pior neste desencontro é quando o parceiro mais desanimado condena o outro a viver sem sexo. O que acontece, muitas vezes, é que o condenado tem que viver também sem nada que gere uma energia dessa categoria.

Não pode se masturbar com o conhecimento do outro, não pode curtir filmes e revistas pornográficas, porque o outro se ofende e se sente traído, não pode sair para dançar, cantar, brincar ao ar livre, porque normalmente quem não tem energia sexual, também não tem energia para estas outras coisas e não permite que o parceiro as viva, por ser inseguro e temer que ele encontre e se envolva com alguém que goste destas mesmas coisas, e aí a relação que não existe por inteiro acaba de vez ou fica no mínimo ameaçada. Esta é a pior das situações.

Quando se trata de alguém que vive sozinho, que não se envolve com pessoas, que não namora e que não gosta de viver intensamente um amor cheio de prazeres e alegrias que o sexo certamente proporciona, bom aí, há de se respeitar a sua singularidade não criticando e não cobrando uma postura que não tenha a ver com ela. Esta pessoa certamente tem como lançar mão de algum recurso neste sentido, mas pode não gostar de sair por aí dividindo a sua intimidade.

Sexo é bom, é uma delícia sim, mas cada um gosta de fazer de um jeito diferente e na quantidade que lhe agrada e isso deve ser observado. Esta é a questão aqui.


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Jussara Hadadd é terapeuta holística,
especializada em sexualidade
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