Número de empresas abertas em JF cai 22% Credibilidade no município, aluguéis variáveis e inexperiência dos empresários contribuem para baixa. Número de inscrições equiparam com fechamentos

Pablo Cordeiro
Repórter
14/9/2010

A quantidade de empresas abertas em Juiz de Fora até agosto de 2010 é 22% menor do que o mesmo período do ano passado. Segundo dados da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), 2.398 empresas foram inscritas neste ano, contra 2.700 no ano passado (confira tabela abaixo). Segundo especialistas, não existe um motivo específico para a queda, porém indicativos apontam possíveis causas para a variação do quadro.

De acordo com o supervisor regional da Jucemg, Ricardo Miana, o mercado reage de uma maneira não linear, o que impossibilita apontar uma causa responsável pela variação de empresas abertas. "Apesar de a mídia ressaltar que a economia está crescendo, alguns setores não acompanham este desenvolvimento."

Outro aspecto elucidado por Miana é a credibilidade e a confiança na própria cidade. Após os escândalos políticos do ex-prefeito Alberto Bejani, empresários ficam receosos na abertura de novas empresas. O superintendente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio), Sérgio Costa de Paula, acusa a renovação de contratos locatários como indícios para essa queda. "Muitas empresas deixam o ponto na época de renovar o aluguel por causa do superfaturamento." Em específico na rua São João, local onde a rotatividade é maior (confira exemplos abaixo), Sérgio Costa destaca que a maioria das lojas é de Petrópolis (RJ). 

Empresas abertas em JF
Mês 2009 2010
Janeiro 282 330
Fevereiro 265 248
Março 335 352
Abril 373 302
Maio 376 328
Junho 291 233
Julho 422 289
Agosto 356 316

Miana acrescenta o fato de que, em Juiz de Fora, há anos anteriores, o preço dos imóveis estava defasado. "Houve uma recuperação e os preços retomaram os valores históricos, o que assustou os proprietários. Eram baratos demais." Sobre a influência do Natal na motivação da abertura dessas lojas, o momento até pode favorecer, mas a questão dos aluguéis permanece. "A influência do Natal pode até ser positiva para aumentar o faturamento, mas depois a loja tem que se manter", explica Sérgio Costa.

Outro motivo que denuncia a queda de empresas inscritas na cidade é o espírito afobado dos empreendedores. "Muitos abrem lojas no oba-oba, com dinheiro de aposentadoria. Nunca mexeram no negócio e não se preparam bem. Com isso, acabam levando susto", ressalta Miana.

Para o coordenador da Superintendência Regional da Fazenda Estadual em Juiz de Fora, Fernando Antônio Fagundes, de uma forma geral, embora não apresente índice significativos, o crescimento de empresas inscritas na Fazenda tem aumentado durante os anos. "O comportamento que observamos é o de crescimento de inscritos e aumento de contribuições tributárias. A recuperação da economia está muito associada ao comércio, que se encontra em recuperação", aponta.

E na prática?

Na prática, outros fatores influenciam na abertura dos estabelecimentos. De acordo com a gerente de uma loja de bijuterias (foto acima) que abriu as portas há um mês na rua São João, no Centro, Polliana da Silva Pereira, o próprio mercado motivou a abertura da loja. "Não tem um motivo específico. A ideia foi até deixar para abrir mais perto do Natal, mas vimos que o ponto é bom e a rentabilidade é boa", define. Uma das características que motivou a escolha do ponto é o caráter universitário da cidade, já que, segundo a gerente, o público feminino compra bastante os produtos. 

ComércioApesar do pouco tempo de existência, as vendas estão satisfazendo as expectativas. "O fluxo de pessoas que passam pela São João e compram é maior do que em outros pontos. Para o Natal esperamos vender mais, já que os preços são acessíveis e não pesam no orçamento", ressalta. A loja é uma franquia originária de São Carlos (SP). Outra gerente que comemora as vendas mesmo com o pouco tempo de existência de sua loja é Vanessa Castro, que dirige um estabelecimento, também na rua São João (foto ao lado), de vestuário feminino. "Abrimos há 25 dias para aproveitar o fim de ano. Não teve motivo especial para a escolha do ponto. Nossas expectativas são as melhores." 

Fechamentos equiparam

Dados da Secretaria Estadual da Fazenda reforçam a queda de inscrições de empresas na cidade. Desde janeiro de 2009 até junho deste ano, 3.500 contribuintes fizeram a inscrição, o que representa quantidade relativamente semelhante aos dados da Jucemg. Em relação às inscrições suspensas, canceladas ou que pediram baixa, o mesmo período aponta número de 4.607.

Fagundes explica que desse número, se retirar as suspensões, já que elas podem ser revertidas mais facilmente do que cancelamentos, os fechamentos se equiparam às aberturas. "Se descartando as suspensões, fica quase empatado", pontua. Em relação aos fechamentos, a Jucemg aponta uma equivalência nos anos: até agosto de 2009 foram 731 e no mesmo período de 2010, 746. Em relação a esses dados, Miana alerta que podem ser subestimados, já que muitas empresas fecham e os responsáveis não dão baixa.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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