Ovos de Páscoa em promoção? Lojistas de Juiz de Fora garantem que não vai haver promoção de ovos de páscoa, já que quebrados, ou não, o preço é o mesmo

Priscila Magalhães
Repórter
10/03/2008

Já se foi o tempo em que as lojas e supermercados vendiam os ovos de chocolate quebrados a preço muito baixo, depois que a páscoa passava. Hoje, os comerciantes estão preferindo devolver os ovos aos fabricantes.

Em uma loja de departamentos da cidade, o número de ovos quebrados é muito grande e, quando perguntada sobre promoção, a vendedora disse que não vai haver. "Quebrado, ou não, o preço é o mesmo e, depois, os que não são vendidos, são devolvidos para a fábrica".

A mesma coisa acontece em uma loja de doces da cidade, onde os ovos quebrados são trocados até por outras mercadorias. Mas não vale a pena vender mais barato? Quem fabrica diz que não. "Eu não vendo mais barato e aceito devolução das lojas franqueadas", diz Omara Stephan e Silva, sócia-proprietária de uma loja de chocolates.

Segundo ela, como a maioria dos ovos é de chocolate ao leite, eles são derretidos e reaproveitados em outros produtos. "Perdemos a embalagem, mas isso não é tão significante", diz. Na loja de Omara, o número de ovos que acabam quebrados depois da páscoa não é muito grande. "No supermercado é que isso acontece mais, já que todo mundo passa por aquele corredor e vai apertando os ovos. Se meu varal fosse no supermercado, já ia estar tudo quebrado. Aqui, ninguém entra fazendo isso".

Segundo o fabricante de chocolates Rubens Vieira de Sá Braga Kayambá, os consumidores apertam os ovos de propósito. "Coloquei um ovo na porta da loja e se ele tivesse buzina ia ser um inferno. Eles passam e apertam pra ver se é de verdade e se quebra", brinca.

Foto de chocolates Foto de chocolates

Por isso, ele tomou a decisão radical de não deixar os produtos expostos aos clientes. "Eles vêm, escolhem o sabor, eu pego e depois que a venda é feita, entrego para o cliente, alertando que está inteiro". Rubens faz isso para que não haja retorno do consumidor. "Eles colocam o dedo e fazem um buraco nele. Se eu colocar em exposição, vai ficar caro para mim, porque sempre vou ter que refazer, aí gasto com mão-de-obra e material".

Se o ovo quebrar por acidente, Rubens diz que dá para consertar. "Enquanto ele está no ambiente de produção, dá para reaproveitar. Depois que ele foi embalado, é prejuízo". Ele explica que tomou essa decisão desde que começou o negócio. "Antes éramos somente eu e minha esposa para produzir os ovos, então preferimos fazer isso para evitar de perder tempo e ter prejuízo", completa.

Movimento

Há 12 dias da Páscoa, os comerciantes já comemoram o movimento. Omara diz que desde a última sexta-feira, 07 de março, a loja está muito cheia. Mas a comerciante está preparada para a confusão da última semana. "Na semana que vem, o movimento vai ser ainda maior". Enquanto isso, na loja de departamentos, a vendedora diz: "na segunda, dia 10, tivemos recorde de vendas".

Rubens diz que o movimento já superou a sua expectativa de 15% no aumento das vendas em comparação ao ano passado. "Já vendi muito e quem vier comprar na semana que vem não vai encontrar mais", comemora.


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