Artigo
Jogo de incertezas
:::27/06/2006

Que há mais coisas entre o céu e a Terra do que imagina a nossa vã filosofia, isso a gente sabe. Bom, pelo menos, isso a gente sabe. Esse mundo de pernas pro ar - e, vamos combinar: é cada vez mais ar do que perna - faz a gente se sentir angustiada. É muita informação, não dá pra saber tudo. E a gente acaba parecendo com a protagonista daquela clássica do Kid Abelha - saber de quase tudo um pouco, e quase tudo mal. Mas o "tudo ao mesmo tempo agora" tem me pegado de jeito. Eu, particularmente, ando sem entender bem as coisas. E creio eu que não é fase passageira, não...

Mas bom, pra isso não parecer um diário a céu aberto, quero compartilhar com as bonitas - e bonitos também, que por ventura ou curiosidade lêem e escrevem para a ACESSA! - a deliciosa e curiosa arte de desvendar perguntas impossíveis.

Mas se a vida é um jogo invariável de incertezas, algumas delas são engraçadas e mirabolantes. Eu não entendo, por exemplo, por que não conseguimos mais viver off line, nem como um cara que dirige uma Ferrari consegue fazer com que ela estrague toda semana.

Por que cargas d’água os gases dão tanto problema no mundo? Se Deus esta em todo lugar, por que rezamos olhando pra cima? Por que mataram John Lennon? Por que o Super-Homem e a Britney Spears usam a cueca por cima da calça? Por onde anda o Nemo? O que realmente é um texto vibrante? Por quais motivos dizem que o mundo vai acabar? O que o planeta fez pra ter que acabar? E nós, por que temos que morrer? Por que não ficamos vivos para sempre, qual o problema? Alguém também me diz onde Judas perdeu as botas? E como assim o Maomé não foi à montanha? Por que a moça do leite condensado ainda é moça se ela já tem mais de 50 anos?

Seria legal se existisse um livrinho respondendo todas as perguntas pra gente não ficar desnorteada. Mas creio que seria impossível. Mas será possível que exista alguma coisa impossível? Se for possível, tal coisa não é impossível, pois foi possível ela existir!

Em tempo: tudo bem, as incertezas são pra lá de poéticas. Clarice Lispector, certa vez, justificando sua fragilidade perante as informações o mundo, disse que se sentia muito mais completa quando não entendia. Às vezes, a ignorância é uma bênção. Mas, sem querer contrariar a maravilhosa escritora, não consigo viver assim. Acho que plebéia demais para me sentir Lispector.



Joguinho legal
Perguntas engraçadas, respostas mais divertidas ainda. Gostei de brincar disso... manda sua pergunta maluquete pra mim! E se souber a revelação de algumas perguntas, manda também. Vai ser legal!




Em xeque
O bom de algumas decisões é que a gente pode voltar atrás. Mas outras não. Então, na dúvida, não faça, não critique, não peça emprestado, não opine, não corra, não ultrapasse, não desista, não se desespere, não se deprecie, não se descabele, não duvide, não o abandone.


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Andréia Barros é jornalista
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