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    Black Friday gera expectativas mas exige cuidados do consumidor

    Vendas pela internet devem superar em dobro o índice do ano passado; especialista alerta como checar descontos e não cair em golpes

    Eduardo Maia
    Repórter
    14/11/2014
    E-commerce

    A estudante Andrezza Patalini, 18, já está ansiosa para conhecer as ofertas da edição brasileira do Black Friday, que este ano ocorre no dia 28 de novembro. Sua intenção é comprar produtos desejados há algum tempo por preços mais baratos e inclusive presentes para o fim de ano.

    "Encontro em um preço muito bom aquilo que desejo há um tempo. Já comprei uma bolsa, um par de sapatos e presentes no Black Friday. Às vezes, compensa pagar um pouco mais pelo frete nas compras pela internet, mas economizo tempo e dinheiro", afirma.

    A expectativa de Andrezza se assemelha à de muitos consumidores afoitos pela maratona de descontos que deve durar 24 horas. Aposta por aumentar o volume de vendas pela internet em todo o Brasil, a Black Friday deste ano deve apresentar faturamento de R$ 1,2 bilhão, segundo a empresa especializada em comércio eletrônico E-Bit. Esse número representaria um aumento de 56% sobre as vendas do ano passado.

    Já a pesquisa do site Busca Descontos, divulgada pelo E-commerce News aponta que, das 20 mil pessoas ouvidas sobre a intenção de comprar algum produto na Black Friday, 96% afirmaram positivamente que desejam fazê-lo. O número é acima do dobro dos 42% registrados no ano anterior. Segundo o mesmo índice, 75% dos entrevistados mostraram satisfação pela compra que fizeram.

    Para o professor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Harrison Bachion Ceribeli, a preferência das pessoas pelo e-commerce pode ser entendida como a reunião dos seguintes fatores: conveniência, preço, hedonismo (busca pelo prazer) ou distração, influência social, confiança e risco menor de vazamento dos dados financeiros das pessoas. Para ele, o Black Friday é um modelo que contribui ainda mais para este cenário.

    "Muitas pessoas veem o comércio eletrônico como uma forma de se obter preços mais competitivos, o que, em muitas situações, acontece. O Black Friday reforça esta crença, além de estimular os consumidores a anteciparem compras e optarem pelo e-commerce para realizá-las, com o intuito de aproveitarem os descontos", afirma.

    Entre os produtos mais desejados segundo a pesquisa realizada pelo Busca Descontos, os consumidores têm preferido buscar, em primeiro lugar, os eletrônicos (17%), seguido pelos de informática (13%), telefonia (12%) e eletrodomésticos (11%). No ano passado, os produtos mais procurados foram os smartphones, TVs e tablets, movimento que deve se repetir neste 28 de novembro.

    Lojistas se preparam

    De olho nos retornos que a data possa trazer, os lojistas começam a expor produtos a preços mais baixos nos sites. A loja de calçados Humanitarian já produziu uma campanha antecipada, que oferece descontos de até 70% para os clientes. Um cronômetro regressivo aponta o tempo para a data oficial do Black Friday, quando a loja promete oferecer até 80% de desconto nos produtos. "Esperamos um crescimento considerável das vendas, em relação à estas promoções. São produtos de pontas de estoque, que não estão no auge da moda, mas de qualidade. Já na loja física, estamos vendendo a coleção nova", afirma o gerente da loja localizada no Centro de Juiz de Fora, Higor Otoni Ribeiro.

    ClientesPara o profissional, é preciso analisar de forma distinta os consumidores que decidem comprar no site ou in loco. "Eu vejo que o comércio na internet vem crescendo consideravelmente, apesar que no segmento de moda, o cliente ainda prefere vir, ter a opinião de um vendedor, experimentar no ato da compra. A migração para a internet tem sido considerável, mas no ramo de moda, o consumidor ainda prefere a compra no local de venda", afirma.

    Sobre o perfil do cliente que faz a distinção pela compra na web ou no comércio tradicional, o administrador percebe dois fatores. "O timing de venda é diferente, da loja física para o comércio virtual. O cliente que compra online procura preços mais baixos e sempre produtos exclusivos, que não se encontra em outros pontos da cidade. Vai na exclusividade extrema ou no preço mais baixo", observa.

    Descontos são questionados

    Oportunidade para se vender mais em razão do grande apelo promocional, a imagem que a Black Friday no Brasil passa não é de lisura em relação aos descontos praticados. "Semanas anteriores, as lojas fazem um aumento do preço para dar um 'desconto significativo' no dia. Acabam enganando as pessoas, não vejo muita lógica. No exterior, o desconto é verdadeiro. Compro bastante pela internet. Tem a vantagem de um preço mais barato, desconto, e prefiro até comprar lá mesmo. Em lojas da China, pode ter produtos de menor qualidade, mas bem mais baratos", desabafa o estudante de Engenharia Ambiental, Gustavo Ferreira Felizardo.

    O relato de Gustavo se assemelha a um grande número de manifestações registradas nas redes sociais nas edições passadas do Black Friday, inclusive sendo classificada pela Revista Forbes em 2013 como uma farsa. "Se nos Estados Unidos, a Black Friday é a largada da temporada de compras de Natal, no Brasil, é uma data para varejistas enganarem consumidores ávidos", divulgou na publicação de 28 de novembro do ano passado.

    Para evitar fraudes durante a compra de produtos anunciados "com desconto", alguns sites possibilitarão ao consumidor averiguar se a queda do preço do produto é real ou não. Entre eles, o site Baixou, que desenvolveu um plug-in disponível para download gratuito e também o Buscapé, que será adequado para o dia do Black Friday. 

    Além dos dispositivos, este ano a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara E-net) se reuniu com representantes de lojas online e reeditou o código de ética, para que os sites recebam o selo Black Friday Legal. O selo pretende oferecer a credibilidade ao lojista, dando a garantia ao consumidor de que os descontos são reais.

    Os interessados em comprar produtos pela internet e principalmente no Black Friday podem ficar atentos às dicas oferecidas pelo professor Harrison, que é doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP).

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