Artigo
Ano novo, vida novíssima
:::30/12/2005

É bem nessa época do ano que justificamos aquela nada original frase dos meninos: "Elas são todas iguais!". Nesse ponto, eles estão certos. É bem pertinho da virada que fazemos nossa ocultíssima lista com aqueles velhos conhecidos itens que não se compram em supermercado. São tipos e atitudes que pretendemos seguir durante o lindo ano que está prestes a começar.

Assim como Bridget Jones, a fictícia personagem de Helen Fielding e dona do diário mais cômico e picante do cinema, nós também, ao final de cada ano, colocamos no papel os desejos mais importantes. Os dela, claro, são aqueles mesmos, iguaizinhos aos nossos, do tipo: emagrecer quatro quilos, parar de fumar, esquecer aquele otário e juntar dinheiro na poupança.

Sim, Bonita, nossa heroína nada mais é do que o retrato de nós mesmas, um espelho que mostra exatamente como agimos às vésperas do Reveillon. E o pior de tudo é que - assim como ela - nunca conseguimos cumprir nem metade da listinha, apesar de comemorarmos, na maioria das vezes, um final feliz.

Drummond, em um de seus vastos momentos de genialidade, diz que o inventor do ano era um cara inteligente. "Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos". Mas eis que surge o milagre da renovação: "Tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui por diante vai ser diferente". É bem bonito isso que ele diz. Só que precisamos deixar de lado a idéia de que só o ano novo é época de querer mudar, sacudir, "bombar" a vida.

Se viver é nascer aos poucos, já apontava Antoine de Saint-Exupéry (é, esse mesmo do Pequeno Príncipe), é sempre tempo de renovação - do guarda-roupas às manias. Mesmo que a esperança ainda dance naquela corda bamba de sombrinha, acredite no recomeço. Seja janeiro, fevereiro, julho, aos 20, 30, 70 anos, não se esqueça: cada momento que passa é uma oportunidade de virar a mesa.

Um ótimo 2006 e, mais ainda, um ótimo recomeço de vida!

Em tempo: A partir deste mês, estarei escrevendo a coluna de Porto Alegre, RS. É, Bonitas, troquei família, amigos, dois empregos ótimos e uma cidade delícia de morar que é Juiz de Fora, por uma nova vida na capital gaúcha, onde não conheço ninguém, não sei onde fica nada, e é longe pra burro de Minas. Graças à internet, vamos continuar em 2006 aqui na ACESSA.com muita (di)versão feminina! E viva o recomeço!



Que vovô, que nada!
Que o Romário é metido, tira onda com tudo e quase beira ao insuportável, todo mundo sabe. Mas quem diria que o Baixinho iria calar a boca da moçada com o título de artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2005, logo aos 39 anos de idade?! O Bonito passou o ano inteiro ouvindo torcedor, imprensa e amigos na pressão para que se aposentasse definitivamente dos campos e partisse pra outra. Mas o cara não só não deu bola pra isso como fez bonito. Romário é daqueles que sabe o que quer e o quanto pode. Mostrou quem é rei e eu queimei a minha língua.



Recomeço forçado
Não dá pra dizer que foi a maior, mas com certeza, o escândalo e a cassação do José Dirceu fecharam o ano como uma das piores decepções dos brasileiros. De um cara com o passado político glorioso, uma base trabalhista fora de suspeitas, escolhido o homem do ano em 2004, a gente esperava mais dignidade. Mas Dirceu já tem planos para o ano que começa. Lançar um livro, voltar a advogar, viajar pelo mundo estão entre os projeto para 2006. Bom, ele está certo. Afinal, é ano novo com vida nova pra todo mundo, né?!


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Andréia Barros é jornalista
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