Complexo da Cinderela e do Peter Pan
Ela quer encontrar o príncipe encantado, casar, ter filhos e ser feliz pra sempre. Ele quer bagunça, festa e foge da responsabilidade...

Sílvia Zoche
Repórter
03/02/06

Para uma pessoa ter a Síndrome de Peter Pan ou Complexo de Cinderela é necessário que ela apresente vários sinais. Clique e veja o que a psicóloga Luziene de Carvalho Caruso fala sobre o assunto. Dê, também, sua opinião!

Histórias de conto de fadas... Que menina já não ouviu um conto de princesa que, para se libertar da maldição da madrasta, precisa receber um beijo do príncipe, seu verdadeiro e perfeito amor? Cinderela é um dos muitos exemplos.

E, que menino já não se empolgou com as aventuras vividas pelo Peter Pan, na Terra do Nunca, onde o relógio não existe e o tempo parou?

A psicóloga Luziene de Carvalho Caruso explica que estes são os registros de felicidade das crianças. "A menina quer ser salva e protegida da inveja da bruxa, da madastra e o menino quer aventura, descobertas e viver o aqui e o agora", explica. Esse é um estudo da psicanálise do momento libidinal na infância.

Com o passar do tempo, esse mundo de ilusões constrói na vida adulta de uma mulher, a esperança, a persistência no desejo de ser feliz. O homem, desenvolve o gosto pelo novo e facilidade de aproveitar bem o presente, sem descartar os planos para o futuro.

O problema acontece quando a menina cresce e acredita que existe um homem perfeito, que um dia ela vai encontrar e ser feliz pra sempre com ele. É um dos sinais que demonstram que a mulher tem o complexo de cinderela.

Isso aconteceu em um período na vida de Syd Gaudereto, 28 (foto ao lado). O primeiro sinal começou aos 18 anos, quando percebeu que realmente acreditava na existência de um príncipe encantado. Mas de 22 aos 25 anos, o problema se agravou, quando teve um relacionamento longo.

A sensação de Syd era de que ele supria as vontades dela e que era seu protetor. "Todo mundo me avisava que homem perfeito não existia, mas eu não enxergava isso".

E como na história de Cinderela, ela sente-se obrigada a trabalhar, por isso não tem prazer no que faz. "No emprego que eu estava na época eu me sentia desmotivada e sem criatividade", diz Syd. Luziene explica que este é um dos sinais de que a mulher está retida na infância. "Mas é importante alertar que é um dos sinais. Para existir a síndrome, que não é uma doença, são necessários vários sinais".

A mulher com o complexo, acredita que o bem está nela e as outras pessoas que são más. Sente a necessidade de ser a mais bonita, a mais inteligente e a mais sensual das mulheres, porque somente assim ela conseguirá atrair o olhar do homem-príncipe. "Na verdade, ela é uma princesinha assustada", diz Luziene. Mais um sinal que deve ser somado é que a "princesa" acredita que outras mulheres não são amigas de verdade, porque assim como a madrasta, têm inveja dela.

Quando não encontra o homem perfeito - afinal, ele não existe, mas ela ainda não se conveceu disso -, vem a sensação de frustração. "Isso também aconteceu comigo", diz Syd. "Não saía mais de casa, não saía com meus amigos, e queria só ficar com ele. Nem falta da minha família eu sentia".

Com 26 anos, ela trocou de emprego, começou a estudar e começou a sair da fase problemática aos poucos. "Comecei a desenvolver minha criatividade, meu leque de amizades aumentou e hoje me sinto curada".

Hoje, ela é assistente de marketing, está prestes a se formar nesta área e adora o que faz. Se o "ex-príncipe" a procurou? Sim. Mas ela não enxerga mais nenhum encanto. "No fim das contas, não foi tão ruim, porque hoje não me relaciono com qualquer homem. Estou mais seletiva". E garante que sabe que ninguém é perfeito.

Syd foi determinada, mas algumas mulheres chegam ao consultório psicológico com uma angústia grande e não sabem o motivo disso. "No fundo, é uma mulher dependente demais, que quer que o homem realize todos os seus desejos. Pra ela é difícil ser mãe e precisa da ajuda da mãe ou da sogra, porque percebe que ter um bebê não é brincar de boneca", alerta Luziene.

Síndrome de Peter Pan...
... essa é a versão masculina da síndrome. É aquele menino que vira homem, mas que só vive o aqui e o agora, só quer aventuras e tem a necessidade de mostrar o seu poder. Por isso, nada impede do "homem Peter Pan" ser bem sucedido, mas ele adora sair e gastar com os prazeres da vida. Para ele, o relacionamento com uma mulher é uma grande brincadeira.

Por ter 42 anos e ainda não ter casado e nem filhos, P.H.C.S.* é taxado como o cara que não quer compromisso. "Não sou assim. Sempre fui família pra caramba. Gosto de namorar, já tive um relacionamento longo que só não durou mais, porque ela teve que mudar pra outra cidade. Hoje em dia, estou reconstruindo minha vida profissional e a prioridade é meu trabalho".

Como o relógio do tempo do Peter Pan parou, ele se sente um garotão e, se não mora mais com os pais, vai procurar uma casa perto, pra pedir socorro na arrumação. "Isso demonstra uma insegurança. Ele é do tipo que quer a casa arrumada, mas não vai ter o trabalho e se for casado, deixa tudo por conta da esposa e pede opinião até pra saber o cabelo está bom", diz a psicóloga.

Já P.H. mora sozinho e gosta de deixar tudo organizado. "Eu faço tudo. Não gosto de nada fora do lugar. Até pintei as paredes lá de casa", diz. Quanto ao envelhecimento... "eu não tenho que ficar com medo de envelhecer", afirma.

Outro sinal: se alguém estiver falando de problemas, ele vai sair de "fininho". Ele não quer frustração. Como P.H. trabalha na área de comunicação, ele vive recebendo e solucionando problemas.

Às avessas
É claro que existem exemplos ao contrário. Mulheres que só querem aventura e não querem se ligar a ninguém e homens que sonham em encontrar a princesa. De preferência que esta "princesa" seja virgem e mais nova que ele. "Assim, ele pode exercer seu poder e mostrar toda sua experiência. Normalmente, um casal assim acaba se completando", diz a psicóloga.

Sua versão

Você se considera uma Cinderela?
E um Peter Pan?
    Sim. Eu me considero uma Cinderela, mas não confesso pra ninguém
    Sim. Eu me considero uma Cinderela e não tem como esconder. Está na cara
    Sim. Eu me considero um Peter Pan, mas não confesso pra ninguém
    Sim. Eu me considero um Peter Pan e não tem jeito de esconder. Está na cara
    Não me acho uma Cinderela
    Não me acho um Peter Pan
   

ATENÇÃO: o resultado desta enquete não tem valor de amostragem científica e se refere apenas a um grupo de visitantes do Portal ACESSA.com

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.