Guardar moeda no cofrinho já virou mania entre adultos A medida faz com que muitas moedas fiquem paradas em casa, dificultando o troco no comércio e gerando gastos públicos para a emissão de novas


Daniele Gruppi
Repórter
02/09/2008

Engana-se quem pensa que guardar dinheiro em cofrinhos é uma mania apenas das crianças. Atualmente, os adultos também têm adotado a medida. De moeda em moeda, pode-se economizar um pouco e ainda acumular uma boa quantidade de dinheiro.

A faxineira Dulcicléia Conceição Luciana, 30 anos, há dois anos tem o hábito de guardar moedas nos cofres de casa. O costume começou quando seu filho ganhou o objeto e ela começou a incentivá-lo a juntar dinheiro para comprar um videogame.

Dulcicléia afirma que todas as moedinhas que recebe em troco vai guardando, mas ela revela ter um pouco de dificuldade para poupar. "Às vezes, quando estou precisando de dinheiro, lembro que tem guardado. "No final do ano, época em que mais ganho um trocado, consigo economizar mais".

A cabeleireira Vangela Dias Barros já conseguiu economizar R$ 150 com o cofrinho. "Não consigo juntar muito, sempre tiro antes. Na hora do aperto, recorro ao cofrinho e me ajuda bastante. De pouquinho em pouquinho, é possível conseguir um bom resultado".

Para o economista José Jamil Adum (foto abaixo), cada consumidor tem uma característica de poupança. Ele diz que a utilização do cofrinho pode ter duas explicações: uma é a incompreensão sobre outras formas de poupar e a outra é devido ao valor baixo, que pode não compensar investimentos com ele".

Foto de um cofre em formato de porquinho e um martelo indicanto que o objeto será quebrado Como as moedas têm ficado paradas nos cofrinhos, gavetas e cantos das casas, quem precisa de troco reclama pela falta delas no mercado. Jamil afirma que isso pode acarretar um gasto público para a emissão de novas. A circulação de moedas é, portanto, benéfica, pois além de gerar oferta de troca no comércio, o governo gasta menos com a produção de novas moedas.

Ele conta que há profissionais não formais se aproveitando dessa mania. "Muitos estabelecimentos precisam de trocados e, às vezes, precisam recorrer a profissionais não formais para efetuar a troca do dinheiro por moedas. Essas pessoas acabam tirando vantagens, cobrando juros. Isso cai na lei básica da economia, que é a da oferta e demanda".

Formas de poupar
Guardar moedas nos cofrinhos pode não ser a melhor opção para poupar, já que não permite que o consumidor tenha rendimentos. Existem várias opções de investimentos, mas qualquer um que for escolhido pode ter riscos. O economista afirma que a poupança é o de menor risco, sendo que o de maior é apostar em ações. "Têm investidores na bolsa que são independentes e têm instituições que auxiliam os interessados".

Foto de Jamil Há algum tempo atrás era comum as pessoas comprarem dólar para vender quando a moeda estivesse valorizada. Com a disparidade atual do câmbio, Jamil considera que o negócio não traz mais muitos benefícios. O mesmo vale para o euro.

"Têm autores que aconselham aplicar em aposentadoria privada, já que no final de um período entre 15 a 20 anos, o retorno pode valer a pena. Têm pessoas que preferem investir em casa própria. A escolha do investimento varia de acordo com o perfil do consumidor (se é casado, solteiro, se têm filhos, dentre outras características) e também com as experiências passadas".

Jamil aconselha ao consumidor que quer poupar e ter bons rendimentos a pensar no tempo em que o dinheiro pode ser empregado, no montante e no risco que quer correr.

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