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    Caio Caravelli Há 30 anos, ele se dedica à arte de produzir instrumentos musicais numa profissão pouco conhecida em Juiz de Fora

    Renato Costa
    Colaboração*
    13/12/2006

    Veja a galeria de fotos com os instrumentos produzidos pelo Luthier Caio Caravelli, clique no ícone ao lado



    Foto do Caio trabalhando Um apaixonado pelo que faz. Caio Caravelli fabrica e restaura instrumentos há mais de 30 anos, em um ramo pouco conhecido fora do meio musical: a lutheria, ou a arte de construir instrumentos.

    Por volta de 1976, então residindo em Belo Horizonte, Caio já tinha muito interesse por trabalhos manuais. "Trabalhava com programação em uma montadora, mas chegava em casa e sempre ia fabricar algo em madeira", conta. A lutheria surgiu com Walter Sanni, um dos mestres na arte, com quem aprendeu a fabricar o primeiro instrumento, uma guitarra Telecaster. Hoje, ele fabrica qualquer instrumento de corda. "Só não faço piano e sino", brinca.


    Caio trabalhando Caio trabalhando Caio trabalhando

    Clientela especial
    Foto do Caio com Almir Sater Há dez anos em Juiz de Fora, Caio possui uma clientela de alto gabarito. Músicos renomados como os contra-baixistas Dudu Lima e Berval Moraes, Pedro Luís, Mauro e Alberto Continentino, Roberta Sá, Emerson Nogueira, o bandolinista Paulo Sá e Alexandre Scio fazem parte de sua fiel clientela, que não abre mão de ter seu instrumento assinado pelo luthier e só permite que ele realize manutenções e restaurações.

    Em sua casa, onde Caio recebeu a equipe da ACESSA.com para uma entrevista, existem quadros com fotografias de músicos famosos que não dispensam os serviços do luthier, como Almir Sater, que que encomendou de Caravelli uma viola de 10 cordas.

    Foto do Caio trabalhando
    Curiosidades

    Um instrumento personalizado demora de seis meses a um ano para ficar pronto, mas o resultado é completamente diferente se comparado a um fabricado em série. Segundo Caio, "o instrumento feito sob encomenda é uma junção da necessidade do músico com a técnica do luthier. Por isso, ele é totalmente personalizado, não existe igual. Os instrumentos feitos em larga escala seguem um só padrão, por isso não atendem totalmente à expectativa do músico", conta.

    Caio ressalta que existem instrumentos bons que são fabricados em larga escala, mas em muitas situações o músico acaba buscando um semelhante, que possa adaptá-lo às suas preferências. "Cada músico tem um estilo próprio, por isso ele prefere um instrumento que tenha as características que ele quer", diz.

    O luthier compara seu trabalho ao de um alfaiate. "Ele não ajusta a roupa às suas medidas? Eu faço isso com violoncelos, bandolins, e outros instrumentos", diz. Quanto ao resultado, Caio explica que não existe uma fórmula mágica para chegar ao som perfeito. "Existem técnicas para adequar o timbre do instrumento, como a escolha da madeira, por exemplo. Mas, às vezes, acontece do músico que encomendou o instrumento não agradar do som, mas outra pessoa ficar maravilhada", ressalta.

    Em Juiz de Fora, não existem escolas de lutheria e, segundo Caio, os livros didáticos são todos em inglês. Existem oficinas de formação no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

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