SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pastor Silas Malafaia acusou a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, de deturpar uma fala dele sobre mulheres evangélicas e disse que "essa gente do PT tem o demônio da mentira".
O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo reagiu a declarações que Janja deu no 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, na segunda (8). A socióloga disse ali que ele teve "a cara de pau de ir em uma rede social e falou que eu estava conversando com mulheres insignificantes".
A faísca reacendeu um confronto que remonta a agosto do ano passado, quando Janja se reuniu com fiéis da Igreja Coletivação em Ceilândia (DF), terra natal da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
"Insignificante é ele, porque toda mulher para mim é importante. Não importa se eu fiz uma reunião com duas, com três, com 200, com mil. O que importa é que eu conversei, o que importa é que eu ouvi", disse Janja quase um ano depois daquele encontro.
Na ocasião, Malafaia ironizou a reunião na igreja de Ceilândia, "arrumada com gente que não tem nenhum pingo de expressão no mundo evangélico, nenhuma mulher de expressão no mundo evangélico". O site Metrópoles registrou sua reação na época. "Eu conheço quem é quem no mundo evangélico. Não tem uma, uma de centenas de mulheres de expressão do mundo evangélico."
Malafaia afirmou à Folha de S.Paulo nesta terça (9) que a primeira-dama distorceu propositalmente falas antigas para criar um fato político. "Essa gente do PT tem o demônio da mentira. Eu disse que ela estava fazendo reunião com mulheres que não tinham expressão, isto é, que não tinham liderança."
Há uma "diferença monumental", segundo o pastor, entre "mulheres sem expressão" e "insignificantes". "Uma mulher pode não ter expressão na sociedade, mas ser extremamente significante para sua casa, sua família e sua igreja. Eles deturpam para denegrir."
Malafaia também retrucou o ataque de Janja, usando a lógica da relevância política para rebater o rótulo de "insignificante", e a recusa da primeira-dama em chamá-lo pelo título de pastor.
"Se eu sou insignificante, por que ela está me citando? Eu sou pastor de verdade, real, de mais de 200 mil membros. O que ela pensa não muda a realidade. É a mesma coisa que eu dizer que não chamo o Lula de presidente. Gostando eu ou não, criticando ou não, ele é o presidente. Isso mostra o nível medíocre dessa gente. Na verdade, eles estão muito preocupados comigo."
O pano de fundo dessa briga é o controle da narrativa sobre as mulheres evangélicas, um grupo demográfico crucial para as pretensões eleitorais da esquerda à direita. Malafaia disse que vai ainda publicar um vídeo sobre Janja em suas redes sociais.