SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Donald Trump disse que orientou seus representantes a não se apressarem para fechar um acordo com o Irã e afirmou que o bloqueio naval dos EUA vai continuar até a assinatura de um texto final.

Trump afirmou que o bloqueio dos EUA a navios e portos iranianos seguirá em vigor até um acordo ser alcançado, certificado e assinado. Em publicação na rede Truth Social, ele disse que "ambos os lados devem levar seu tempo e fazer as coisas direito".

O presidente dos EUA disse que 'não há pressa' para concluir o entendimento e que o tempo joga a favor de Washington. Segundo a agência Reuters, uma autoridade sênior do governo dos EUA disse que a Casa Branca não esperava um acordo neste domingo, e que um anúncio poderia levar dias por depender de aval de autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, Mojtaba Khamenei.

Um esboço de proposta em negociação prevê que Teerã entregue o urânio enriquecido que mantém hoje. Segundo uma autoridade regional citada pela Associated Press, o destino do material seria definido em novas rodadas em um prazo de 60 dias, com a possibilidade de diluição de parte do estoque e envio do restante a um terceiro país.

A Agência Internacional de Energia Atômica afirma que o Irã tem 440,9 kg de urânio enriquecido a 60%. Esse nível, de acordo com a agência, está a um passo técnico do patamar de 90% considerado grau de armamento.

O texto em discussão também inclui medidas sobre navegação e sanções. Autoridades disseram que o Estreito de Hormuz seria reaberto de forma gradual em paralelo ao fim do bloqueio dos EUA, e que Washington poderia permitir que o Irã volte a vender petróleo com dispensas de sanções e negociar a liberação de recursos iranianos congelados no exterior.

PONTOS QUE AINDA TRAVAM AS NEGOCIAÇÕES

A questão nuclear deve ficar para uma etapa posterior, segundo autoridades americanas e iranianas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que não é possível resolver um compromisso nuclear "em 72 horas", e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que o tema não faz parte desta etapa.

Israel pressiona por exigências mais duras e diz que um acordo final precisa eliminar 'a ameaça nuclear'. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que isso envolve desmantelar instalações de enriquecimento e retirar o material nuclear enriquecido do território iraniano, além de manter "liberdade de ação" contra ameaças, inclusive no Líbano.

Um cessar-fogo entre Irã e EUA está em vigor desde 8 de abril, mas é descrito como frágil. Trump tem dito que busca um acordo para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro, e autoridades americanas afirmam que a negociação dos detalhes sobre medidas nucleares levaria mais tempo.

O rascunho citado pela Associated Press também menciona o fim da guerra entre Israel e Hezbollah e um compromisso de não interferência na região. Em discurso na TV, o líder do Hezbollah, Naim Qasem, disse esperar um acordo que inclua uma trégua no Líbano e afirmou que o desarmamento do grupo é inaceitável.