Juiz de Fora - MG

Com votação expressiva em 2014, Juiz de Fora consolida tradição petista

Representante do PT na cidade acredita em mais mudanças e integração entre governo estadual e federal

Lucas Soares
Repórter
28/10/2014

Com o resultado oficial das Eleições 2014, na qual Dilma Rousseff foi reeleita presidente do Brasil com mais de 51% dos votos válidos, um fato novamente chamou atenção do diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) em Juiz de Fora: a expressiva votação que a atual presidente alcançou na cidade, sendo quase 80 mil votos a mais do que Aécio Neves (PSDB).

A vantagem da petista, que venceu inclusive em Minas Gerais, é considerada positiva pelo presidente do diretório do PT na cidade, o jornalista Giliard Tenório (foto abaixo, à esquerda). "Vejo com bons olhos, em particular pelo que foi o segundo turno. Os principais setores mobilizados da sociedade brasileira abraçaram com muita força a candidatura. Abraçaram não apenas no sentido de apoio, mas no sentido de enxergar nela a possibilidade de avanço desses serviços. É nisso que o governo vai investir, é essa a resposta que a sociedade espera e a mudança que tem se falado desde junho do ano passado. Eu creio que a Dilma terá uma excelente política com a militância", explica.

No entanto, segundo Tenório, a saída do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) do governo estadual para a chegada de Fernando Pimentel, do PT, pode alavancar Minas Gerais. "O estado tem a grande possibilidade de dar o verdadeiro salto, em termos de organização. A gente vê uma série de dados que se acumularam ao longo dos últimos anos, principalmente em relação às dívidas e à ausência de políticas públicas de uma forma mais concreta. Com Dilma reeleita e Pimentel eleito, as chances de isso acontecer é gigante" opina.

O presidente do PT local ainda ressalta que a Zona da Mata pode voltar a ser alvo de investimentos por parte dos governos estadual e federal. "Por conta da política fiscal de Minas, nós éramos muito prejudicados com a concorrência econômica com o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. Já tivemos mais de uma sinalização do Pimentel sobre a forma descentralizada de governar que ele quer implementar. Isso representa uma nova realidade para a região, e essas dificuldades que temos hoje, serão revistas e podemos dar a resposta concreta daquilo que a gente precisa", diz.

Apesar da maioria da bancada eleita para a Assembléia Legislativa ser, atualmente considera oposição, Tenório acredita que a sociedade vai criar meios que as pautas populares sejam votadas. "Estamos criando uma nova base aliada. Sempre que há uma inversão de projetos e candidaturas, alguns partidos não necessariamente partem para a oposição imediata. Eu tenho certeza que muitos partidos que não caminharam com o Pimentel na sua candidatura ao governo, tem plena disposição para dialogar e construir uma pauta e uma agenda pública para Minas Gerais. A partir desse consenso, eles podem apoiar o governo. O governador eleito vai ter habilidade para para abrir esse diálogo", garante.

 

Continuidade

Já para o cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Figueira Leal (foto acima, à direita), o povo brasileiro sinalizou que deseja a continuidade daquilo que vem sendo implantado pelo governo federal. "O resultado mostra que, há quase duas décadas, a maioria do eleitorado tem feito uma indicação clara de que quer construir um país com menos desigualdade social. Certamente, com todos erros e acertos do governo Lula pra cá, essa foi a prioridade. Depois de três mandatos, mesmo com o crescimento da economia ter sido baixo nos últimos anos, uma expressão majoritária, mesmo que em margem pequena, elegeu a Dilma. Há a indicação clara de que o país não se acostumou com índices insuportáveis de desigualdade durante séculos. Hoje faz uma escolha, por forças políticas, que se elege como prioridade diminuir essa desigualdade", explica.

O professor também explicou o porque o Norte e o Nordeste escolheram Dilma Rousseff como presidente. "Se separar o crescimento econômico por região, o Nordeste teve saltos gigantescos no aumento de renda do trabalhador, enquanto o restante do país está estagnado. Aumentou o Produto Interno Bruto (PIB) dos estados a partir do momento em que politicas sociais mais ativas foram implementadas. Faz todo sentido essa maior votação do PT por lá. Há claramente mais motivos pra alguém no Norte e Nordeste defender o atual governo e há motivos para Minas votar contra o Aécio, depois de doze anos do governo do PSDB aqui. O fato de perder o governo do estado é um sinal de que existe um esgotamento de várias regiões de Minas pelo modelo implementado pelo Aécio. Não há gratuidade de voto", relata Leal.

O cientista político também mostra o porque o Bolsa Família, programa do governo federal, tem sido usado como principal motivo da vitória de Dilma. "Foi um fator a mais na eleição. Você tem uma transferência direta de renda, criando em uma pequena cidade do interior do Nordeste, uma dinâmica econômica. Lá, alguém abriu seu mercado, instalou equipamentos mais sofisticados no seu salão de cabeleireiro. Ou seja, quanto mais gente passa a ter poder de consumo, mais isso produz um ciclo positivo para a economia. Então não é só o Bolsa Família diretamente. Milhões de pessoas foram incorporadas por esse aumento, por poder comprar coisas que não compravam antes. Isso dinamiza a economia e cria um ciclo positivo. Se somar o aumento real do salário mínimo, aumento dos serviços destinados à política de transferência de renda, o mercado de consumo ganhou muita gente que estava fora dele. Cria-se, obviamente, um ciclo de possibilidades de desenvolvimento pessoal e familiar que ajuda a entender o porque se delega um novo mandato ao PT", comenta.

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