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    Especialista diz que corte orçamentário deve ser feito de forma consciente

    Psicóloga explica que dificuldades são comuns na crise, mas lembra que época é boa para ver o que é realmente é necessário

    Lucas Soares
    Repórter
    26/09/2015
    crise

    A crise econômica vivida pelo Brasil em 2015 vem alterando diretamente o orçamento familiar. Com o aumento do desemprego, da taxa de juros e da inflação, é necessário fazer cortes nas contas domésticas para não entrar no vermelho e criar dívidas.

    A psicóloga Ana Maria Mattos de Andrade explica que as mudanças de hábitos não devem ser um ato doloroso para as famílias, apesar de não ser fácil em um primeiro momento. "A crise mobiliza as forças das pessoas, no sentindo de terem que se adaptar a nova realidade. Mas nem sempre é possível fazer isso sem encontrar um problema. É muito mais fácil mudar de situação econômica e financeira de maneira positiva, do que negativa, tendo que se adaptar às novas realidades. O anseio de todo mundo é melhorar de vida, alcançar seus projetos, sonhos, mas para isso é necessário a sustentabilidade. Essa derrocada no orçamento provoca uma baixa na autoestima, já que tem pessoas que passam a se achar incapazes. Há casos de que as pessoas até se deprimem. A saída é fazer esse ajuste, mas sem dor", alerta.

    No entanto, Ana Maria lembra que toda crise deve ser encarada como uma oportunidade, e que o brasileiro pode explorar outras vertentes neste período. "As compensações são coisas que não demandam muito dinheiro, mas que podem ser realizadas, como encontrar os amigos, com cada um levando uma coisa para comer, a prática de esportes e os programas familiares, que vão trazer uma compensação sem gastar muito. É importante lembrar que toda crise é uma oportunidade. A pessoa pode buscar no seu potencial outros fatores, como a livre iniciativa", comenta a profissional.

    Cortes

    A jornalista Telma Elisa, 42, mora com o marido, um filho de 15 anos e uma filha de 11. Ela exemplifica que, ao longo do ano, realizou vários ajustes orçamentários, mas conseguiu equilibrar as contas. "As contas estão cada vez mais caras e começamos a avaliar o que seria mais fácil cortar. Tenho dois cachorros peludos e o banho deles no petshop foi para o espaço. Foi o primeiro corte. Antes eram dois banhos por mês, cada um por R$ 30, e agora dou banho em casa, só levando lá quando o pelo fica alto. A gente tem como lavar, não fica a mesma coisa, mas não posso me dar ao luxo. Outra coisa foi a televisão por assinatura. Tínhamos um pacote completo, cortamos para um menor, com menos canais, e reduzi em mais de R$ 100 a conta. Não conseguimos alterar a internet, já que todos somos muito viciados. Além disso, passei a comprar verduras na feira, ao invés de ir ao mercado. E as saídas nos finais de semana estamos dando mais chances para o adolescente. Antes almoçávamos na rua e íamos a barzinhos nos sábados à noite e agora, vamos uma ou duas vezes, no máximo, por mês. Meu marido fez uma boa compra de lâmpadas mais econômicas, trocou e ficou quase do mesmo jeito. No fim, economizamos uns R$ 500, mas não sobrou, apenas amenizou o problema. Não chegamos a entrar no cheque especial, mas os cortes foram fundamentais para caber dentro do que dá para pagar", explica.

    Na casa da estudante Maria Clara Alcantara, 23, os cortes também foram fundamentais para não estourar o orçamento. "Comíamos fora todas terças e quintas-feiras, porque a empregada não vem esses dias, e agora fazemos comida em casa. Não ando com meu cartão de crédito para não cair na tentação de comprar alguma coisa, mesmo que seja parcelado. Antes eu doava minhas roupas antigas, que já não servem mais, e agora vendo em brechós. Todo domingo a gente também comprava hambúrguer, mas agora ou cozinhamos o jantar, ou fazemos o nosso. Eu não sei quanto exatamente foi economizado, mas deu uma boa melhora nas contas, principalmente o almoço, que dava uns R$ 40 por dia", revela.

    Inflação é a vilã

    De acordo com o professor da faculdade de economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Wilson Rotatori, o aumento da inflação é o grande problema. "Na média, os preços de uma cesta de consumo básica de uma família vão subir 9,5% este ano, segundo a expectativa do governo. Se o salário da pessoa está parado, mesmo que ela faça economia, ela não vai continuar comprando o que ela comprava antes. Esse é o problema da inflação. No momento que a gente está, os salários não vão acompanhar. A economia está em recessão, o trabalhador não consegue pedir aumento, existe o risco de demissões, então já não é ganho salarial. A pessoa corta no orçamento, mas não consegue poupar. Outra problema é a queda do salário, por conta dessa parada que deu na economia. Se o salário da pessoa está ligado à alguma atividade, como vendas, pode ter acontecido uma queda nos ganhos. São essas duas coisas que possam levar ao problema, além da restrição de crédito. Se antes era possível manter um consumo alto, com crédito, financiando, hoje os bancos estão mais seletivos, restringindo", conclui.

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