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    Não existe idade para começar a malhar Os exercícios físicos fazem bem para o corpo e para a mente

    Priscila Magalhães
    Repórter
    20/10/07

    No primeiro dia em que colocou os pés em uma academia de ginástica, Ivete Ferreira ficou assustada. Mas não é para menos. Quando ela começou a fazer exercícios físicos tinha 55 anos de idade. "Achei muito estranho ir para a academia, afinal eu não era acostumada com isso. Na minha época não era comum. Comecei por insistência da minha filha, que sempre gostou e me convidava, então resolvi experimentar por uma semana. Se gostasse, continuaria. Estou aqui até hoje", diz.

    O segundo dia já não foi tão assustador, no terceiro decidiu não parar mais e no quarto levou o marido junto com ela. Hoje, sete anos depois, Ivete (62) e Franklin Ferreira (69) ainda passam cerca de três horas por dia em uma academia de ginástica. "Agradeço à minha filha pela insistência. Se não fossem os exercícios nós já teríamos tido alguma doença mais séria e até depressão. Eu não trabalhava e Franklin já estava aposentado. Minha filha notou que eu estava muito triste", lembra Ivete.

    Quando chegou pela primeira vez à academia, Franklin não se assustou, mas percebeu que seu preparo físico era zero. "No dia que comecei quase caía para andar quatro quilômetros na esteira e hoje é muito tranqüilo. Quando se é sedentário, não temos noção do nosso preparo físico. Exercício faz bem em qualquer idade", diz Franklin. E Ivete completa. "Aconselharia todas as pessoas a fazerem".

    Foto do casal Ivete e Franklim O casal utiliza todos os aparelhos da academia alternadamente. O que eles mais gostam de fazer é a musculação. Ela também faz os exercícios aeróbicos, mas ele não. "Eu caminho todas as manhãs na rua. Não gosto da esteira, acho muito monótono, mas sem a musculação não consigo ficar", diz Franklin.

    "É um verdadeiro vício. Adoro levantar peso. A musculação me dá muito prazer e me faz um bem enorme, sem contar a energia boa que tem aqui. É um lugar onde não tem doença, remédio, só alimentação saudável", ressalta Ivete. Depois de anos de treinamento, ela levanta 200 quilos nas pernas e 25 em cada braço. Ele também levanta 200 quilos nas pernas e cerca de 35 em cada braço.

    O que melhorou com a malhação

    Foto do casal Ivete e Franklim Hoje Ivete pesa 58 quilos. Depois que começou malhar sentiu os braços mais fortes e uma melhoria incrível na postura. "Adoro salto alto, mas sempre tive muito medo de usar. Agora tenho uma facilidade incrível e ando com mais facilidade do que quando tinha 18 anos. Isso, porque a musculatura da minha perna está muito mais forte".

    Ela ainda diz que é muito vaidosa e não decidiu ficar na academia só por causa da saúde. "Também quis ficar por causa da minha vaidade. Adoro colocar uma roupa, me olhar no espelho e me sentir bem com ela. Quando fico sem malhar sinto dores no corpo e fico triste também. Faço alongamentos, aquecimento, musculação, aeróbica e alongamento de novo todos os dias", diz.

    Já Franklin, que pesa 78 quilos, sentiu que a postura foi a melhora mais significativa após o início dos treinos. "As dores que eu tinha na coluna desapareceram. E por eu estar me sentindo fisicamente bem, minha mente também fica. O corpo reflete na mente. Sinto muita falta da academia quando preciso passar alguns dias fora, mas tento continuar com as caminhadas quando vou para à praia", diz.

    Cuidados com a alimentação

    Para o casal, não basta somente ir à academia e fazer ginástica. Eles também têm um cuidado especial com a alimentação. Franklin é um pouco menos cuidadoso que Ivete, mas depois passou a levar a atividade física a sério, também passou a se alimentar melhor.

    "Minha alimentação deixava a desejar. Comia muita gordura e muito doce até que passei a comer mais frutas e legumes. Mas não dispenso um doce de vez em quando e nem a carne todos os dias. A Ivete, não. Ela sempre comeu verduras, legumes e muita fruta. Além disso, não usa açúcar nenhum e nem frituras. Come pouca carne, mas não dispensa uma picanha, mas só quando tem churrasco", entrega o marido.

    O professor de Educação Física, Creso Arruda, diz que não existe idade para começar a fazer exercícios. "Quanto mais idade, mais é importante ter algum tipo de atividade física. O que existe são as limitações de cada pessoa, como problemas cardíacos e pressão alta. Mas estas são limitações que qualquer pessoa pode ter, independente da idade. Nestes casos, temos que dosar os exercícios para não fazer mal", explica.

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