Vendedores ambulantes de olho no Natal Cada um tem sua estratégia para vender mais presentes e
conseguir aumentar a renda nesse fim de ano


Thiago Werneck
Repórter
16/11/2007

Os vendedores ambulantes de Juiz de Fora esperam ansiosos pela chegada do Natal. O aumento nas vendas é dado como certo por quase todos eles. Alguns nada vão fazer para atrair clientes, outros prometem enfeitar a barraca com pisca-pisca e papai noel ou ainda expor mais brinquedos do lado de fora.

As cores e as formas de exibir os produtos nas barracas, espalhadas pelo centro da cidade, devem começar a mudar a partir do início de dezembro. Por enquanto, nenhum produto que seja novidade ou destaque para esse Natal. A saída e a a expectativa é a de ganhar o freguês pelo preço.

"Tem que ter um preço bom para conseguir bons negócios. A venda de brinquedos já caiu bem, depois desse monte de loja de R$ 1,99 que abriu por aí, o negócio é maneirar no preço", diz o camelô José Roberto da Silva (foto abaixo). A expectativa de alguns vendedores é de que as vendas aumentem em cerca de 50% às vésperas do Natal.

Para José Roberto, a data é uma forma de tirar prejuízos dos meses anteriores. "A venda está baixa e com o natal a gente consegue tirar o atraso. O que mais sai é brinquedo mesmo", conta. Para entrar no clima, ele já pensa em enfeitar sua barraca. "Já temos o papai noel para vender e estou vendo a possibilidade de colocar pisca-pisca em volta da barraca".

Foto de Jamil Zaiden Há oito anos no setor, José Roberto nota apenas uma diferença nas vendas para esse natal. "Antigamente vendia muito cartão de Natal, hoje saiu de moda, ninguém procuram mais. Agora, tem muita gente que procura é papel de presente, um produto que sempre tem boa saída", avalia.

O otimismo de José Roberto é o oposto às expectativas do vendedor ambulante, Antônio Jorge, que há cerca de 45 anos trabalha no mesmo ponto da rua Marechal Deodoro. "De uns dez anos para cá baixou muito as nossas vendas. Acho que vamos ter um aumento de 10% em relação aos outros meses. O setor está muito fraco", lamenta.

Sobre as novidades para sua barraca, Antônio é um dos que não pensou em nada ainda. "Vou pensar em alguma coisa só no início de dezembro, mas não tenho muito para inovar. Por exemplo, em dia de chuva só vende sombrinha e mesmo assim muito pouco, o povo prefere ficar molhado do levar uma sombrinha para casa. A situação de venda está difícil".

Foto de Maria de Conceição mostrando um de seus produtos As queixas de Antônio se estendem aos fiscais da prefeitura, que, segundo ele, limitam muito o número de mercadorias que podem ficar expostas do lado de fora da barraca. "Se quando a mercadoria está do lado de fora está difícil do freguês levar alguma coisa, o que está aqui dentro é que não sai mesmo. Esses fiscais não deixam a gente em paz", diz.

Em uma só questão, todos os vendedores ambulantes concordam: quando o 13º salário começar a cair no bolso dos consumidores é que as vendas devem ser impulsionadas. "Por enquanto, está tudo normal em relação a saída de produtos. É a partir do começo de dezembro que o pessoal vai receber um dinheiro extra e comprar seus presentes" , acredita o camelô Eugênio da Silva (foto abaixos).

Foto de Sandra atendendo uma cliente Há dez anos no setor, ele também é otimista em relação ao aumento do faturamento. "As vendas devem aumentar até 60%. Quanto mais próximo do dia 24 melhor para gente. A maioria das pessoas deixa para comprar tudo de última hora", observa.

Ao contrário de Roberto, Eugênio não pensa em enfeitar sua barraca. Para tentar atrair o freguês, vai apenas destacar mais os brinquedos. "São os produtos que a gente mais vende e se tiver alguma novidade no mercado, com certeza vamos trazer para o freguês".

Com os vendedores ambulantes otimistas ou não, é a partir de dezembro que os juizforanos vão passar a notar as mudanças nas barracas de camelôs no centro da cidade. Algumas que vão se dedicar a venda exclusiva de pisca-pisca e as outras de alguma forma vão se encaixar no espírito de vendas do natal.

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