Salário mínimo Ele é calculado de acordo com o índice de inflação, mas os juizforanos acham que o aumento de 9,21% não foi suficiente


Priscila Magalhães
Repórter
26/03/2008

O salário mínimo reajustado em 9,21% entrou em vigor no dia 1º de março. Agora, milhares de trabalhadores brasileiros vão ganhar R$ 35 a mais, já que o valor era de R$ 380. Mas para a maioria dos juizforanos este aumento não significa maior poder de compra.

É o que diz a aposentada Maria Irene Dias. Para ela, este aumento é pouquíssimo. "O pior é que quando o governo fala que vai aumentar o salário, as coisas também ficam mais caras", diz. Ela vive com o marido, que também ganha um salário mínimo, e para conseguir manter o poder de compra, eles utilizam o parcelamento e o cheque pré-datado.

"Faço compras e pago em prestações. Quando tenho que ir ao supermercado, pago com cheque para 45 dias. Até lá, tenho tempo de juntar dinheiro para pagar o cheque", explica ela. O que contribui para que as despesas não sejam mais altas é a casa própria. "Pelo menos, não temos que pagar aluguel e usamos o transporte público de graça", completa.

Para Lêda Gomes, o reajuste do salário mínimo sempre foi muito baixo. "Quem ganha esse salário não consegue comprar nada. Com R$ 35 não dá para comprar nem o gás de cozinha". O comerciante Carlyle Lopes Barros diz que o preço dos alimentos subiu cerca de 20% de fevereiro para março. "O que gastamos com uma compra em uma semana, não dá para comprar a mesma coisa na semana seguinte".

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Uma solução para driblar o aumento dos preços é levar menos quantidade para casa. "Se o cliente levava dois quilos, ele passa a levar um e depois meio. Os consumidores estão reclamando muito do aumento. O reajuste do salário não dá para acompanhar o aumento dos preços". No último mês, o que mais subiu foram o tomate, a vagem e a cebola, segundo Carlyle.

O aposentado João da Silva diz que o reajuste é tão pequeno que não dá pouco mais de R$ 1 por dia. "E o comércio te pega grande parte por causa do aumento dos preços. O ideal é que não tivesse inflação. Assim, nem era preciso ter aumento de salário também", diz.

Assim como Maria, Lêda, Carlyle e João, muitos brasileiros acham que o reajuste do mínimo deveria ser mais alto. Mas o economista Silvio de Almeida Magalhães diz que isso não é possível por se tratar de um reajuste unificado. Além disso, ele explica que o aumento da Previdência Social está vinculado ao aumento do salário mínimo, então não há como dar um aumento real. "Se o reajuste for maior, a Previdência Social, que paga salário mínimo para a maioria dos aposentados, e muitas prefeituras, que são as maiores empregadoras nos municípios e que pagam o mínimo, podem quebrar, pois não têm renda para pagar este aumento".

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Juiz de Fora ainda não está entre as cidades onde a situação é mais grave. "Aqui, a maioria das famílias não paga aluguel, não tem muita despesa de locomoção e come em casa, o que faz diminuir os gastos. Além disso, muitas pessoas têm uma horta no quintal", diz. Porém, Silvio prevê vida curta para este estilo de vida dos juizforanos. "A cidade está crescendo muito e daqui a pouco o salário mínimo não vai ser representativo na economia da cidade".

O que comprar?

Segundo uma pesquisa realizada pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento da Prefeitura de Juiz de Fora e divulgada no dia 28 de fevereiro, a cesta básica, composta por 13 alimentos, custava R$ 152,73.

Na época, quando o salário mínimo ainda não havia sido reajustado, era necessário utilizar 43,69% do pagamento líquido para comprar a cesta. Este percentual é comparado a 13 dias de trabalho. Ainda de acordo com a pesquisa, em uma família com dois adultos, um adolescente e uma criança, o gasto com a cesta básica seria de R$ 458,19.

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A pesquisa da semana seguinte, divulgada no dia 06 de março, quando o novo valor do salário já havia entrado em vigor, mostra que o valor da cesta subiu para R$ 160,66. Uma variação de 5,19 %, o que corresponde a R$ 7,93. Para uma família nas mesmas condições da citada acima, o valor gasto com alimentação seria R$ 481,98. Os produtos que mais influenciaram neste aumento foram o tomate, com 56%, o feijão preto tipo 2, com alta de 13,59% e o óleo de soja, com 6,60%.

O que fazer?

Segundo o economista, a correção do salário mínimo é feito de acordo com uma base amostral, que considera o índice de inflação em 12 regiões metopolitanas do Brasil. Para ele, isto é um problema, já que o aumento dos preços não acontece da mesma forma no país inteiro. "O ideal é que a inflação fosse calculada separadamente, por regiões. Assim, o salário poderia ser reajustado de forma mais real, de acordo com os preços mais locais".


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