Empréstimos seguem em alta mesmo com 13º pago Dívidas, festas, presentes e viagens comprometem orçamento e obrigam consumidor a procurar financeiras mesmo depois de receber o salário extra

Thiago Werneck
Repórter
05/12/2007

"Dinheiro não é problema, dinheiro é solução". Quem leva a sério essa frase corre risco de ficar sem condições financeiras para pagar as contas no final do mês. É por isso que mesmo com o 13º salário no bolso dos trabalhadores, as financeiras continuam movimentadas no centro de Juiz de Fora, algumas aguardam o fim da primeira semana de dezembro para ter ainda mais movimento.

Se durante o ano o motivo mais comum para fazer empréstimos são os pagamentos de dívidas, no mês de dezembro, as viagens, festas e presentes que comprometem o orçamento (veja vídeo). Os juros são menores para aquelas pessoas que podem pagar as parcelas descontando direto da folha de pagamento, já os créditos pessoais feitos através de cheque ou boleto bancário costumam ter juros exorbitantes.

Em uma simulação feita pela equipe da ACESSA.com com uma das financeiras de Juiz de Fora, o resultado mostra que com um juros mensal de 6% o valor pago durante os 15 meses vale mais do que o dobro do empréstimo. Pegando R$ 2 mil, dividido em 15 vezes, a parcela mensal é de R$ 293. No final de 1 ano e três meses o cliente terá pago R$ 4.395 a financeira.

O valor é considerado absurdo pelo economista Geraldo Lopes. "O problema do brasileiro é que ninguém faz esse cálculo de quanto vai ser pago no final. Quem sabe que vai pagar mais que o dobro, vai pensar duas vezes antes de fazer o empréstimo. Muitas vantagens oferecidas pelas financeiras são ilusórias", alerta.

Foto de atendimento em uma financeira Cada caso de empréstimo tem que ser analisado separadamente, mas o desconto das parcelas direto da folha de pagamento ainda é o melhor caminho. "Esses juros costumam ser mais baratos porque não fica embutido o fator de risco da financeira de não receber a parcela. Com desconto direto ela tem certeza de que vai ter a parcela paga", avalia.

Nessas ocasiões, os juros não chegam a ultrapassar os 3%. Tudo depende do valor a ser emprestado. Já voltando ao primeiro caso analisado, com juros a 2% e um empréstimo de R$ 2 mil parcelado em 15 vezes, o valor final a ser pago para financeira não ultrapassa os R$ 3 mil, o que, no caso, oferece uma economia de mais de R$ 1 mil.

A dica de Geraldo é simples. "As vantagens oferecidas pelas financeiras, na maioria das vezes, são pura ilusão É preciso que o consumidor avalie as taxas e faça o raciocínio simples: peguei R$ 3 mil, quanto vou pagar no final do empréstimo. Será que vale a pena? Para quem já tem dívida é só calcular qual juros é menor e adquirir o empréstimo que lhe economizar mais dinheiro. O brasileiro, mesmo que ganhe um salário mínimo tem que aprender a colocar um valor na poupança, nem que seja R$ 5 por mês", opina.

O empréstimo

O valor do empréstimo a ser cedido, as formas de pagamento e os juros variam de acordo com a renda mensal do cliente, montante envolvido e a financeira procurada. Outro grande atrativo das financeiras é que elas não costumam fazer consultas ao cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

De acordo com a auxiliar de escritório de uma financeira de Juiz de Fora, Rose Silva, o normal é estabelecer porcentagens de comprometimento da renda mensal do cliente. "No nosso caso e na maioria das outras financeiras o natural é estabelecer que as parcelas a serem pagas representem no máximo 30 a 40% do salário mensal do cliente", explica.

Foto da Rose O empréstimo consignado em folha de pagamento depende de uma série de pré-requisitos que variam a cada financeira. "Aqui trabalhamos com servidores do estados oficiais do exército, com os que recebem do INSS, policias militares, entre outras classes. Esse é nosso carro chefe, com juros entre 1,9% e 2,25 ao mês. Pessoas de empresas privadas têm que fazer outras formas de financiamento", conta Rose.

Segundo ela, são feitos cerca de 15 a 20 empréstimo por dia na financeira. "Esse é o movimento que a gente considera bom. Mas é sempre depois do dia 10 de cada mês que somos mais procurados. Nos primeiros dias o pessoal acabou de receber e ainda está com dinheiro no bolso".

Depois do empréstimo para pagamento de dívidas, o motivo mais comum para a procurar as financeiras são reforma ou compra de casa, re-financiamento e financiamento de carro e compra de computador.

Com tantas variações, o melhor a se fazer é pensar bem antes de fazer um empréstimo. Normalmente são exigidos comprovante de renda, CPF, carteira de identidade e comprovante de residência.

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