SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para a deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC), integrante da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, a proximidade do novo comandante do Exército, Tomás Ribeiro Paiva, com o ex-comandante Eduardo Villas Bôas é uma verdadeira escola de como lidar com momentos de crise.

O general Tomás chegou a ser cotado para assumir o comando logo no início do governo, mas o ministro da Defesa, José Múcio, preferiu adotar o critério de antiguidade.

Na época, já havia críticas a essa proximidade. Tomás foi chefe de gabinete do ex-comandante é atribuído a ele a publicação do tuíte no qual o então comandante intimidava o Supremo a não conceder o habeas corpus que evitaria 580 dias de cadeia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2018.

"O general Tomás tem uma experiência de lidar com tensões. O período em que trabalhou com o Villas Bôas foi uma verdadeira escola. Ele mostrou nesses anos depois que tem experiência acumulada para lidar com momentos como esse", avalia.

Ela acrescenta que o fato de ter trabalhado tanto com o ex-comandante, quanto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ?de quem foi ajudante de ordens? dá ao general a capacidade de transitar entre diferentes grupos, habilidade necessária para a reconstrução de pontes neste momento.

Entre generais da reserva ouvidos pelo Painel há a percepção de que a troca pode ter sido precipitada, e que Lula poderia ter aguardado para evitar esticar a corda com o Exército. Mas mesmo entre esses críticos, a avaliação é de que o ex-comandante Júlio César de Arruda poderia ter permitido a entrada da PM (Polícia Militar) no quartel no dia 8 de janeiro para desmobilizar o acampamento.

Há a percepção também de que faltou jogo de cintura político para, ao menos, retardar a nomeação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para comandar o 1? Batalhão de Ações de Comando, em Goiânia, como revelou a Folha.