Prorrogação do IPI reduzido agrada comerciantes do setor Desde o implemento do incentivo, concessionárias
registram aumento de até 50% nas vendas

Patrícia Rossini
*Colaboração
30/3/2009

A prorrogação por mais três meses do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para automóveis é motivo de comemoração para o setor. Desde a primeira redução no IPI, em dezembro de 2008, algumas concessionárias registram aumento de até 50% na venda de carros novos, comparando com os meses que antecederam o incentivo, isto é, outubro e novembro. A medida atinge carros, caminhões e caminhonetes (veja tabela).

O governo federal pede às montadoras a manutenção dos empregos, como contrapartida para redução do IPI. No entanto, as empresas estão livres para promover programas de demissão voluntária.

Para o economista Guilherme Ventura, a prorrogação do benefício fiscal possibilita que o mercado mantenha a normalidade. "Com a crise, o mercado de automóveis sofreu uma grande retração no final de 2008. Agora, com o aumento das vendas em função da redução do IPI, a situação está próxima do que era antes da crise econômica."

Segundo ele, a melhoria do crédito também colabora para o aumento das vendas. "Inicialmente, o setor de crédito parou. Tivemos juros muito altos e prazos curtos. Com a adaptação do mercado à crise e com as medidas de incentivo econômico do Banco Central, o crédito está se recuperando e apresenta financiamentos de longo prazo e juros próximos aos do período anterior à crise."

Veículo IPI reduzido IPI original
Carros até 1.000 cilindradas zero 7%
Carros de 1.001 cilindradas
a 2.000 cilindradas
6,5%(gasolina) /
5,5% (álcool ou flex)
13% /
11%
Caminhonetes 1% 8%
Caminhões zero 5%

Fonte: Governo Federal

Vendas superam período pré-crise

Foto de carros na avenida Rio Branco Em Juiz de Fora, uma concessionária registrou vendas no primeiro trimestre de 2009 superiores ao mesmo período do ano passado. É o que afirma o gerente de vendas Adriano Torres Mattar. "A redução do IPI teve um impacto muito positivo na venda de carros novos. A expectativa é de que o mercado continue aquecido."

O gerente de vendas de veículos novos de outra concessionária, João Carlos Micheli, confirma a tendência de aquecimento no setor. "O preço dos carros novos está com um desconto significativo, o que é muito atraente para o consumidor. Nesses primeiros três meses com IPI reduzido, a venda de veículos zero aumentou 50%, se comparada ao final de 2008."

Segundo Ventura, o momento é ideal para quem quer investir no carro zero. "O consumidor interessado em comprar um carro novo deve aproveitar a oportunidade para encontrar preços mais baixos, pois o pacote de medidas não deve ser prorrogado novamente em julho."

Seminovos

Apesar do cenário otimista, o economista aponta a desvalorização dos carros seminovos como um entrave para o consumo, pois são usados como parte do pagamento na troca por um veículo novo.

O IPI reduzido também influencia no preço dos veículos seminovos. Apesar de o imposto não ter relação direta com o produto, os descontos no carro novo provocam a retração no valor dos usados. "O mercado de usados continua frio, mesmo com os preços em queda. Muitos clientes preferem tentar vender o carro do que usar como parte do pagamento de um novo, devido à desvalorização", diz Mattar.

Micheli acredita que o mercado de usados pode se beneficiar dos preços baixos. Ele pondera que a redução do preço de venda dos seminovos em alguns casos pode ser superior ao desconto do IPI no carro zero, o que torna a opção atraente para o consumidor.

Motocicletas

Foto de motos estacionadas No caso das motocicletas até 150 cilindradas, o pacote prevê a isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins), que corresponde a 3%.

De acordo com o economista, a medida também pode colaborar para o aquecimento do mercado de motos, embora o desconto seja mais discreto do que o aplicado aos automóveis. "Como as motos são produzidas na Zona Franca de Manaus e não têm IPI, a redução no preço final do produto é menos significativa. Entretanto, como a inflação está baixa, esse desconto é muito vantajoso para o consumidor e pode resultar no aumento das vendas."

* Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF

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