Artigo
Cidadania verde e amarela
:::23/02/2006

Mais fácil do que fazer trancinha no cabelo comprido da coleguinha é ser cidadão brasileiro em época de Copa do Mundo. Até quem odeia futebol chega lá fora e enche a boca pra dizer que tem a única seleção pentacampeã do planeta. Deve ser uma delícia mesmo estar perto de um hermano desses vestindo uma camiseta do Brasil, exibindo aquele delicioso sorriso invencível. Comprar biquínis com a bandeira estampada (agora já pode!), pintar as unhas de verde e amarelo, aproveitar as baladinhas de depois das vitórias é tudo de bom. O amor-próprio vai às alturas. Por aqui, é só festa!

E - repare bem - daqui a alguns dias, só se vai falar nisso: na convocação dos jogadores, no esquema retranqueiro do Parreira, na chave mais ou menos fácil do Brasil, nos Ronaldos, no Zico no Japão, no Felipão em Portugal, na música da Ivete Sangalo que vai embalar o hexa. Nas capas dos jornais, na conversa com o vizinho, no ônibus, na padaria, a seleção será o assunto da vez. Enquanto formos o país do futebol, a cada quatro anos, meu bem, vai ser assim. E assim sempre será, eu creio.

Porque, afinal, somos os melhores do mundo, os imbatíveis, os poderosos, os glamourosos, os vitaminados, ui... Deus é brasileiro, ora bolas! Há quem não goste de contar vitória antes do tempo e outros que até torcem contra o Brasil só porque não simpatizam com o técnico ou com algum jogador. Bom, gente mala existe em qualquer lugar do mundo - um mal que, infelizmente, ainda não inventaram vacina.

Nessa época, tanto riso, tanta alegria escondem o verdadeiro sentido do que é ser cidadão. Cidadania não é só comemorar um pedala mágico do Robinho ou uma arrancada incrível do Adriano. É ensinar alguém a ler e a escrever, é separar o lixo, é estar consciente na hora de votar. É denunciar maus tratos, é respeitar e praticar os direitos humanos. É manifestar o desejo de uma real transformação social. É conhecer de verdade a realidade do nosso país, além das linhas do campo. Em time que está perdendo, uma mudança já vem tarde.

Em tempo: Se você não tem muita grana, não tem muito tempo, não tem muito saco pra se envolver, ainda assim não tem desculpa. A ACESSA.com já fez várias reportagens sobre trabalho voluntário. Procure uma instituição séria e doe um pedacinho da sua semana para ajudar quem precisa. Vai fazer bem pra você também!



Bono vai mudar o mundo!
No confronto entre Deus e o Diabo na terra do samba, o Brasil se deliciou no embate da "simpathy for the devil" de Mick Jagger contra o mensageiro da paz no mundo, Bono Vox. Nada contra os ferozes e furiosos Stones, mas o vocalista do U2 faz do seu palco além de um espaço para sua ótima música. É ainda palanque para suas exposições político-sociais, como combate à miséria no mundo, fim das guerras e da violência contra a criança. O tio do Homem-Aranha tem razão: com um grande poder vem também uma grande responsabilidade. Bono sabe disso. Sabe que tem voz. Sabe que tem consciência. Sabe que tem seguidores. Ele vai mudar o mundo.



Falando em show...
Os brasileiros deram um espetáculo de falta de respeito. Tudo bem, tudo bem, eu também acho os argentinos antipáticos demais e sei que onze entre dez brasileiros odeiam a turma encabeçada por Maradona. Mas vaiar o país naquela situação, no meio do show do U2 quando a banda insinuava paz e união da América Latina, foi feio demais. Quer vaiar, vaia na bola, poxa! Aí, até eu engrosso o coro.


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Andréia Barros é jornalista
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