Turismo GLS
Eventos voltados para o público homossexual revelam números surpreendentes e um mercado em expansão

Flávia Machado
30/11/01

Se no Carnaval os turistas não vêm mais para Juiz de Fora, durante o mês de agosto eles vêm. O motivo é a realização de eventos voltados para um público que anuncia ser um mercado promissor: o turismo GLS, que escolheu Juiz de Fora para ser a sede oficial do Miss Gay e de eventos paralelos, como o Rainbow Fest. No entanto, só agora, com base na recente divulgação de uma pesquisa realizada pelos alunos da Faculdade de Turismo da UFJF, durante a última edição dos eventos GLS, em agosto de 2001, pode-se obter dados concretos acerca do potencial de mercado que este tipo de público representa.

Para se ter uma idéia, em menos de uma semana, os homossexuais deixaram na cidade, cerca de R$ 2.161.604. Os dados comprovam. De acordo com a previsão de gastos, 42,3% disseram que estavam dispostos a gastar entre R$ 100 e R$ 300; 30,2% gastariam menos de R$ 100; e outros 22,3%, afirmaram que a previsão de gastos girava em torno de R$ 300 e R$ 1000. E não é só. A pesquisa também revelou que a taxa de ocupação hoteleira na cidade, durante o Rainbow Fest, é de 90,1%, superando até mesmo a taxa de ocupação durante a realização do Vestibular 2001 da UFJF, que é de 77,7%.

O perfil do público entrevistado também impressiona. Mais de 74% está na faixa etária entre 20 e 40 anos e 43,3% dos entrevistados possui curso superior. A grande maioria, 95%, pretende voltar no próximo ano. Um dado curioso, é que 60,7% dos entrevistados ficou sabendo do evento através de amigos, ou seja, o pouco investimento em divulgação confirma o sucesso do evento.

Para o presidente do Movimento Gay de Minas, Oswaldo Braga, a pesquisa vai possibilitar maiores investimentos dos setores públicos e privados, a partir do momento em que ela reitera aquilo que todos já sabiam: “o público GLS é um mercado promissor.” Ele acredita que a cidade está perdendo tempo e dinheiro, pois já poderia estar explorando este segmento há mais tempo. “Durante o resto do ano, não existem outras opções na cidade para os homossexuais, além de uma boite e um clube”, declara Oswaldo.

Os números divulgados têm base em cálculos comparativos da previsão de gastos dos entrevistados, levando-se em conta dados fornecidos pelos Corpo de Bombeiros e Polícia Civil, cuja estimativa era de 15 mil pessoas no Parque Halfeld e Calçadão, no sábado, 18 de agosto. Cerca de 50 alunos da Faculdade de Turismo foram responsáveis pela elaboração da pesquisa e sua realização, no dia 18 de agosto de 2001, no Parque Halfeld, entrevistando 359 pessoas presentes no evento.

Confira o resultado da pesquisa

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