• Assinantes
  • Autenticação
  • Cultura

    Eles fazem tributos! Na infinidade de sons e estilos da música brasileira, eles
    escolheram apenas um nome para cantar, recriar e homenagear

    Fernanda Leonel
    Repórter
    07/06/2006


    Discutir música é quase como discutir futebol ou religião. Tem gente que gosta de uma coisa que o outro simplesmente odeia. Tem gente que anda quilômetros para curtir um show que qualquer outro pagaria para não ver. Na arte dos sons é assim mesmo. Personalidade parece fazer barulho.

    Há os ecléticos e os que se fecham há apenas um estilo. Há os que escutam de tudo só para conhecer e os que de longe rejeitam alguns nomes. Coisas da vida e dos bastidores musicais de qualquer cidade, entre elas Juiz de Fora.

    No entanto existem algumas coisas pré-definidas. Bandas em geral tendem a seguir um estilo musical único, até mesmo para criar uma identidade e fidelizar um público exato para seus shows. Quem não faz isso, se transforma no que se convencionou chamar de "bandas bailes", que geralmente fazem seu som em festas de casamento, aniversário ou formatura.

    Há também as bandas que resolveram compor e investir nas suas criações e as que reproduzem músicas dos outros. Muitas possibilidades, todas a escolha de quem vai ouvir.

    No entanto, um "movimento" parece sempre estar presente na vida musical de qualquer banda, independente do ritmo escolhido ou da proposta de trabalho: em algum momento da carreira muita gente resolveu investir em um tributo para fazer sua homenagem à outra banda ou artista.

    Em Juiz de Fora a história não é diferente. Muitas são as bandas que fazem ou fizeram tributos ao longo da sua jornada. Nanda Cavalcante, Dutty Botty, Thiago Miranda, Los Kactus, Paulinho Jones, Josy Oliveira. Todos esses e certamente muitos outros, entraram na obra de um cantor ou compositor que gostavam e reproduziram à seu modo o jeito do escolhido de fazer música.

    Alguns deles, como que por obra do destino. A banda Los Kactus (foto), por exemplo, que desenvolve o Tributo à Legião Urbana sempre teve "pistas" que deveria em algum momento se dedicar às interpretações das músicas de Renato Russo.

    A famosa banda de rock dos anos 80 era a influência musical da maioria dos componentes da banda, antes mesmo que eles um dia imaginassem que iam trabalhar pela noite juntos. Os meninos do bairro Santa Luzia, que um dia se descobriram pela vizinhança e resolveram fazer um som, já curtiam isoladamente a voz grave de Renato Russo.

    Além da influência unânime, como mesmo classifica o guitarrista da banda, Pércio Granato, havia também a questão da identidade vocal do vocalista da banda de Juiz de Fora com a de Brasília. Edmar Lima, tem um timbre muito parecido com o de Renato Russo. O que acabou facilitando a transformação do sonho do grupo em realidade.

    A banda conta que no começo, as músicas da Legião faziam apenas parte do repertório, "apesar de ocuparem um percentual considerável da listagem de músicas que eles apresentavam". Depois veio a idéia da montagem do show especial. "O pessoal gostava, achava que ficava bom. A gente acreditou e resolvemos investir nesse projeto", explicou Pércio.

    Hoje, com o show consolidado e com agenda já acertada tanto para o show "normal" da Los Kactus quanto para o tributo, eles comemoram. Homenagearam a banda que gostavam, criaram em cima das músicas da banda de rock, aprenderam musicalmente e ainda ganharam uma "estratégia de marketing", como brincou o guitarrista da banda.

    Para Pércio, com dois projetos de shows diferentes na manga, a banda pode trabalhar mais, já que as pessoas que frequentam as casas de shows correm menos risco de "enjoar" do som que estão ouvindo. Além do mais, com os dois repertórios diferentes disponíveis, eles podem viajar para uma cidade e sem ter que viajar de volta, apresentar dois shows diferentes na mesma casa.

    Paradoxal

    Mas se o pessoal da banda Los Kactus desenvolveu a idéia do tributo por sempre admirar o trabalho do artista, o cantor Thiago Miranda (foto) tem uma história para contar completamente diferente.

    Um dos shows mais conhecidos e apresentados pelo cantor, é o Thiago Miranda interpreta Chico Buarque, um tributo à esse grande nome da MPB brasileira.

    Thiago não gostava de Chico Buarque de jeito nenhum. Conta que ainda enquanto estudante do Pró- Música foi obrigado pelo professor a levar um CD do compositor para casa para ouvir algumas coisas:"você não quer aprender a tocar violão? Tem que aprender a tocar Chico para ser completo", brincava o professor de Thiago, Marcelo Gonçalves.

    Parece brincadeira, mas não é. Thiago conta que levou o disco para casa e que não conseguiu ouvir nem uma faixa. "Não conseguia ouvir aquela voz dele", afirma. Insistências e insistências depois, resolveu montar um show desafio: cantar o que admirava do compositor, transformando o que não gostava da interpretação vocal do tropicalista.

    Thiago que hoje aprendeu a admirar o trabalho de Chico, diz que o tributo serviu como desafio, crescimento e aprendizado. Para ele, o que há de mais importante na hora de homenagear o músico que se interpreta é a nova "roupagem" que se vai dar para as músicas. Ele acredita que é preciso criar identidades para as músicas dos outros, para que tudo não se configure como mera repetição. "Interpretar é cantar diferente", resume o juizforano.

    Ele conta que seu próprio homenageado, Chico Buarque, diz que as músicas não pertencem á ninguém e que é muito importante o trabalho de reconhecimento e invenção por parte de um artista qualquer sob a obra de alguém.

    Como primeira preocupação para quem pretende desenvolver um trabalho de tributo, Thiago coloca algo que poderia ser resumido como "estar engajado à causa". Para o artista é muito importante que a banda que vai fazer o tributo tenha conhecimento ou esteja disposta a estudar um pouco da música que se pretende defender.

    "Há necessidade da identificação, da vontade e sobretudo do conhecimento de causa para se fazer um tributo", comentou o cantor. Para ele, fazer tributo não é escolher um artista que dê ibope para a banda ou que vá ajudá-la a se promover.

    Pela primeira vez
    Josy Oliveira acaba de entrar para o mundo dos tributos. No mês de junho, ela estréia o show Tributo à Marisa Monte em diversas casas noturnas e bares da cidade.

    A cantora afirma que escolheu Marisa Monte porque a versatilidade de sons e estilos explorados pela cantora de MPB expressa a diversidade de música no Brasil. Para Josy, a própria Marisa simboliza na diversidade do seu repertório, a riqueza da música do nosso país.

    A escolha da lista de músicas para apresentação parece ter sido difícil. Na infinidade dos mais de 10 álbuns consagrados da cantora, Josy teve que escolher apenas algumas canções. "Decidi misturar um pouco do que era muito conhecido, com músicas que gosto mais, que são menos comerciais", revelou a cantora.

    Nessa primeira vivência com shows tributos, a expectativa é muito grande. Da experiência mais que eclética de tocar em barzinhos que Josy está vivendo enquanto ela se prepara para finalizar o primeiro CD, cai direto na unicidade de uma só cantora que a homenagem pede. Josy se compromete em comentar em breve a experiência.

    Leia também!

  • Conheça o trabalho de Thiago Miranda
  • Conheça o trabalho de Josy Oliveira
  • Conheça o trabalho da banda Los Kactus

    Conheça nossos planos e serviços

    (32) 2101-2000

    A melhor internet está aqui!

    Conteúdo Recomendado

    Envie Sua Notícia

    Se você possui sugestões de pauta, flagrou algum fato curioso ou irregular, envie-nos um WhatsApp

    +55 32 99915-7720

    Comentários

    Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.