Juiz de Fora - MG

Laerte Braga crê na educação integral aliada à participação popular como forma de mudança

Candidato à prefeitura de JF pelo PCB, o jornalista, ao lado do vice Rubens Ragone, promete dialogar com a sociedade na construção da "cidade camarada"

Nathália Carvalho
Repórter
29/8/2012

Dando continuidade às matérias especiais relacionadas às eleições municipais 2012, as novas rodadas de entrevistas do Portal ACESSA.com estão sendo realizadas com os candidatos à chefia do Executivo. Conforme a ordem alfabética seguida, o entrevistado desta quarta-feira, 29 de agosto, seria o candidato do PSDB e atual prefeito da cidade, Custódio Mattos, mas, por motivo de agenda do candidato, a entrevista foi adiada. Então, seguindo a ordem, o Portal ACESSA.com conversou com o candidato do PCB, partido não coligado, Laerte Braga, 67 anos. Jornalista e redator, Braga trabalhou no Diário Mercantil, Diário da Tarde de Juiz de Fora, Diários Associados e pela agência Meridional. Também atuou como freelancer para revistas e jornais do Brasil e do exterior. Atua, politicamente, desde os 13 anos e já foi candidato a vereador em Juiz de Fora.

As perguntas feitas aos candidatos foram realizadas com base no caderno especial sobre eleições do Portal. Confira abaixo o bate-papo realizado com Braga e com o candidato a vice-prefeito, Rubens Ahyrton Ragone. Assista, ainda, ao vídeo acima gravado como candidato.

ACESSA.com – Qual é a sua proposta para melhorar a questão do transporte para a cidade?

Laerte – Acredito que hoje existe um problema sério relacionado ao transporte que não tange apenas o transporte coletivo. É também a questão do excesso de automóveis andando pelas ruas. O índice de monóxido de carbono emitido pelos veículos é alto, causando um elevado teor de poluição. Temos que encontrar uma solução para o transporte coletivo, para que ele passe a ser o preferido das pessoas, e isso implica em ter um maior número de ônibus e horários. Outro aspecto que destaco é que o PCB acredita que o serviço de transporte coletivo é um direito do cidadão e, portanto, ele precisa ser estatizado, ou seja, oferecido pelo poder público. Isto implica na criação de uma companhia de transporte coletivo, como existe em outros estados do Brasil. Consideramos que não seja possível implantar uma empresa dessa em dois meses, mas talvez em quarto anos conseguiremos vê-la funcionando. E isso significa ter condições de oferecer o transporte coletivo urbano com uma qualidade maior e sem a preocupação de um lucro imenso que a empresa precisa ter. É o que chamamos de estatização gradativa.

ACESSA.com – O que você pensa da implantação de sistema troncalizado? Haveria essa possibilidade?

Laerte – Ele já estaria funcionando se o planejamento tivesse sido bem executado. Tanto é que as empresas de ônibus levaram um susto muito grande porque a implantação dessas estruturas de maior porte devem ser feitas de forma gradativa, e não do dia para noite. Nesses casos, a melhor maneira é ouvir a população, as pessoas que moram nos bairros, que utilizam o transporte, para então definir a melhor forma, para que essa modalidade de transporte coletivo seja implantada.

ACESSA.com – Juiz de Fora conta com projetos para a implantação de ciclovias, principalmente na região Norte. Seria uma solução para o problema do trânsito?

Laerte – As ciclovias são, sim, uma solução para o problema do trânsito e para saúde, mas é uma questão que tem que ser discutida com a população, porque ela só é possível à medida em que você inverte as prioridades do governo. Por exemplo, ao invés de se preocupar em construir viadutos e pontes, medidas necessárias mas que só favorecem a determinados grupos econômicos, é fundamental perceber como a ciclovia é uma solução simples e barata e que pode ser implementada. É importante que se estude e se desenvolva projetos nesse sentido.

ACESSA.com – O que falta para a melhoria da educação na cidade?

Laerte – Na educação falta tudo. O PCB entende que a educação deve ser integral, ou seja, a criança deve ficar na escola oito horas por dia, porque assim ela terá atividades esportivas, de leitura, de lazer e de estudo. Isto seria viável a partir do segundo ano de governo, porque devemos conversar com as autoridades, professores e profissionais da área de educação para então definir o modelo ideal. Isso implica em salários justos ao professor, plano de cargo e carreira e projetos que contemplem o esporte, a leitura e o lazer. Seria uma forma de tirar muitas crianças da rua, da ociosidade. Quando esse modelo é implantado, diminui-se também a violência. A educação integral oferece formação, consciência e enriquece o aluno, fazendo com que ele tenha uma perspectiva de vida muito melhor e ainda garante trabalhos extraescolares, que o ajudarão a desenvolver outras habilidades para além das salas de aula.

ACESSA.com – O baixo salário dos professores e profissionais da educação é apontado como um dos principais problemas. Qual seria uma possível solução para esse impasse?

Laerte - O professor é uma das grandes vítimas desta situação e devemos sentar e discutir com os sindicatos a questão dos salários justos e planos de carga e carreira. Mas aí você pensa na limitação orçamentária. Este é um eufemismo que o capitalismo usa para dizer que vai priorizar os empresários em detrimento da população e do trabalhador. Ao invés de preocupar com a avenida Rio Branco toda decorada, onde arrancam-se árvores que estavam sadias, vamos priorizar os direitos básicos da população. O dever é do poder público e torna-se inimaginável de se terceirizar. Trata-se apenas de vontade política. Através da educação integral, conseguiríamos aos poucos resolver essas questões e valorizar ainda mais o trabalho dos profissionais.

ACESSA.com – Como fazer da cidade um polo integrado de desenvolvimento econômico? Visto que temos, por exemplo, o Expominas, distante e com infraestrutura precária.

Laerte - Juiz de Fora tem características muito peculiares. Em 1910, ela foi denominada a Manchester Mineira porque era uma cidade de referência no país inteiro no quesito industrial. Em determinado momento, isto sumiu e, atualmente, somos uma cidade de comércio e de prestação de serviços. O que sustenta a região é o micro, o pequeno e o médio e não o grande empresário. São eles que pagam os impostos religiosamente, porque não tem vantagens e benefícios e que lutam diariamente, oferecendo empregos. Visto isso, afirmo que não temos a pretensão de buscar grandes empresas para a cidade, até em virtude das crises econômicas pelo mundo. Temos que criar mecanismos de fortalecimento através do cooperativismo, do micro, do pequeno e do médio empresário.

Juiz de Fora tem uma característica de ser uma cidade de turismo de eventos, que se presta para a criação de polos tecnológicos em parceria com empresas, universidades e prefeituras. Desenvolvendo esse tipo de atividade, consegue-se fazer com que haja mais emprego, mais geração de tecnologias e um nível de desenvolvimento satisfatório, porque mudar o perfil da cidade é um processo complicado.

ACESSA.com – Como explorar a possibilidade de crescimento do comércio para além da área central? Temos casos de bairros que desenvolveram essa atividade, como São Mateus, Benfica e Manoel Honório, mas que já registram fechamentos devido à falta de segurança e ao preço elevado dos aluguéis, por exemplo.

Laerte – Gostaria de salientar que esta questão de plano de governo é algo muito complicado e nós acreditamos que ele deve ser constituído a partir do poder popular. Estabelecer, portanto, um diagnóstico e criar um plano para tentar resolver o problema é fundamental. Esses bairros como Benfica e São Mateus passam pelo problema porque são maiores que muitas cidades mineiras. Temos que estudar, juntamente aos comerciantes dos bairros, formas de identificar esses gargalos e solucioná-los de maneira que haja uma garantia de investimento para o trabalhador. É a construção de uma "cidade camarada", onde a solidariedade age como o cimento para escapar da armadilha da globalização, que acaba tornando a cidade uma presa fácil do capitalismo.

ACESSA.com – A saúde é apontada como um dos principais problemas da cidade. Qual é a sua visão a respeito desse segmento?

Laerte – Na saúde, o mal é a terceirização, que é a privatização disfarçada. Quando terceirizamos o serviço público, ele se transforma em empresa que necessita de lucro. Esta margem de lucro deixa de ser investimento num setor básico como é o de saúde. Esta empresa não irá realizar concurso público para os funcionários de saúde. Ela vai sucatear, precarizar o trabalho em função do que ela vai ter de retorno, o que acaba limitando o número de consultas e atendimento. E só o poder público pode fazer isso, através dos concursos públicos que criam estabilidade e garantem responsabilidade para o trabalhador. Vamos estudar junto à população e com os setores envolvidos na mudança, explicando que o sistema não está funcionando porque está terceirizado, e é isso que causa esse caos que estamos vendo hoje.

ACESSA.com – Quais seriam as medidas necessárias para a melhoria da segurança em Juiz de Fora?

Laerte – Novamente, a educação integral é um dos braços para a diminuição da violência. Nela, haverá programas de esclarecimento e combate às drogas. A melhoria das condições de saúde também ajuda na redução da violência. Por outro lado, as cidades brasileiras não têm como característica que as próprias cidades gerem sua segurança, porque aqui isto é realizado pelo governo estadual e federal. É preciso que haja uma integração com esses setores responsáveis pela segurança, e é necessária uma participação maior da Guarda Municipal no processo de inteligência, de vigilância e na coleta de informações. Por exemplo, as praças públicas são fundamentais, local de encontro das famílias e a Guarda Municipal pode perfeitamente vigiar esses locais. A Prefeitura deve continuar criando espaços para que as pessoas se encontrem e eliminando, assim, os pontos de briga de gangues, por exemplo. As rixas de gangues são produto do abandono e da ociosidade. É preciso ter compromisso com o trabalho, com a disciplina e com o direito.

Missão partidária

Professor universitário, Rubens Ahyrton Ragone, 42 anos, é formado em análise de sistema e mestre em administração pública com gestão de informação. Em sua primeira candidatura política, Ragone crê nas propostas de mudança do PCB baseadas na participação popular e implementação gradativa do modelo em Juiz de Fora. Ele, que já foi diretor da União Brasileira de Estudantes (Ubes), sempre atuou junto aos movimentos sociais e acredita que sua candidatura faça parte de uma missão partidária e não pessoal, conforme prega o partido.

"Nós temos a concepção da construção do socialismo a partir do poder popular, ou seja, a participação levará a transformação da base social para uma nova forma de organização. As decisões, as políticas públicas da cidade, devem ser feitas em conjunto às necessidades e interesses da sociedade", explica. E, neste sentido, ele acredita que o papel do vice seja auxiliar nesta situação, "assumindo na ausência do prefeito e trabalhando junto às secretarias". De uma forma geral, Ragone acredita que a referida tarefa conjunta sobrepõe os papéis de prefeito e vice, oferecendo um caráter conjunto de administração.

Os textos são revisados por Mariana Benicá

Internautas dão suas opiniões*

Laerte, que ações públicas de governo pretende desenvolver para os aposentados e/ou idosos da cidade? muito obrigado pela atenção!

José Anísio Pitico da Silva


* Os textos foram enviados por internautas, reproduzidos da forma como foram grafados e são de sua
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