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    Casais encaram obstáculos para ficarem juntosDiferenças temperamentais, de religião e até as impostas por uma cadeira de rodas são vencidas por casais de apaixonados

    Aline Furtado
    Repórter
    30/5/2011
    Coração

    O que poderia ser encarado como obstáculo por alguns acaba sendo vencido por outros casais, que, por amor, aprendem a conviver com as diferenças. Eles dão continuidade a uma história que talvez não vingasse se não fosse a disposição para superar dificuldades que podem surgir com divergências.

    São diferenças que vão desde traços de personalidade até aquelas impostas por uma cadeira de rodas. Um exemplo é o casal formado pelo mesatenista Alexandre Ank e a professora Wanessa Ronzani. Ele é cadeirante desde 1996, após sofrer um acidente automobilístico.

    O casal conheceu-se em um clube onde Ank treinava tênis de mesa. "Nos aproximamos, trocamos telefone, saímos e começamos a ficar juntos. Tempos depois, estávamos namorando", relata o mesatenista. Os dois deram início ao namoro no dia 1º de abril do ano passado e decidiram, em janeiro deste ano, dividir o mesmo teto. "Eu, que já tinha sofrido preconceito em outras situações, no que diz respeito a ficar ou namorar, nunca percebi nada de ruim vindo da Wanessa. Ao contrário, ela me apoia sempre."

    Segundo Ank, o apoio não ocorre apenas no âmbito esportivo. "Além dela me acompanhar durante as competições, Wanessa está sempre me incentivando quanto a minha recuperação e à melhoria da minha qualidade de vida, por meio de tratamentos e intervenções da medicina." Contudo, o atleta destaca que sofre preconceito por parte de pessoas que estão de fora da relação. "Percebemos que existe certa curiosidade, já que as pessoas tendem a ligar a paralisia à impotência sexual. Há também aqueles que olham e até mesmo questionam como um cadeirante pode estar junto a uma mulher bonita. Mas acreditamos em nós mesmos e em sermos capazes de nos fazer felizes."

    O casal formado pela jornalista Carolina Lima Silva Pereira e o empresário Leonardo Pereira vive diferenças relacionadas à personalidade e à religião. "No começo da nossa relação, os traços de personalidade diferentes me faziam acreditar na possibilidade de haver um equilíbrio entre nós dois. Ele sempre buscou planejar tudo, por ser muito precavido. Eu sou a impulsividade em pessoa. Quero tudo para ontem. Diante disso, acreditava que a calma dele viria como resposta a minha agitação", revela Carolina.

    Ela afirma que, com o passar do tempo, foi preciso exercitar o respeito e a capacidade de adaptação para que as diferenças não se transformassem em um problema para o casal. "As diferenças apareceram mais ainda depois do casamento, com o convívio diário. Acho que a receita é não querer mudar a outra pessoa, é preciso entender que certas características fazem parte dela."

    Para Pereira, o convívio só é possível se houver respeito de ambas as partes. "Quando começamos a namorar, era tudo novo. Carolina foi minha primeira namorada e eu não sabia se minha forma de agir a agradava. Com isso, foi preciso aprender a conversar e me abrir, já que isso era uma dificuldade para mim, para que pudéssemos nos acertar." E o acerto fica evidente nas palavras da jornalista. "Se eu o amo, preciso fazer com que nossas diferenças sejam menores do que a vontade de ficar bem. Afinal, se discordar de tudo, tenho certeza que o verei triste e não é isso o que quero."

    Quando a diferença é a crença religiosa

    Além das diferenças de personalidade, Carolina e Leonardo creem em doutrinas diferentes. Ela frequenta a Igreja Batista, enquanto ele é espírita. "No início do namoro, não praticávamos nenhuma religião. Tempos depois, após um período separados, reatamos o namoro e cada um já havia buscado sua crença. Ou seja, mais divergências pela frente", lembra a jornalista.

    Para driblar mais esta diferença, mais uma vez o casal destaca o respeito como essencial. "As diferenças não deixam de existir, não aceito determinados pontos do espiritismo, assim como ele não aceita outros da minha religião. Mas, hoje em dia, as coisas estão mais tranquilas, os confrontos existiam mais no início da relação", revela Carolina.

    Um ponto que ainda está em discussão diz respeito ao filho do casal, que nasce no mês de outubro. "Já conversamos sobre isso e chegamos à conclusão de que deixaremos que nosso filho resolva qual opção seguir", destaca a jornalista. Já Pereira ressalta que será preciso passar pela experiência para saber o que ocorrerá. "A gente vai ter que viver para ver. Afinal, acredito que ela vai querer levar a criança à evangelização da igreja, enquanto eu posso querer que nosso filho frequente a evangelização do centro espírita. Vamos nos acertar, enquanto vivenciamos esta situação."

    Situações diferentes

    Para a terapeuta Jussara Hadadd, as diferenças podem ocorrer em duas situações distintas. "Primeiro em casos em que o casal já se conhece com as diferenças evidentes. Desta forma, é fundamental que ambos tenham muita certeza a respeito daquilo que os atraiu." Além disso, ela lembra que as diferenças não podem ser camufladas em situações em que existe carência em um dos lados.

    "Mais que as diferenças, é preciso que o casal evidencie os atrativos, respeitando sempre, sem querer mudar o que é diferente. A palavra-chave é a aceitação, afinal, eles já se conheceram assim." Por outro lado, segundo Jussara, no caso de diferenças que surgem depois de um tempo de relacionamento, é importante que as pessoas mantenham o diálogo. "Não deve haver qualquer tipo de imposição."

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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