Consumidor economiza até 20% comprando produtos com marcas de supermercadosEmpresas buscam qualidade semelhante à de marcas tradicionais, apostando no preço baixo para atrair consumidor

Victor Machado
*Colaboração
4/1/2012
Foto de produtos

Encontrar produtos com marca própria de supermercados e lojas tem se tornado cada vez mais comum. Segundo dados da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro), o preço desses produtos pode ser entre 10% e 20% mais barato em relação a marcas tradicionais e a qualidade semelhante ao de outros encontrados no mercado.

Para a economista doméstica Joyce Lisboa, comprar produtos com marcas de supermercados é, sem dúvida, uma vantagem. "Geralmente a qualidade é comparada ou até melhor do que a de marcas maiores e o preço pode ser até 30% mais barato. É muito difícil notar diferença de qualidade."

Joyce comenta que tem o costume de comprar esse tipo produtos em supermercados. "Nunca dei o azar de encontrar algo com baixa qualidade. Procuro sempre experimentar as novidades e compro desde que começou a aparecer em Juiz de Fora. Um exemplo de produto que não agradou foi o sabão em pó, não por ser ruim, mas por questão de preferência."

A presidente da Abmapro, Neide Montesano, afirma que, no valor total da compra, o consumidor pode economizar de 15% a 20%. "Esse tipo de produto é ideal para consumidores com orçamento restrito, pois possibilita que classes mais baixas tenham acesso a produtos que não poderiam comprar." O crescimento das marcas próprias no Brasil chegou a 16% em volume de vendas e 21% em valor vendido, em relação a 2009. Na rede supermercadista, cerca de 5% do faturamento total é representado pela venda de marca própria.

Apesar do cenário de crescimento, a presidente considera que o número no país poderia ser ainda maior. "Tivemos, sem dúvida, um crescimento importante. No entanto, existem países como a Suíça em que esse mercado representa 52% do faturamento total." Uma das explicações seria a forma de medição dos números. No Brasil, não são incluídos na medição produtos da padaria, frutas, legumes e açougue. "Com isso, temos uma queda representativa, se comparado a países da Europa."

Segundo Neide, segmentos que têm se fortalecido com as marcas próprias são os de vestuário e construção civil. Porém, as medições para o setor começarão a ser feitas a partir de 2012. Ao todo, o país tem cerca 65.880 itens com marcas próprias, em 163 organizações diferentes. Os mais vendidos são das categorias de alimentos, bazar, higiene e beleza, limpeza caseira e bebidas. No primeiro semestre de 2010, as marcas próprias atingiram 18,6 milhões de pessoas.

Para Neide, hoje em dia, o receio do consumidor em comprar produtos com marca própria já foi superado. "O brasileiro tem um perfil de experimentador. Marcas novas surgem a todo momento e, nesses casos, têm o respaldo de uma marca maior. O consumidor começa a ter essa percepção qualidade e preço menor." O fortalecimento desse mercado, na opinião da presidente da associação, gera uma competitividade que é saudável para os brasileiros. "As grandes multinacionais já estão acostumadas com essa competição. Para competir, acabam obrigadas a fazer promoções, criar novas tecnologias e melhorar o serviço."

História

As marcas próprias surgiram na França, na década de 50. No Brasil, elas chegaram em 1970, com a chamada primeira geração. Essa geração era formada por produtos que não apresentavam as suas marcas, tinham qualidade ruim e não se preocupavam com os preços. Nos anos 80, já na segunda geração, os produtos começaram a apresentar as marcas.

Atualmente, na terceira geração, conhecida como Me Too, os produtos comprometem-se em ter qualidade similar às marcas que já se encontram no mercado e preços menores. "É nessa geração que começou a preocupação com a qualidade e com o preço menor. Quando uma empresa cria uma marca própria, ela deve se preocupar em posicionar o produto corretamente e saber com quem irá competir para buscar a similaridade."

A quarta geração, também encontrada atualmente, se preocupa em apresentar produtos com valor agregado, entre eles, sustentabilidade e novas tecnologias. "Está crescendo no Brasil. São linhas inovadoras, com novos conceitos. Mas não necessariamente, preocupadas com o preço baixo."

*Victor Machado é estudante do 8º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

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