SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cidade de Ilhabela, no litoral paulista, vai ganhar uma usina dessalinizadora que promete melhorar o abastecimento de água potável, hoje um dos problemas do município. O anúncio do início das obras foi feito nesta terça-feira (9) pela Sabesp, companhia de saneamento do estado. Será a terceira usina que trata a água do mar para consumo humano no país.
Segundo a Sabesp, a previsão de entrega da obra é de três anos. O projeto contará com investimento de R$ 56,4 milhões da Sabesp, recentemente privatizada pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Atualmente, a empresa faz a captação em um ponto do Ribeirão Água Branca onde a água ainda é doce. Com o novo sistema, a empresa também vai retirar água em um trecho mais próximo do encontro do rio com o mar, o que torna necessário o processo de dessalinização.
Nesse ponto, a água é salobra -meio-termo entre doce e salgada, mas ainda inadequada para consumo humano-, porque há um ponto de intersecção do mar com a bacia de água doce que banha o Ribeirão.
A nova usina deve beneficiar moradores e visitantes de diversos bairros da ilha, como Piuva, Barra Velha, Ponta das Canas e Green Park, Reino, entre outros.
Na época de férias, é comum que partes de Ilhabela fiquem sem abastecimento, tanto pela força das chuvas de verão que afetam a captação de água das cachoeiras como pela demanda de turistas. A cidade abriga 35 mil pessoas, número que chega a triplicar na alta temporada.
Para remover o sal e outras impurezas da água salgada ou salobra (com menos concentração de sal) e torná-la apropriada ao consumo, a companhia diz que utilizará tecnologia "baseada na chamada osmose reversa", que consiste na aplicação de alta pressão que força a água a atravessar "membranas semipermeáveis" que retêm os sais dissolvidos.
A usina produzirá até 20 litros de água potável por segundo, segundo a Sabesp, um aumento em 20% da oferta de abastecimento da cidade.
Segundo dados do Instituto Água e Saneamento, 69,96% da população da ilha é atendida por serviços de abastecimento, enquanto a média do estado é de 96,6%.
O arquipélago de Fernando de Noronha (PE) também conta com uma usina de dessalinização, um projeto iniciado há 20 anos que passou por retrofit em 2021 para reduzir a frequência de racionamento de água. Os novos equipamentos têm capacidade de produzir 20 litros de água potável por segundo, com investimento de R$ 22 milhões do governo estadual e da Compesa, companhia de saneamento de Pernambuco.
A outra usina do país ficará no Ceará. A Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) está construindo o que será o maior projeto dessalinizador da América Latina, com capacidade para produzir mil litros de água por segundo.