SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Autoridades sírias encontraram 34 mortos e 15 sobreviventes de um barco de imigrantes que afundou perto da cidade costeira de Tartous nesta quinta-feira (22), informou o Ministério da Saúde.

Segundo sobreviventes, a embarcação partiu de El Minié, no norte do Líbano, e levava cidadãos de várias nacionalidades. O destino final era a Itália, de acordo com o Ministério do Exterior libanês.

Samer Qubrusli, diretor-geral de portos da Síria, afirmou que as operações de busca estavam em andamento em condições difíceis devido ao mar agitado e ventos fortes.

Dezenas de pessoas na cidade libanesa de Trípoli realizaram um protesto nesta quinta para alertar as autoridades de que perderam contato com um barco carregando dezenas de imigrantes.

O Líbano vive um aumento na migração impulsionado por uma das crises econômicas mais profundas do mundo desde a década de 1850. Além dos libaneses, muitos dos que embarcam eram refugiados da Síria e da Palestina que viviam no país.

O número de pessoas que deixaram ou tentaram deixar o Líbano por mar quase dobrou em 2021 em relação a 2020, e aumentou novamente mais de 70% em 2022 em comparação com o mesmo período do ano passado, disse a agência de refugiados das Nações Unidas, a Acnur, à agência Reuters no início deste mês. Este ano, de janeiro a agosto, 1.826 pessoas tentaram escapar do país pelo Mediterrâneo.

As principais razões citadas incluem uma incapacidade de sobreviver no Líbano devido à deterioração da situação econômica e a falta de acesso a serviços básicos e oportunidades limitadas de trabalho. Buscam também se reunir com familiares ou com conhecidos que já vivem nos países de destino --hoje, a maior parte dos imigrantes tenta chegar ao Chipre.

No último 30 de agosto, as autoridades libanesas anunciaram ter interceptado duas embarcações deixando o país. Segundo o governo, traficantes de pessoas cobram o equivalente a R$ 20 mil para a travessia pelo Mediterrâneo.

Os libaneses têm atualmente acesso esporádico a luz, combustível e água. Faltam também medicamentos.

Num levantamento com dados garimpados desde meados do século 19, o Banco Mundial afirma que o Líbano vive uma das piores crises econômicas do mundo. A situação é mais grave do que durante a guerra civil de 1975-1990. O PIB per capita real caiu 37% de 2018 a 2021. A moeda perdeu mais de 90% do seu valor, devastando poupanças. Mais de três quartos dos habitantes vivem em situação de pobreza.

A culpa é de uma classe política corrupta que há décadas tem afundado o país em dívidas, dizem os analistas. O Líbano vinha tomando empréstimos para pagar empréstimos --em resumo, um esquema de pirâmide-- e a situação chegou ao limite em 2019, levando a protestos convulsivos nas ruas.

A crise da Covid-19 agravou ainda mais a situação. Parecia não poder ficar pior, até uma explosão no porto de Beirute devastar porções inteiras da cidade em agosto de 2020, matando 218 pessoas e deixando um prejuízo de bilhões de dólares. Causado por negligência, o acidente destruiu os estoques de grãos, agravando a fome.

O Líbano abriga uma vasta população de refugiados. São ao menos 1,5 milhão de sírios, fugidos da guerra civil que assola seu país desde 2011. Em comparação, a população total do Líbano é de em torno de 6 milhões de pessoas. O país é lar também de uma comunidade histórica de refugiados palestinos, que chegaram expulsos por Israel.