Fernando Gaio Cantor fala de seus shows em Milão
e relembra os tempos pra lá de Marrakech

Luciana Mendonça
20/03/2001

É "nos bares da vida" que o juizforano Fernando Gaio solta sua voz, desde a década de 80. Espaços hoje fechados, como o Marrakech, o Mezzaninu, o Crepúsculo e o Etílicos (quem se lembra?), transformavam-se em pontos de encontro de boa parte do público jovem de Juiz de Fora, sempre que o cantor se apresentava por lá. Cantando as músicas das paradas de sucesso e os clássicos da MPB e do rock, no melhor estilo pop, Gaio sempre envolveu a platéia, que dançava e também cantava com ele.

Há dois anos morando em Milão, ele continua fazendo de seus shows um momento de muita interatividade, agora, com os freqüentadores das casas italianas. É o que conta ao JFService, aproveitando as férias na cidade: "Os europeus gostam muito de Bossa Nova, apesar de chamarem o ritmo de jazz. Prefiro interpretar a chamada Trip Bossa, da Bebel Gilberto, filha de João Gilberto. Ela tem uma batida mais moderna. Mas o que faz todo mundo cantar junto, e em português, continua sendo Garota de Ipanema. Eles adoram Toquinho, e Caetano é endeusado na Itália".

O "musicista brasiliano" tem se apresentado também na Suíça e na Alemanha, somando, segundo conta, quase 180 shows. "Acho que as pessoas gostam das apresentações porque eu brinco com a platéia e toco o que eles querem ouvir. Os brasileiros que estão na Europa gostam, por exemplo, da música baiana. Só não toco forró, nem funk."

É esta versatilidade que fez com que o músico decidisse por uma experiência "d'além mar": "estava meio brochado com o cenário musical do nosso país, por isso resolvi morar na terra dos meus avós. Procuro ter uma percepção mais aguçada, para sentir as oportunidades."

Camaleão

Foi através desta capacidade de mudar os caminhos que Fernando Moysés Gaio, hoje com 38 anos, largou a carreira de professor de Educação Física (formou-se na UFJF), o curso de Psicologia (cursou três anos no Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora) e partiu para a carreira de músico. Estudou, durante cinco anos, canto e harmonia com o professor Pedro Paulo.

Castro Neves, no Rio de Janeiro. No violão, é autodidata. Montou uma banda no início da década de 80, o Mercúrio Cromo, e depois partiu para a carreira solo.

Composições próprias

A canção "Sem destino", que tem arranjos e teclados de Márcio Lomiranda e guitarras de Paulo Rafael, é uma das preferidas de Gaio e foi gravada em Cd Demo. "Me inspiro em Carlinhos Brown - gosto de mexer mais com o som das palavras."

Você pode ouvir clicando na imagem do CD, ao lado.

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