SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O candidato a governador ACM Neto (União Brasil) enfrenta desgaste na campanha ao Governador da Bahia após se autodeclarar pardo em seu registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O ex-prefeito de Salvador já havia se declarado pardo na eleição para a Prefeitura de Salvador em 2016, primeira eleição que ele disputou na qual o registro racial se tornou obrigatório.

Este ano, contudo, a declaração foi questionada pelos adversários e ganhou repercussão na semana passada após uma entrevista do candidato à TV Bahia, quando foi confrontado sobre o tema.

Na entrevista, o ex-prefeito de Salvador questionou os critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que considera pardos e pretos como negros. Disse se considerar pardo, mas não negro.

"Eu me considero pardo. Você pode me colocar ao lado de uma pessoa branca, há uma diferença bem grande. Negro, não. Não diria isso, jamais", afirmou na entrevista à TV Bahia.

O tema ganhou as redes sociais e impulsionou memes, vídeos e paródias ironizando a declaração racial do ex-prefeito de Salvador. E também foi explorado politicamente pelos adversários.

"ACM Neto insistir em se declarar pardo é o maior escândalo da eleição no Brasil", afirmou o presidente estadual o PT, Éden Valadares.

A candidata a vice-governadora Ana Coelho (Republicanos) também havia se autodeclarado parda, mas na última semana fez uma retificação junto à Justiça Eleitoral e se disse branca.

Em entrevista a veículos de imprensa da Bahia, ACM Neto defendeu sua declaração racial como pardo.

Também destacou adversários que se declararam pardos na eleição de 2022, caso do candidato a vice-governador Geraldo Júnior (MDB) e a deputada federal Alice Portugal (PC do B), além do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018.