A musa da Terceira Idade de Juiz de Fora
Deborah Moratori
04/08/03
"Desde crian?a eu queria ser atriz. Era um sonho que eu tinha". Hoje Dona Flora como ? conhecida est? realizada. Depois de uma vida toda dedicada ao marido, filhos, netos e bisneto, ela decidiu retomar o antigo sonho de atuar no teatro e na televis?o.
"Antigamente, voc? sabe, as fam?lias eram muito puritanas e isso me impediu de continuar fazendo teatro. At? oito, nove anos, eu atuava em pe?as infantis, mas depois disso eu tive que parar com o teatro para estudar os of?cios dom?sticos. Ser atriz n?o era para mo?a 'direita'".
A hora da estrela
Daquela ?poca, Dona Flora lembra-se de um programa infantil de que
participava na R?dio Sociedade Juiz de Fora. "Eu cantava, dan?ava e
sapateava", recorda-se. Logo em seguida, cortaram-lhe as 'asinhas', como ela
mesma diz. "Mas mesmo eu tendo parado com o teatro, continuei a ler
hist?rias rom?nticos, a assistir muitos filmes e o sonho de ser atriz continuava",
conta.
Casada e com oito filhos, Flora mudou-se de Juiz de Fora. Morou no sul e no Rio de Janeiro onde se dedicou a cuidar da fam?lia. De volta ? cidade, a ent?o dona de casa conheceu o programa da Universidade Federal de Juiz de Fora voltado para a Terceira Idade que, entre outros cursos, oferecia a oficina de teatro e interpreta??o. "Foi quando eu pensei: 'eu j? fiz de tudo que era a minha obriga??o, agora eu vou investir em mim e fazer s? o que eu gosto'".
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Foi assim que quase aos 70 anos ela entrou para a segunda turma para a Terceira Idade do Grupo Divulga??o. Desde ent?o n?o abandonou mais o palco. "Quando eu decidi recome?ar, eu pensei, 'agora eu vou conseguir realizar meu sonho'", fala. Flora relata que o apoio do diretor do grupo, o professor Jos? Luiz Ribeiro, foi fundamental. "Ele me incentivava por causa dessa minha vontade. Eu n?o estava l? s? para ter o que fazer, porque eu j? tenho muito o que fazer em casa. Eu pinto cortes de seda, fa?o arranjo de flores, sabote, trufa, cestas...".
Mil e uma utilidades
Da? em diante, al?m do teatro, Flora matriculou-se em cursos variados que a
UFJF oferecia, cursou disciplinas isoladas tamb?m na universidade, contando
sempre com o apoio da fam?lia. S? de pe?as que tem no curriculum s?o sete.
Veja aqui.
Al?m do teatro, a atriz tamb?m participou de curtas produzidos em Juiz de
Fora, entre eles, Sobre a Sombra dos Anjos, de Rog?rio Terra e
Cal?ad?o,
de Franco Groia. Mas foi em Consci?ncia do
Passado, do
diretor Adriano Medeiros, que Flora mostra todo seu potencial de atriz.
Neste curta, ela encara o papel da protagonista Dona Brasilina. O
filme conta a hist?ria de uma idosa abandonada pela fam?lia e retrata a
realidade da Terceira Idade no Brasil.
Al?m desses trabalhos, Flora ? reconhecida na rua por ter atuado em algumas propagandas locais. A atriz tamb?m participou da ?ltima campanha pol?tica para a Prefeitura de Juiz de Fora. Mas emo??o maior n?o h? do que estar no palco atuando. "? um sentimento muito estranho, uma mistura de medo com emo??o e satisfa??o", esclarece a musa da Terceira Idade, eleita pelo pr?prio grupo e pelo professor Jos? Luiz Ribeiro que, recentemente, no programa Sem Censura da jornalista juizforana Leda Nagle, mostrou uma foto da atriz, elogiando-a em rede nacional.
Querer, poder e conseguir
O segredo da felicidade que conserva e irradia, Flora diz que aprendeu com o
pai. "Uma vez ele me disse uma coisa que me marcou para sempre. Ele falou
assim: 'Minha filha, o semblante ? do pr?ximo, por isso voc? tem que estar
sempre sorrindo, mas o cora??o ? seu e, com ele, voc? pode chorar'".
Casada h? 56 anos, com dez netos e um bisneto, a "terceira idade" d? lugar ao vigor e ? disposi??o na vida de Flora. "A velhice ? um h?bito que as pessoas ocupadas n?o t?m tempo de adquirir".
ao curta-metragem
Consci?ncia do Passado,
de Adriano Medeiros


