Jussara Haddad Jussara Hadadd 11/12/2008

Na falta de tu, vai tu mesmo

Um homem deitado na cama e uma mulher em pé Pesquisas revelam por aí que as mulheres de hoje preferem uma linda jóia, um bom carro, cartão de crédito sem limites para gastar com roupas e acessórios ou com decoração da casa, em detrimento a uma boa noite sexo. Mas, de que tipo de mulheres estão falando? A que tipo de sexo estas pesquisas se refere?

Temos visto estas enquetes com muita freqüência, e elas expõe publicamente a figura de mulheres satisfeitas, passeando em shopping e se afogando em compras, e dizendo aos quatro ventos que sexo está em segundo plano. Entretanto, estes dados não batem com o que temos encontrado no dia-a-dia de trabalho e de pesquisa com inúmeras mulheres que nos procuram em busca de respostas para esta questão.

O que fica claro nestas publicações é que as mulheres, as brasileiras de um modo geral (limitemo-nos ao nosso universo mais imediato), conhecidas internacionalmente como mulheres calorosas, fogosas, charmosas, sensuais e sexualmente muito competentes, estão deixando de lado a preciosidade encontrada em uma relação sexual em troca de presentes e bens materiais de toda ordem. Isso pode ser uma espécie de compensação.

Pode até ser verdade sim, contudo, acredito que o que vai a público não passe de justificativa para relações fracassadas na intimidade. O que pode ocorrer é que muitas mulheres, principalmente as ocidentais e pertencentes a um sistema capitalista, onde o consumo exagerado se instalou como regra de poder, se conformem perante a dependência financeira que tem de seus parceiros. Isto quer dizer que se o que conta para ele é o dinheiro, o status profissional e os bens que acumula ao longo da vida, então para ela o que resta fazer é se adequar a este sistema.

O que acontece então? Mulheres lindas e queixosas, gastando o dinheiro que ganham com seu trabalho e o dinheiro dos seus parceiros, com compras inúteis, com sessões de terapias de toda ordem, com acessórios de sex shopping e com amantes e garotos de programa de plantão. Se o sexo não é prioridade dentro da sua relação, então ela vai gastar tudo o que puder nem que seja com alguma forma de manifestar a sua sensualidade e a sua sexualidade. Para que ficar bela, ornamentada e tudo mais? Porque as sex shops estão batendo recordes de vendas em acessórios para o prazer feminino?

Existe aí, então, uma grande confusão. As mulheres querem sexo sim e sexo de boa qualidade e, uma vez que seus parceiros não estão interessados ou aptos a lhes oferecer o que desejam, porque não sair por aí gastando o dinheiro que ele vive a buscar até mesmo nas horas em que poderiam estar se amando. Sim, porque muitos homens, quando não estão trabalhando, estão trabalhando. Ou ele está no seu local de trabalho, ou ele está em casa planejando algo para o dia seguinte em frente ao lap top, ou ele está devaneando sobre alguma questão profissional, ou ele está estressado porque tem algum problema no trabalho, ou ele está com amigos de trabalho em algum happy hour, ou ele está em algum night club com amigos de trabalho, ou ele viaja para algum congresso com uma acompanhante para impressionar os amigos de trabalho, e assim vai.

Outra possibilidade a se ponderar é quanto à qualidade do sexo que o seu parceiro oferece. Pode ser que a mulher não queira sexo com ele, mas que nos braços de outro, mais viril, mais carinhoso, mais interessado, romântico e envolvente, ela se entregue sem amarras. Quantas mulheres já deixaram vidas confortáveis e seguras para partirem com um homem que só tinha "amor" para oferecer.

E quando a mulher é entrevistada, o que ela vai dizer? Raríssimas pessoas dizem a verdade sob estas circunstâncias. Ela vai ter a coragem de dizer que não tem sexo na sua relação? Que não gosta de sexo porque é preterida pelo seu parceiro? As mulheres sentem vergonha ainda de exporem publicamente seu ponto de vista a respeito deste tema. Pode ser que ela esteja mentindo para a entrevista. - Não vou sair por aí dizendo que sexo é importante para mim. Vão me chamar de tarada.

É claro que existe também o tipo de mulher que só pensa em trabalhar, em ter um status profissional, que despreza o parceiro (estas normalmente nem tem parceiros ou quando tem é só para constar socialmente), que não quer saber de sexo (mas vive em terapia) e por aí vai. Mas não é dessas que eu estou falando aqui. Estou falando das que estão em conflito porque querem sexo e são obrigadas a viver sem ele, e as pesquisas não levam isto em conta.

Mulheres querem sexo sim, e precisam assumir isto até para que os homens parem de dizer por ai frases que muitas vezes depreciam a imagem delas. Tem uma terrível que diz assim.

"Quem gosta de sexo é gay, mulher gosta é de dinheiro". Já ouviram isso? Então, se for mesmo assim, felizes dos gays que são resolvidos. Tem outras frases, mas não me atrevo a contar aqui.

Como em tudo na vida, o melhor mesmo é não mentir, nem para nós mesmos e, muito menos, para os outros. Em uma ética simples, encontramos respostas para muitos conflitos gerados pelo nosso comportamento.

Se você vive uma relação estável, mas com uma intimidade obstruída e mal resolvida, parta para uma conversa sincera e objetiva com ele. Tenha coragem de dizer que quer sexo, que gosta de sexo, que precisa dele e que gostaria que fosse entre vocês dois. Pode ser a melhor opção.

Obrigada a todos vocês, meus leitores, por mais um ano juntos. Feliz Natal, e um Ano Novo repleto de alegrias.


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Jussara Hadadd é terapeuta holística,
especializada em sexualidade
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