Campanha eleitoral gera renda extra a juizforanos Pessoas que trabalham em apenas um turno ou estão sem trabalho fixo, aproveitam as eleições para obter renda extra


Priscila Magalhães
Repórter
18/09/2008

Carros, muros, alto-falantes, marquises, fachadas, motocicletas e até um carrinho de mão. Estes são alguns dos locais onde podem ser encontraradas propagandas de candidatos nas eleições municipais de 2008.

Além disso, o número de pessoas que trabalham distribuindo panfletos, carregando bandeiras e placas também é grande. Para elas, desempregadas ou não, a campanha eleitoral é a oportunidade para ganhar um dinheiro extra.

Este é o caso de Priana Alves da Silva, que está desempregada. Não é a primeira vez que ela trabalha na campanha e diz que, este ano, o pagamento vai ser bem-vindo. "Para quem está sem emprego é uma boa oportunidade". Mas diz que não substitui o emprego fixo. "O pagamento da campanha é mais baixo".

Apesar de gostar do trabalho, ela diz que há momentos difíceis. "É ruim, às vezes, falar com as pessoas. Tem hora que elas tratam a gente mal e falam como se a gente fosse o candidato. Já até me xingaram", conta ela.

O caso de Sandra Maria do Nascimento é um pouco diferente, já que ela não trabalha fora, mas aproveita a campanha eleitoral para ter uma ocupação. A cada dois anos se envolve com os trabalhos e ajuda o mesmo partido. "Como não trabalho, pelo menos nessa época não preciso depender de outras pessoas". Segundo ela, é um trabalho cansativo. "Quem entra na campanha tem que vestir a camisa".

Foto de moto com adesivo de candidato O motoboy Roberto Santos Araújo trabalha por conta própria. Ele roda cerca de 150 quilômetros por dia e, agora, enquanto leva e traz objetos também aproveita para levantar um dinheiro extra. Ele adesivou o baú da motocicleta com a foto e o número de um dos candidatos à Prefeitura. Em troca, recebe um valor suficiente para encher o tanque e trabalhar por dois dias. "É a primeira vez que trabalho e não pretendo parar", diz. E completa, dizendo que já ia votar no candidato. "Aceitei, porque ele é meu candidato".

Alexsandra da Silva, Rosane Aparecida e Fernanda Aparecida trabalham de manhã em uma gráfica e à tarde na campanha eleitoral. Elas distribuem panfletos pelo centro de Juiz de Fora e ganham R$ 80 por semana, de segunda a segunda. O valor está bem abaixo do que ganham na gráfica, mas elas garantem que faz a diferença.

"Mesmo porque o meu salário não é suficiente e acaba completando minha renda", diz Alexsandra. "E quanto mais a gente ganha, mais precisa", completa Rosane. Para elas, é um trabalho que vale a pena. "Ficamos cada uma em um ponto e não é muito cansativo. Mas temos que trabalhar todos os dias, até fim de semana".

Foto de carro com adesivo de candidato Para Vítor Ferreira, o trabalho durante a campanha eleitoral vai contribuir para a poupança. "Estou juntando esse dinheiro", conta. Com o extra, ele pretende investir nele mesmo, comprando roupas, comida e no lazer. Ele já está trabalhando há três semanas e, em cada uma, ganhou R$ 120. Ele tem emprego fixo. Durante a manhã, trabalha em uma empresa de transporte da cidade.

Adair Silva trabalha na campanha pela primeira vez e diz que quer continuar. Ele foi indicado por um amigo e convocado para distribuir panfletos na rua. Ele também recebe R$ 120 por semana, mas, ao contrário de Vítor, está desempregado. O dinheiro veio em boa hora. "Não vou juntar. Vou comprar as coisas do dia-a-dia, como comida". Segundo ele, o pior do trabalho é o mau humor de algumas pessoas. "Tem gente que até atravessa a rua para não pegar o papel".

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