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    Cacique Severino Banda traz a ironia sarcástica em suas composições


    Chico Brinati
    Repórter
    23/08/2005
    Cacique Severino Zulu Goldstein Lonely Hearts Club Band. O que se esperar de uma banda com esse nome? Para ser objetivo o Cacique Severino (como é carinhosamente chamado) trata-se do deboche personalizado numa banda. Para uns, é uma "ironia genial", para outros, "a piada que deu certo". A verdade é que os meninos do Cacique conseguiram misturar o sarcasmo boêmio ao bom e velho rock'n roll, com uma pitada de samba.

    Formada por Pedrim da Babilônia (vocal), Alexandre (vocal e violão), Filipi Werneck (guitarra), Bruno Falabella (baixo) e Ricardim Coimbra (bateria), o quinteto já marcou presença em festas de faculdades, raves e bares alternativos da cidade. Sempre levando ao público o ácido de suas ironias musicadas.

    O início
    Para contar a história da banda, Pedrim mantém o estilo debochado e prefere fazer uma fábula. "Tudo começou quando um judeu chamado Goldstein, dono de uma loja de esfirras na avenida Getúlio Vargas, resolveu montar uma banda. Aí apareceu o Severino, retirante nordestino, vítima da seca do sertão. Goldstein prometeu a ele um salário em empadas. O Zulu veio logo depois, por causa do sistema de cotas para negros. Mas logo viram que faltava algo para incendiar os shows. Então convocaram o Cacique, um índio gay que tinha o poder de incendiar as guitarras e inflamar as apresentações. Para completar, veio um guitarrista (sem nome) que tocava em troca de um salário com carteira assinada e direito a 13º", relata.

    O que se pode tirar de real dessa história é que a banda foi formada de improviso, assim como as primeiras composições. Idealizado por um ex-integrante, Pablo Peixoto (com a guitarra na foto ao lado), o Cacique teve início quando alguns amigos, estudantes de comunicação social, começaram a debochar uns dos outros em forma de música. Viram, então, que as músicas eram, como dizem, uma "ironia inteligente". A partir daquele momento, eles resolveram fazer um "pacto de não agressão". No início do ano passado, já com a nova formação, começaram a compor músicas irônicas sobre fatos que envolviam "personalidades da cidade" ou situações do cotidiano.

    "O Cacique vem, desde os tempos da faculdade, debochando das pessoas. No ano passado, as nossas composições ganharam uma universalidade maior, com temas comuns na sociedade brasileira, deixou de ser uma piada interna", diz Ricardim.

    "Rock'n roll brejeiro"
    As letras, compostas por todos os integrantes, seguem sempre a linha do rock'n roll irônico com a intenção, segundo eles, de transgredir o cenário musical contemporâneo de Juiz de Fora. "O genial do Cacique, para mim, são as letras. A princípio, elas seriam só de deboche, mas se você reparar bem, tem algo lírico e bom por trás. São músicas de qualidade", comenta Ricardim.

    "Fazemos um 'rock'n roll brejeiro', onde nossas grandes influências são os Beatles e Roy Orbinson", completa Pedrim (foto acima à direita). Bruno vai além: "Tem muita influência de música brasileira também e até mesmo do povo celta".

    A exceção de Pedrim e Alexandre (foto à esquerda), todos os outros integrantes tocam ou já tocaram em bandas conhecidas no "circuito alternativo" da cidade. No entanto, eles dizem que o estilo musical do grupo não foi planejado. "Não nos espelhamos em nenhuma outra banda, o que a gente toca é algo espontâneo... A gente não planeja nossa imagem", diz Ricardim.


    Podia ser pior
    O quinteto já gravou um cd demo com o hit "Podia ser pior" (provável nome do primeiro cd da banda) e uma fita demo com "umas 20 músicas", segundo Pedrim. "Agora, estamos sondando a indústria fonográfica para divulgar nosso trabalho", completa. A música de trabalho, "Podia ser pior", é uma composição tragicômica, em que o refrão resume todo o sarcasmo em relação às tragédias dos outros: "Podia ser pior, podia ser comigo". Outro "sucesso" do grupo é "How are you?", onde a crítica ao culto às letras em inglês é visível.

    Recentemente, o vocalista Pedrim mudou-se para Santos, no litoral paulista, mas eles garantem que o Cacique continua. "A gente vai manter o grupo, já estamos fazendo novas composições", garante Pedrim. Ele pretende continuar vindo à Juiz de Fora, pois ainda mantém projetos na cidade como um fanzine de quadrinhos.

    O grupo, porém, prefere manter um certo mistério sobre o futuro da banda. O que se sabe é que devem gravar um cd demo nos próximos dias, além de estarem negociando o lançamento de algumas músicas num site de uma gravadora.

    Para os fãs, resta torcer para que a banda continue a ironizar, fazendo com que as "tragédias" do cotidiano fiquem mais leves, mais engraçadas. "O Cacique é o divã onde a gente descarrega todas as nossas frustrações amorosas, todos os problemas do cotidiano em forma de música... É mais que uma bagunça, é uma bagunça bem feita. Resumindo: é zoar fazendo uma música de qualidade com uma letra legal", conclui Ricardim (foto à esquerda).




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