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    Mercado de cervejas artesanais aposta na variedade para atrair juiz-foranosJuiz de Fora produz mais de 20 mil litros da bebida por mês. Intenção é retomar a tradição juiz-forana como polo de cervejas artesanais

    Victor Machado
    *Colaboração e
    Jorge Júnior
    Repórter
    27/1/2012
    cerveja

    O consumidor juiz-forano tem se acostumado a encontrar estabelecimentos que comercializam cervejas artesanais na cidade. Segundo um levantamento feito pelo Sebrae-MG, o município possui dez microcervejarias e produz mais de 20 mil litros por mês. A principal aposta do setor são os sabores diferenciados e as diversas possibilidades de harmonização entre cerveja e gastronomia.

    Para o proprietário de um cervejaria em Juiz de Fora e especialista em cervejas artesanais, Hugo Siqueira, a população tem dado mais valor a este tipo de produto, o que ajuda a explicar o crescimento da categoria artesanal. "Hoje, o consumidor já perdeu aquele estigma de que cerveja boa é cerveja produzida por grandes indústrias. É possível fazer bons produtos artesanais."

    Em sua cervejaria, Siqueira produz cerca de 4 mil litros de cerveja e chope por mês. Ao todo, são 11 tipos diferentes de cervejas e cinco de chope. A diversidade de sabores é uma das principais aliadas deste segmento. "São cervejas claras, pretas, defumadas, de trigo e até voltadas para o público feminino, que são mais leves. São características de cerveja que já existem, mas a receitas são feitas por nós. Quanto mais diferenciada, maior a curiosidade do consumidor."

    De acordo com Siqueira, as cervejas artesanais assemelham-se ao vinho devido à possibilidade de harmonização com alimentos. "É uma cerveja feita para ser degustada e não para beber muito. A partir da escolha do sabor, é possível combinar pratos que se adequam a um determinado paladar. É uma forma de atrair o consumidor para este tipo de produto."

    O proprietário de outra cervejaria da cidade, Pedro Peters, também credita a variedade de aromas e sabores ao crescimento do mercado. "Por ser artesanal, é possível fabricar produtos diferentes, buscar o gosto do cliente e personalizar o máximo possível. Com isso, o preconceito com esse tipo de cerveja tem diminuído ao longo dos anos." Atualmente, a cervejaria de Peters produz cerca de 1.200 litros por mês e cinco tipos diferentes.

    Há quase dois anos no mercado de cervejas da região, o proprietário de outra cervejaria, Wilder Finamore, revela que inserir sua marca no setor foi mais fácil, porque a cidade já está se habituando ao consumo da bebida. "A procura está sendo grande. Desde a inauguração, o movimento dobrou", afirma. O empresário aposta que a cidade vire um polo de cervejaria em Minas Gerais. Como o consumo é alto, Finamore precisa equilibrar a produção. "Já tive que fechar o bar, por falta de cerveja. Agora estou contornando essa situação, para atender o público externo que solicita a bebida em festas particulares", explica. A ampliação, gerou uma filial no município de Goianá.

    Tradição

    Siqueira aponta o crescimento deste mercado como uma forma de recuperar a tradição de Juiz de Fora como polo de cervejas artesanais. "Quando comecei a estudar a história da cidade, vi que, no Século XVIII, Juiz de Fora era referência devido à colonização alemã. Essa tradição foi se perdendo ao longo dos anos e a missão é resgatar essa cultura cervejeira." O especialista considera que, atualmente, a cidade é referência na região e chega a superar Belo Horizonte no setor.

    A tradição também é o impulso para Peters investir no mercado. Seguindo uma história familiar, ele é proprietário da primeira cervejaria de Minas Gerais, fundada pelo tataravô, o alemão Sebastião Kunz, em 1861. "Foi uma forma de resgatar essa cultura de cervejas artesanais da família e da cidade. Isso me influenciou a entrar no mercado."

    A cerveja artesanal

    Siqueira explica que a cerveja artesanal é normalmente, entre 20% e 30% mais cara do que as industrializadas. A principal diferença é o fato de ser produzida puro malte, com 100% de cevada. Elas não possuem química, não são filtradas, são ricas em proteínas e complexo B, além de não serem pasteurizadas. "Devido a essas características, é uma cerveja mais encorpada e feita para ser degustada. Uma diferença é que não dá ressaca, devido à falta de química. É uma cerveja mais pura."

    De acordo com Finamore, a cerveja artesanal produzida pelo seu estabelecimento tem um teor alcoólico que varia de 4,5 a 9,5%, em cada cerveja.

    Público Misto

    E quem pensa que cerveja não é coisa de mulher está enganado. "Além do público jovem, entre 20 e 30 anos, temos um público de mulheres e pessoas com mais idade. O público é bem diversificado", diz Finamore. Segundo ele, os jovens que frequentam o bar acabam trazendo os pais para experimentarem e, assim, quebram os paradigmas que cerveja boa é feita em grandes indústrias.

    *Victor Machado é estudante do 8º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

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