SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, defendeu a criação de um Estado palestino em sua fala na Assembleia-Geral da ONU nesta quinta (22). Foi a primeira vez em anos que um representante do país advogou pela chamada solução de dois Estados no púlpito da entidade.

O teor do discurso, antecipado pelo jornal Times of Israel na véspera, foi apoiado por alguns aliados à esquerda, mas irritou ministros à direita da coalizão que hoje governa o país.

Aliado de Lapid, o ex-premiê Naftali Bennett escreveu em uma rede social que não há "lógica para se aventar a ideia de um Estado palestino" hoje. "É preciso dizer com todas as letras: não há espaço para outro país entre o Mediterrâneo e o rio Jordão. Não só por causa de nosso direito à terra, mas também pois praticamente não há possibilidade de uma negociação diplomática com os palestinos."

Também em uma plataforma virtual, o ministro do Interior, Ayelet Shaked, afirmou que Lapid fala por si mesmo, e não pelo governo, e acrescentou que ele não tem legitimidade para representar o Estado israelense quando as questões em jogo podem prejudicar a nação.

Lapid ainda afirmou que Israel não permitirá que o Irã, inimigo histórico de seu país, tenha um arsenal nuclear. O último voltou a negociar um novo acordo nuclear com os EUA, mas as tratativas estão há meses paralisadas, a despeito dos esforços da comunidade internacional --o pacto anterior, de 2015, foi abandonado pela gestão de Donald Trump.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, afirmou na véspera que O presidente afirmou que o Irã precisa de mais garantias de que os EUA não abandonarão o novo tratado, uma vez que nada os impede de deixá-lo como fizeram com o pacto de 2015. "Podemos confiar que eles vão cumprir sua parte do trato", questionou o líder.