SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério Público Federal em São Paulo abriu um canal para receber denúncias de possíveis vítimas da influenciadora Katiuscia Torres Soares, 34, conhecida como Kat Torres ou Kat A Luz, que foi presa preventivamente no Brasil sob suspeita de manter pessoas em condições análogas à escravidão nos Estados Unidos. O caso está em segredo de Justiça.

A Procuradoria está colhendo depoimentos de vítimas de forma sigilosa, por meio de videoconferência, de forma totalmente virtual.

Kat Torres ainda não apresentou advogado, de acordo com a Justiça.

"Qualquer pessoa que tenha sofrido danos pelas condutas da ex-modelo, já amplamente noticiadas na imprensa, pode procurar o MPF para formalizar seu relato, com a garantia de preservação de sua identidade e sem necessidade de comparecer a uma unidade da instituição", informa o órgão.

Não é necessária a assistência de advogados. Basta acessar o "MPF Serviços" https://www.mpf.mp.br/mpfservicos e, na área "Protocolar", clicar em "Representação inicial (denúncia)". Na página seguinte, o usuário deverá preencher o formulário com a descrição dos fatos.

Segundo a Procuradoria, Kat Torres é investigada sob suspeita de tráfico de pessoas e redução a condição análoga à escravidão.

A prisão preventiva (sem prazo) foi pedida pelo órgão e contou com a cooperação da Polícia Federal e da Interpol. A influencer estava detida nos Estados Unidos desde o dia 2 de novembro, no estado do Maine, por viver ilegalmente no país.

A Justiça Federal confirmou que a prisão no Brasil ocorreu na última sexta (18).

Kat Torres é influenciadora digital e dizia ser guru espiritual. Ela começou a ser investigada depois que parentes e amigos passaram a procurar uma jovem que foi levada para os Estados Unidos para morar com ela. A suposta vítima deletou as redes sociais e aplicativos de mensagens e interrompeu todo contato com a família.

O caso originou um boletim de ocorrência por suspeita de tráfico humano e uma campanha nas redes. Outros relatos semelhantes foram divulgados em uma página na internet e reunidos pela advogada Gladys Pacheco, que representa cerca de 15 pessoas que se apresentam como vítimas de Kat Torres, inclusive a jovem procurada pela família.