SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio à tensão eleitoral, que incluiu agressão a um pesquisador do Datafolha, servidores do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pediram nesta quarta-feira (21) a Alexandre de Moraes, presidente da Corte, um esquema de segurança específico para quem trabalha nas zonas eleitorais.

A zona eleitoral é a região gerenciada por um cartório eleitoral que centraliza e coordena os eleitores ali domiciliados. Ela é muitas vezes confundida com a seção eleitoral, que é o local onde as pessoas vão votar.

Os funcionários das zonas eleitorais são responsáveis pelo atendimento a eleitores e candidatos, pela requisição de locais de votação, pela preparação das urnas, entre outras atividades. A Justiça eleitoral conta com 22 mil servidores, a maioria deles em zonas eleitorais.

Segundo a Fenajufe, que representa os trabalhadores, Moraes disse que está sendo criado um plano de proteção das zonas eleitorais.

"Não temos identificado nenhum reforço na segurança das zonas eleitorais, que é onde a eleição acontece de verdade. Nos TREs, o esforço já é visível. Na nossa visão, o lugar mais frágil hoje é a zona eleitoral", diz Fernanda Lauria, coordenadora da Fenajufe que participou da reunião.

"A gente fica preocupado com o que pode acontecer, fica pensando no servidor transmitindo os votos, a confirmação do que dizem as pesquisas e os eleitores do Jair Bolsonaro (PL) revoltados. As zonas eleitorais são o próprio TRE (Tribunal Regional Eleitoral) nos municípios do interior", completa.

Ela diz que relatou a Moraes que os servidores estão com muito medo, que muitos deles não querem trabalhar com identificação e que eles não têm conhecimento da elaboração de qualquer estratégia de segurança voltada a eles nas zonas eleitorais.

Segundo Fernanda, o ministro disse que pedirá aos TREs que seja realizada a comunicação dos planos de proteção para os servidores. Ele ainda compartilhou que vê o dia seguinte como mais preocupante que o dia da própria eleição.

"Nunca vivemos isso. Entre os diretores da Fenajufe, temos gente com 15 anos, 38 anos de justiça eleitoral, e eles relatam que nunca viveram uma eleição como essa se desenha. A gente achou a reunião positiva, o ministro mostrou que já tinha uma preocupação e uma discussão a respeito da segurança dos servidores", conclui a coordenadora da Fenajufe.