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    Sobre despedidas e o partir...  

    Nome do Colunista Ana Pernisa 24/05/2018

    Despedir de um lugar, de um projeto, de sonhos, de alguém que nos é caro ao coração, de um amigo, de uma situação, de alguém que morre... Já parou para refletir sobre isso?

    Já percebeu que muitas vezes vamos partindo por partes? Partimos por partes quando vamos nos recolhendo ao perceber que aquilo que almejamos ou cultivamos não era bem aquilo que pensávamos.  Vamos partindo por partes,  quando uma palavra fere a pele e  nosso ouvido sangra.

    Quando as desavenças permeiam mais do que as esperanças. Vamos partindo por partes quando acordamos e vemos que nossos sonhos vão se evaporando pelo ralo da inércia ou da resistência de algo que nos paralisa ou quando nos vemos lutando sozinhos por algo que pertence a mais pessoas...

    Vamos partindo por partes, quando começamos a pegar nossas partes, separando o que é nosso e o que não é, tal o joio do trigo, e, assim,  vamos  nos costurando,  nos olhando e nos reconstruindo. Nesse caminhar pela nossa história, nas despedidas por morte ou na vida, temos várias formas de ir partindo...

    Podemos partir nos silenciando, morrendo por dentro, nos anulando, nos alienando... Mas, partimos melhor, quando temos a chance de ir nos resolvendo, ir nos entendendo, tomando contato com o processo e nos permitindo. Poder conversar, esclarecer alguns aspectos  e chegar a um senso comum pode amenizar a situação e promover crescimento, apesar de se tratar de uma partida... É possível nos tornar mais presentes nesse processo quando é possível ir conversando, com a parte envolvida ou buscando ajuda para se fortalecer nesse momento. Muitas lições podem acontecer e serem aprendidas.

    Despedir é  um ato difícil. Todo o partir é mais  desafiador quando ainda estamos ligados a alguém significativo, porém, é preciso respeitar os processos e as vontades individuais.  A despedida é dolorosa. Mas, dor é diferente de sofrimento. O sofrimento acontece quando guardamos ainda algo que nos vincula como a raiva, a culpa ou coisas mal elaboradas. O que quero dizer com isso é que  algumas coisas, por não estarem  resolvidas,  permanecem em aberto, nos machucando... Então, caso seja possível  escolher uma forma de partir, o ideal é que se possa examinar as questões envolvidas e esgotar as possibilidades.  Quanto mais consciente podemos estar nessa escolha, mas temos condições de poder  olhar com amor, todas as partes   daquilo que verdadeiramente importa. Assim,  de repente,  não há mais partes a serem partidas e nem resgatadas. Tudo se conclui e podemos nos perceber íntegros.

    Novamente  inteiros! Nessa caminhada, é importante entender que vivenciar  o luto é necessário. O luto faz parte dessa elaboração. É um caminho que deve ser atravessado. Quando aceitamos e passamos   pelo vale  do luto,  podemos,  novamente  começar a se enamorar pelas montanhas,  no tempo e ritmo certo de cada um...  Só olhando de frente para a situação que dói, é que  se torna   possível acontecer a derradeira despedida, uma despedida onde podemos assimilar o que nos enriqueceu e seguir. É interessante compreender que  apesar da partida ser eminente,  o que foi bonito, não se perde.

    Quando, finalmente, se torna possível fechar o ciclo, podemos seguir com mais leveza. O convite de hoje é: estou em algum momento de partida em minha vida? Como posso ou onde preciso olhar para me fortalecer, se eu estiver nessa situação?

    Um beijo carinhoso.

    Ótimo dia!

    Até breve!

    Ana Pernisa é Psicóloga, Pedagoga, Coach e Consteladora Familiar. Idealizadora do Grupo Terapêutico Companhia de Mulheres. Estudiosa e interessada em assuntos que possibilitam e sejam facilitadores ao desenvolvimento pessoal e profissional.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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