Juiz de Fora - MG

Quinta-feira, 31 de julho de 2014, atualizada às 15h52

Depoimentos colhidos em JF serão enviados à Comissão Nacional da Verdade

Eduardo Maia
Repórter
Comissão Municipal da Verdade

A Comissão Municipal da Verdade enviará à Comissão Nacional nesta quinta-feira, 31 de julho, um relatório com as informações apuradas em Juiz de Fora sobre o período do regime militar.

Além de um relato das atividades desenvolvidas nos quatros primeiros meses de trabalho da comissão, nas 92 páginas do documento estão os depoimentos de cinco pessoas que sofreram direta ou indiretamente algum tipo de violação dos direitos humanos.

Foram ouvidos o professor aposentado da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e ex-capitão do Exército da 4ª Região Militar, Lauro de Almeida Mendes, que respondeu a um processo militar por ter sido considerado subversivo ao regime; Marita Pimentel França Teixeira, viúva de Misael Cardoso Teixeira, preso pelo Exército em 1964; Marco Aurélio Marques, filho do juiz auditor da Justiça Militar Antônio de Arruda Marques; o professor aposentado da UFJF Itamar David Bonfatti, preso em 1972 em Juiz de Fora e levado à penitenciária de Linhares e Ricardo Fontes Cintra, professor aposentado, torturado em Belo Horizonte e transferido para a Penitenciária de Linhares.

"Nós tínhamos um prazo para que nossas pesquisas entrassem no relatório nacional. Juiz de Fora teve uma representação muito importante, aqui funcionava a auditoria militar, o presídio de Linhares, daqui partiu o general Mourão. É um trabalho apaixonante de estudo, visitamos diversos lugares da Polícia Federal, o presídio, estabelecemos uma parceria com a UFJF e recebemos muito material da comissão nacional. É um trabalho de descobrir a história", explica a presidente da Comissão, Cristina Maria Couto Guerra.

Dos pontos mais reveladores do processo, Cristina destaca o caso do militante político Milton Soares de Castro, que foi enterrado como indigente no Cemitério Municipal de Juiz de Fora. "Conseguimos jornais de época que diziam que o corpo dele havia sido levado para o sul, sendo que ele foi enterrado em Juiz de Fora. Vamos ao cemitério municipal fazer pesquisa dos livros, enviamos ofício porque muitos casos finalizaram como desaparecidos. A gente tem que propor um fim para estes desaparecimentos", finalizou.

Na próxima semana, serão ouvidas as assistentes sociais que foram presas durante o regime, Marilda Villela Iamamoto e Marilea Porfírio Venâncio. Elas são de Juiz de Fora, mas hoje residem no Rio de Janeiro.

Comunicação

A comissão criou canais de comunicação, para que os juiz-foranos possam participar ativamente dos trabalhos (repassando informações, prestando depoimento, indicando fontes e encaminhando documentos), tirar dúvidas, sugerir pautas de discussão e fazer críticas.

Mensagens, depoimentos e qualquer tipo de colaboração com o trabalho podem ser enviadas por meio do telefone 0800 970 0707, por e-mail, pelo site ou conta no Facebook.

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