SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal Zeca Dirceu (PR), que assumirá a liderança da bancada do PT na Câmara em fevereiro, criticou a atitude do partido em eleições recentes para a presidência da Casa e defendeu que a legenda troque a postura de "luta política" pelo pragmatismo da ocupação de cargos na mesa diretora.

"O PT errou muito ao longo dos últimos tempos, porque, com uma ou outra exceção, na maior parte das vezes, quis fazer luta política e abriu mão de ocupar os espaços que, proporcionalmente, cabem ao PT. Agora, nós estamos fazendo diferente", afirmou em entrevista à revista Focus, publicada pela Perseu Abramo, a fundação partidária do PT.

Zeca, que endossa o apoio à reeleição de Arthur Lira (PP-AL), disse que a disputa na Câmara "não é o momento de 'sair bem na foto'" e "tentar criar um enfrentamento para daí ter uma notícia positiva por uma semana no jornal". Para ele, a prioridade é mirar espaços de poder que terão impacto por dois anos.

"Todos sabem o quanto que o Arthur Lira acumulou poder e força diante até das fragilidades e da omissão do governo anterior. Ele coordenou grande parte da execução do orçamento do país e já tem votos suficientes independentemente da bancada do PT para se eleger presidente", comentou.

O filho do ex-ministro José Dirceu (PT) criticou ainda Deltan Dallagnol (Podemos-PR), seu futuro colega de Parlamento. Para o petista, o ex-procurador não vai conseguir se estabelecer na Casa por ser prepotente e não ter humildade para negociar. "Eu acho que ele não tem os predicados e é muito mal visto. Não consegui achar ainda um deputado, uma deputada, que tenha um mínimo de simpatia por ele."

O líder do PT disse que o perfil de Deltan é parecido com o do futuro senador Sergio Moro (União Brasil-PR), a quem chamou de "juiz ladrão". Para Zeca, "esse povo não vai ter vida fácil, não".

Na entrevista, sobrou também para governantes de estados e municípios que contestam o reajuste salarial dos professores de escolas públicas, anunciado pelo MEC (Ministério da Educação). A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) diz que o ato foi ilegal.

Zeca disse que é preciso ajudar os entes "que realmente não têm condição financeira" a honrarem o piso nacional do magistério, mas que esse não seria o caso de todos.

"O que a gente tem visto ao longo dos últimos anos são municípios que ampliaram e muito a sua arrecadação, são estados que ampliaram e muito a sua arrecadação e mentem. Mentem descaradamente dizendo que não têm dinheiro para pagar o piso dos professores", afirmou.