JF prepara-se para 26ª edição do Miss Gay
Segunda pesquisa sobre turismo GLS será mais detalhada e comércio vai funcionar em horário especial

Ludmila Gusman
05/07/02


Conhecer os impactos que o Juiz de Fora Rainbow Fest e o Miss Brasil Gay (www.jfservice.com.br/missgay) trazem ao comércio, aos empresários e à população é o objetivo da segunda pesquisa sobre o turismo GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) realizada pela Faculdade de Turismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em parceria com o Movimento Gay de Minas (MGM). A coleta dos dados começa dia 15 de julho e se estende até 17 agosto, data do término do Rainbow Fest e dia da escolha da Miss Brasil Gay. Diferente do que aconteceu no ano passado, quando trabalho foi feito após a realização dos eventos.

A aluna Patrícia Ferreia Motta, uma das responsáveis pela pesquisa, explica que nessa edição serão entrevistados empresários, donos de bares, restaurantes, hotéis, proprietários do comércio local, e a população em geral. "O objetivo é observar a opinião dos moradores da cidade sobre a realização dos eventos GLS e seu impacto social", diz.

Patrícia adianta ainda que este ano será feita uma comparação dos públicos que participam do Rainbow Fest e as pessoas que comparecem à festa de encerramento no Parque Halfeld. "Levantaremos novamente informações da ocupação hoteleira e ainda realizaremos uma pesquisa qualitativa, onde haverá as opiniões dos hoteleiros sobre os eventos. Com isso, teremos uma análise mais completa da demanda do Turismo GLS em Juiz de Fora", explica.

A primeira pesquisa foi realizada no ano passado e constatou que este tipo de turismo é um dos grandes responsáveis pelo impulso na economia local, atraindo mais de R$ 2 milhões. (Clique aqui para mais detalhes). "Já estamos na 5ª edição do Rainbow Fest e na 26ª do Miss Gay e só agora foi feita uma pesquisa para oferecer esses subsídios à economia e ao turismo de Juiz de Fora", comenta Patrícia.

As informações servirão como guia para os empresários nas ações de marketing para essa data. De acordo com os dados obtidos na pesquisa anterior, o Miss Brasil Gay e o Vestibular da UFJF são os maiores responsáveis pela lotação e aumento da renda dos hotéis, bares, restaurantes e similares na cidade.

Sem vagas nos hotéis
Todos os segmentos do mercado passam por uma intensa transformação, durante os dias dos eventos GLS na cidade. O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Juiz de Fora, Antônio Jorge Marques, diz que "a movimentação gera lucros inesperados". Segundo ele, um mês antes dos eventos os turistas já começam a reservar vagas nos hotéis. Quem deixa para última hora ou está de passagem na cidade, durante as festas, não encontra estadia. Cerca de 90% dos hotéis ficam lotados. "Todo mundo ganha com isso. As lojas, os motoristas de táxis, os bares, as casas noturnas. A movimentação abrange todos os segmentos", ressalta.

De acordo com o presidente do Sindicato, na segunda-feira que antecede o Miss Gay o movimento começa a esquentar, tendo picos de 30% na sexta e sábado, se comparados aos dias normais. "No domingo, o público permanece na cidade e geralmente vai embora na segunda-feira pela manhã", comenta. Para preparar os empresários, Antônio Jorge diz que o Sindicato realiza reuniões prévias para troca de idéias e orientações. "O município deveria investir mais nesse evento, inclusive financeiramente. A cifra que esse público deixa hoje aqui tem condições de aumentar se houver um apoio maior", acredita.

Movimento intenso no comércio
A Câmara de Dirigentes Logistas de Juiz de Fora (CDL) está preparando um horário especial para a festa do Miss Gay. Segundo informou o responsável pelo departamento de Relações Públicas do CDL, Rubens Vasconcellos, o comércio vai funcionar até às 18h, no sábado, dia 17 de agosto, e abrirá também as portas no domingo. "Estamos nos preparando para receber o público e aguardando a decisão da justiça para estipular o horário de domingo. Trata-se de um evento muito interessante para nós", diz ele.

De acordo com Vasconcellos, o CDL ainda não fez o levantamento dos lucros que o comércio recebe nesses dias, mas ele garante que a movimentação é intensa. "Levando em conta eventos como esse, estamos programando ainda abrir o comércio uma vez por mês, no domingo. Queremos investir ao máximo em propagandas para chamar a população", ressalta.

JF Receptiva
A Prefeitura de Juiz de Fora também quer investir no turismo da cidade, através de parcerias com agências de viagens, bares, restaurantes, comércio local e instituições. De acordo com o assessor da Diretoria de Planejamento e Gestão Estratégica (DPGE), Rubens Bauman, a intenção é elaborar um Plano Diretor de Turismo para a cidade que leve em conta todos os eventos que atraem grandes públicos como o Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, o Vestibular da UFJF, o Miss Brasil Gay e outros. "O programa JF Receptiva está terminando a fase de diagnóstico. É um programa extenso que envolve tudo relacionado ao turismo da cidade", explica.

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