Em busca da certificação

Ludmila Gusman
29/04/02

Definida como mais uma ferramenta de gestão dos negócios, a certificação ISO é hoje sinônimo de "qualidade", principalmente na opinião dos consumidores. A preocupação em padronizar as operações confere às empresas um título que pode ser decisivo na compra final do produto. Mas o que se ganha com a certificação? Quais as vantagens que ela oferece aos empresários e como facilita a administração? Essas questões, com certeza, já passaram pela cabeça dos empresários que querem integrar o "grupo de qualidade", mas não sabem como e nem por onde começar.

Em Juiz de Fora, já existem quase 20 empresas com a certificação ISO série 9000. Para receber esse título, elas passaram por etapas que vão desde a implantação do sistema até a emissão do certificado pelo Inmetro (http://www.inmetro.gov.br). Na verdade, o que está em questão não é a qualidade do produto e sim a maneira de gestão. Dessa forma, mesmo que os cargos ou os funcionários sejam trocados, a empresa certificada sempre seguirá as normas de repetibilidade das operações, adaptadas ao tipo de serviço prestado.

O que é?

A ISO 9000 é um conjunto de normas padronizadas internacionalmente. A certificação representa um passo essencial para quem deseja fazer negócios no mercado globalizado. Mas as empresas não buscam a certificação ISO 9000 apenas para ganhar vantagens competitivas na hora de exportar. O certificado é também um caminho seguro para quem quer participar de uma cadeia de exportação ou, simplesmente, aprimorar a qualidade de seus produtos.

A ISO (http://www.iso.ch) é a entidade internacional com sede em Genebra (Suiça). No Brasil, a entidade é representada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), organização responsável pelo desenvolvimento das normas em nível nacional.

A primeira emissão da série 9000 aconteceu em 1987, criando uma estrutura de três normas sujeitas à certificação: a ISO 9001 - para empresas que fazem projetos de um produto, a ISO 9002 - para empresas que prestam serviços e não fazem projetos e a ISO 9003 - para as demais, além da ISO 9000 que era uma espécie de guia para seleção da norma mais adequada ao tipo de organização. Em 2000, a ABNT emitiu a primeira versão da série no Brasil. A mesma foi "batizada" com o nome de série NBR 19000.

Em 1994, a série foi revisada, porém sem grandes modificações, apenas com uma pequena ampliação e alguns esclarecimentos em seus requisitos, mantendo a mesma estrutura , ou seja três normas sujeitas à certificação. A ABNT revisou as normas brasileiras, adotando o nome "série NBR ISO 9000". Em Dezembro de 2000 a série foi totalmente revisada, além das alterações em sua estrutura, agora há apenas uma norma sujeita à certificação, a ISO 9001.

Fonte: http://www.iso9000.com.br

Como proceder
1º passo: Implantar o sistema de qualidade preparando todos os procedimentos exigidos pela certificação. Uma boa opção na fase inicial é buscar orientações através de cursos. O Centro Regional de Inovação Transferência e Tecnologia (Critt), a Campe - empresa Júnior e a Clyrep Etiquetas são exemplos na cidade que optaram pelos cursos oferecidos pelo Sebrae.

De acordo com a gerenciadora do Projeto de Qualidade do Sebrae/JF, Elisângela Pires da Silva, são oferecidos três cursos: Curso de Qualidade, Rumo a ISO 9000 e o Rumo a PBQPH (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat) - voltado para as empresas de construção civil. Os cursos oferecem aulas de treinamento, consultorias, auditorias e reuniões de grupo. O objetivo é facilitar a implantação dos procedimentos e o registro dos processos. "Embora não seja um organismo certificador, o Sebrae instrumentaliza e prepara as empresas para a certificação, assim como facilita esse processo, através de contatos e convênios com os organismos certificadores", explica Elisângela.

2º passo: Após a organização dos documentos que descrevem o processo de cada operação, a empresa organiza um Manual da Qualidade que contém resumidamente tudo que acontece na empresa.

3º passo: A empresa escolhe a certificadora responsável pelas auditorias e pedido de emissão da certificação. No Brasil, existem mais de 20 empresas credenciadas para este serviço. O empresário deve optar por aquela que mais se adequa às suas condições comerciais e a que melhor preenche os requisitos para um bom relacionamento.

4º passo: A empresa já pode marcar a data para a certificadora realizar a auditoria. Dependendo do tamanho da empresa as auditorias externas, podem durar de dois a três dias. Em empresas maiores o período de avaliação pode variar. Nessa etapa, os auditores contratados certificam os procedimentos, as documentações e os registros correspondentes.

5º passo: Se aprovada, a empresa certificadora recomenda ao Inmetro a certificação ISO. No período de 45 dias ocorre a emissão do certificado. Caso ela seja reprovada, deverá fazer as alterações e marcar outra data para a auditoria.

Pensa que acabou? Nada disso, o maior desafio agora é manter o certificado. A validade de uma certificação ISO é de três anos e, após esse período, as empresas devem renová-la. Antes deste prazo terminar, as auditorias continuam com visitas à empresa duas vezes ao ano, para verificar se as normas continuam sendo cumpridas. Caso contrário, a certificação pode ser suspensa. Além das auditorias externas são necessárias auditorias internas, organizadas pela empresa certificada. Custos
Para conquistar a ISO é necessário contratar uma certificadora, que avalia se é possível pedir a certificação, e um consultor para orientar o processo, caso a empresa não disponha de um.

Com a palavra, as empresas
O consultor de marketing da Recauchutadora Juiz de Fora, Roberto Monti, ressalta que o fato de uma empresa possuir a qualificação não significa que ela é melhor que outra que não possui. "É mais uma necessidade que o mercado requer, uma questão de imagem.O consumidor dá preferência a empresas certificadas", comenta.

Roberto Monti explica que o processo de conquista da ISO durou cerca de um ano. Através da empresa SGS ICS Certificadora, a Recauchutadora se adequou às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e, segundo o consultor, está ainda em constante melhorias. "O fato de uma empresa obter a ISO não significa que não podem ocorrer alterações nos procedimentos. Temos toda a liberdade para mudar, desde que a empresa certificadora seja comunicada dessa alteração", diz ele.

A coordenadora de qualidade da Campe Consultoria Júnior, empresa júnior da Faculdade de Economia e Administração da UFJF, Anne Karole Gonçalves Soares, conta que foram oito meses de preparação até a emissão da NBR ISO 9001:1994 que conferiu o primeiro certificado do mundo a uma empresa júnior. "A implantação começou em agosto de 2000. Após um intenso trabalho adequando os processos às exigências da norma, a Campe recebeu a visita de um auditor externo que pode comprovar os resultados alcançados pela empresa", explica. Segundo Anne Karole, a Campe optou em buscar consultoria junto ao Sebrae, através de cursos de qualificação. Após esse período a empresa criou um sistema de treinamento interno. "Optamos por isso, devido à grande rotatividade da Campe, já que é uma empresa formada por estudantes. Após a certificação notamos que o número de trabalhos aumentou e a responsabilidade em manter a certificação é ainda maior, por isso estamos sempre melhorando", ressalta.

Devido às mudanças nas normas internacionais tanto a Recauchutadora Juiz de Fora como a Campe e as demais empresas que conseguiram certificação ISO versão 1994 terão que passar por um processo de transição. Com a recente mudança para a versão 2000 as empresas já certificadas devem adequar seus sistemas até dezembro de 2003. As empresas ainda não certificadas, também podem conquistar a ISO 9000 pela versão 94 até a mesma data, porém terão seus certificados válidos por um período inferior.

Segundo o gerente de qualidade da Indústria de Papéis Sudeste Ltda - Paraibuna de Papéis de Juiz de Fora, Ivan Antônio da Silva, a companhia acredita que a mudança é muito importante para as empresas. Segundo ele, a nova versão valoriza não só o cliente como a constante melhoria dos trabalhos. "Na versão de 94 a certificação é mais voltada para a documentação, ao passo que a atual leva a empresa a buscar a qualidade tota continuamente e documentação não será tão relevante", compara. De acordo com ele, a Paraibuna é a primeira empresa de Minas a obter a certificação NBR ISO 9001:2000 e a primeira em segmento do papel no Brasil.

Outras certificações
Apesar da certificação ISO ser acessível a qualquer empresa, independente do tipo de serviço prestado, existem ainda outras certificações como por exemplo a ISO 14.000 conferida às empresas que prestam políticas direcionadas à preservação ambiental. Além dessa, existe a certificação SA-8000 conferido à empresa o certificado de qualidade na Responsabilidade Social. As empresas de saúde como os hospitais, por exemplo, podem obter a certificação 0HSAS 18001, que avalia os sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional. As construtoras civis devem obter a certificação do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat - PBQPH. Hoje em dia, essa certificação é indispensável para ser aceita no mercado. A empresa que não possui a PBQPH tem dificuldade de adquirir financiamentos o que torna inviável o trabalho.

Empresas certificadas em Juiz de Fora

  • Becton
  • Brasilcenter
  • CRITT
  • Clube Campestre do SESI
  • Clube do Trabalhador José Weiss
  • Clyrep
  • CAMPE
  • IMBEL
  • Ind. Papéis Sudeste - Paraibuna de Papéis
  • INTERMED
  • Laboratório Cortes Vilela
  • Medicamentus
  • Mercedes Benz
  • Tusmil
  • Idem per Idem
  • Belgo
  • Recauchutadora Juiz de Fora
  • Haec Congel
  • RJ Engenharia LTDA

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