SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania do governo Lula (PT) divulgou nota nesta quarta-feira (25) responsabilizando as gestões anteriores da pasta por propagarem informações falsas e se omitirem diante dos relatos de mortes, desnutrição e más condições de saúde que afetam os yanomami em Roraima e no Amazonas.

"É inadmissível que, em meio a tanto sofrimento, o povo yanomami tenha ainda que suportar o desrespeito de membros do governo anterior que, para apagar suas digitais e escapar de suas responsabilidades, propagam informações falsas e omitem fatos relevantes", diz a nota, assinada pelo ministério.

A pasta hoje é comandada pelo ministro Silvio Almeida, que sucedeu as ministras Damares Alves e Cristina Britto.

De acordo com o ministério, a gestão anterior, do presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu diversas denúncias, entre 2019 e 2022, sobre violações de direitos dos povos indígenas, mas não tomou providências.

"O que poderia aos incautos soar como incompetência ou um inconcebível desprezo pelos indígenas ganha contornos que exigem uma investigação mais detida por parte das autoridades responsáveis", afirma a nota.

Como exemplo, menciona que em julho de 2020 o ministério foi instado a se manifestar sobre projeto que determinava medidas urgentes de apoio aos povos indígenas em razão da Covid-19. À época, a pasta opinou de forma desfavorável ao projeto, alegando que os pontos ali contemplados já estavam em curso.

Membros do governo Lula têm classificado as mortes dos yanomami como um genocídio.

"Mesmo diante de tamanha calamidade, o governo brasileiro sob a gestão anterior vergonhosamente negou a gravidade dos fatos e fechou os olhos para a tragédia que já se anunciava e que agora causa tamanha consternação", prossegue a nota.

O atual ministério declara ainda que o governo Bolsonaro afirma "perversamente" que a causa para as mortes, desnutrição e doenças foi a "política de isolamento" dos indígenas.

"Discursos falsos e delirantes serão veementemente combatidos. [...] Não vamos permitir que o ódio, a desinformação e o fundamentalismo ideológico ceifem vidas brasileiras", diz a pasta.