De vento em popa... mas sobre duas rodas
Venda de motos cresce 75% no Brasil nos últimos cinco anos.
Em Juiz de Fora, concessionárias registram aumento de até 20%

Drag Star 650 Deborah Moratori
24/09/03

Ao contrário da indústria automotiva que "anda devagar quase parando", o negócio de motos acelera fundo, deixando para trás um mercado que já foi bastante promissor. Em termos de venda e faturamento, o comércio de automóveis "anda comendo poeira"...

As vendas de motos, nos últimos cinco anos, cresceram 75%, enquanto as de automóveis caíram 25%. Além disso, na década de 90, o Brasil ocupava o sétimo lugar na produção de automóveis. As motos nem apareciam neste ranking. Hoje os carros caíram para a décima posição e as motos elevaram o país para a sexta colocação.

Acelerando...
Em Juiz de Fora, o negócio sobre duas rodas segue na mesma velocidade. Na Motoplus, concessionária Honda, o gerente de vendas Maurício Levy observa um incremento nas vendas de 10% em relação a 2002. Além da disseminação da cultura de se andar de moto, Levy aponta outros motivos para o crescimento do mercado. "A moto é o meio de locomoção mais barato para a utilização em um negócio. Para o usuário de ônibus, os consórcios são uma ótima opção, porque ele pode pagar a mensalidade com o que ele gasta de vale-transporte por dia, sendo que, no final do mês, ele não fica com o ônibus para ele", brinca.

Honda Biz Atraídos pela liberdade de locomoção, metade dos negócios são fechados através de consórcios. Na cidade, as principais concessionárias oferecem produtos com parcelas mensais que variam entre R$ 66,55 e R$ 95,65. Sem condições de comprar um carro zero-quilômetro que custa pelo menos quatro vezes mais, os consórcios são a melhor saída. E, ao contrário de outros financiamentos, não cobra juros nem exige entrada.

A tão sonhada Softail FX, da Harley-Davidson, fica mesmo nos sonhos da maioria dos motociclistas que não pode desembolsar os R$ 52 mil necessários para retirar uma da concessionária. Enquanto isso, a campeã de vendas CG 125 Titan mostra porque a Honda detém 80% do mercado brasileiro. Outro modelo da empresa bastante procurado pelo público é a Honda Biz que tem a menor cota de consórcio, são 72 prestações de R$ 66,55 - para a popular CG Titan, a mensalidade tem o valor de R$ 79,75.

Para disputar o mercado das motos populares, a Yamaha lançou em 2000 o modelo YBR 125, carro-chefe da empresa. A YBR 125-K, por exemplo, sai por 60 prestações mensais de R$ 95,65. "Até executivos estão comprando motos para trabalhar. Economizam em combustível, estacionamento, IPVA e seguro", revela o gerente de vendas da Líder Motos Paulo Cerqueira. Na concessionária o acréscimo de vendas registrado de janeiro a agosto deste anos foi de 20%.

Entre o sonho e a realidade

CG 125 Titan
SOFTAIL FX

fabricante: Harley-Davidson
comprimento: 2,41 m
assento: 66,2 cm
peso: 305 kg
cilindradas: 1449 cc
tanque: 19,3 litros
preço médio: R$ 52 mil
YBR 125-K
CG 125 Titan

fabricante: Honda
comprimento: 1,98 m
assento: 78,1 cm
peso:110 kg
cilindradas:124 cc
tanque: 13 litros
preço médio: R$ 4.500
Softail FX
YBR 125-K

fabricante: Yamaha
comprimento: 1,98 m
assento: 78 cm
peso:105 kg
cilindradas:124 cc
tanque:13 litros
preço médio: R$ 4.580

Mas não são só as concessionárias que estão constatando um aumento na procura pelas motocicletas. Nas auto moto escolas o movimento também cresceu bastante, e cresce ainda mais quanto o tempo esquenta, pelo menos 50%, como afirma a gerente administrativa Claudiana Paiva. "Em média, são 15 alunos por mês que chega à auto escola requerendo o exame para tirar a habilitação. A maior parte deles, usa a moto como veículo de trabalho". Para ser um bom motociclista, a gerente dá as dicas, "é preciso ter muita atenção e seguir as regras de circulação".

Easy riders
Procuradas principalmente por consumidores do sexo masculino que ocupam uma faixa etária que compreende dos 25 aos 35 anos a motocicleta é sinônimo de jovialidade. Não foi por este motivo que Luciano Gurgel de Amorim adquiriu sua primeira moto aos 18 anos e duas semanas, como faz questão de deixar claro.

Hoje, após 22 motos, ele confessa, "o espírito de aventura e de emoção e a curiosidade de andar sobre duas rodas e um motor fizeram eu me apaixonar pelas motos. Tenho mais ciúmes da minha moto do que da minha namorada". Amorim usa sua CB 500 para o lazer, mas compreende a utilização do veículo para o trabalho. "Para estes fins, é um meio de transporte ágil e econômico. O problema é quando o motociclista perde o bom senso e guia sem consciência, fazendo um monte de gracinha. Esse motoqueiro acaba denegrindo a imagem do motociclista", protesta.

A paixão também foi o motivo que levou Anderson Pereira Duque a comprar uma moto. "Eu sempre gostei de moto desde os 15 anos. Os carros não me atraem em nada. A minha segunda moto eu troquei por um carro, por insistência da minha mãe, mas logo vendi para comprar outra moto". Com 20 anos, ele já está na sua terceira motocicleta e aponta a economia como outra vantagem do veículo. "A minha moto faz 26 km por litro, mais que o dobro do que um carro faz", explica.

Amantes da aventura é sobre duas rodas que esses motociclistas vão atrás da emoção... "Aos apaixonados por motocicletas, sejam elas esportivas, estradeiras, custom, off road, bonitas, feias ou velhas, não importa o quanto custe ou nos custe, se esvaziamos os bolsos, deixando a família apavorada ou as pessoas maravilhadas, não importa, ela nos deixa cheios de prazer, coragem e irreverência" - trecho de texto cedido por Luciano Gurgel de Amorim.

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