LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - O pedido de anulação de votos protocolado pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, não deve prosperar, na avaliação do vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos). Na terça-feira (22), a legenda pediu, sem provas, a invalidação de mais de 279,3 mil urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno.

"Eu julgo que não vai prosperar. Essa é uma questão que nós teremos de resolver a diante", afirmou o senador eleito, que voltou, no entanto, a criticar o processo eleitoral brasileiro.

"Há uma parcela da nossa sociedade que considera que o nosso processo [eleitoral] tem problemas. Eu, de minha parte, vejo que nós precisamos dar mais transparência a esse processo. Não bastam, pura e simplesmente, respostas lacônicas do nosso Tribunal Superior Eleitoral no sentido de contestar eventuais denúncias ou denúncias ou argumentações", disse durante viagem oficial a Portugal.

Ainda que as manifestações que contestam o reconhecimento das eleições peçam uma intervenção das Forças Armadas no Brasil, Mourão criticou o uso da palavra golpista para se referir aos atos, que ele classificou como "catarse coletiva".

"As manifestações não são golpistas. Isso é uma coisa que vocês da imprensa estão colocando", disse. "É uma manifestação de gente que não se conformou com o processo, que considera que o processo é viciado. Essas pessoas não estão na rua de forma desordeira. Estão num processo de, digamos, catarse coletiva, no sentido de aceitar algo que eles consideram que não foi correto."

Questionado se, passadas mais de três semanas das eleições, não era o momento de finalizar os atos, Mourão disse ver o movimento "diminuindo pouco a pouco", como todo movimento que se prolonga.

"Mas tem de se ficar claro que existe uma parcela imensa da população brasileira que se sente frustrada com esse resultado. A gente tem de entender isso", pontuou.

Mourão voltou a repetir que não pretende passar a faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1º de janeiro, diante da possibilidade de Bolsonaro não participar da cerimônia de posse.

"Na minha visão, o presidente deveria passar a faixa, porque é uma questão de presidente para presidente, independente do processo, independente de se gostar ou não da pessoa. É uma questão institucional. Eu não sou presidente. Se por acaso o presidente renunciasse ao cargo e eu me tornasse o presidente, eu teria essa responsabilidade. Hoje, eu não tenho."

As declarações foram dadas na sede da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), em Lisboa, no último compromisso da viagem oficial de Mourão a Portugal, país que ele não havia visitado ao longo de seus quase quatro anos como vice-presidente.

Bolsonaro, por sua vez, não fez nenhuma viagem oficial a Portugal ou qualquer outro país da CPLP como presidente do Brasil.