Como é a sua relação com a morte?


Ana Pernisa 3/11/2020

Dia 2... Dia de Finados. Interessante, esse ano fez Sol. Geralmente chove... Não sei por que, observo isso.

Coincidentemente, nesse período, acabei de ler um livro e comecei outro. O tema é a morte e sobre o morrer.
Ao me reencontrar com esse tema percebi que esse assunto me fascinava na faculdade, com o nome de Tanatologia. Sei que esse assunto pode causar incômodo, afinal, para alguns, é quase como se evitando pensar, pudéssemos esquecer-nos da nossa finitude. Para outros, fato da vida. No entanto, fato esse que se deixa para quando acontecer.  Outros, assunto permeado de muita dor e outros, um tabu. Ok... Cada um tem sua forma... Porém, não podemos evitar saber que ela também faz parte do nascer...  Não da vida em si.  Aprendi isso numa palestra da mesma autora... Oposto de nascer é morrer. No meio, temos a Vida.

Voltando à faculdade, na época, via a morte como um momento em que damos um passo para o desconhecido.

Via a morte com certo receio e como algo muiiiito longe, isso no auge dos meus 19 anos. Mas, como ser de busca que sou, queria entender... Depois de muitos passos nas questões religiosas, por um tempo, esse assunto adormeceu um pouco.

Durante o meu caminhar, anos depois, me deparei com o assunto, de forma mais acadêmica, nas Constelações Familiares e, mais pontual, ao atender um Médico que dizia que sua missão era manter a vida... Em seu processo terapêutico, trabalhamos muito a questão sobre: “e, a qualidade dessa vida”? Funcionamento orgânico versus estado de presença... Enfim, foi um atendimento de muito aprendizado para ambos...

E agora, os dois livros. "A morte um dia que vale a pena viver" e "Histórias lindas de morrer", ambos de autoria da Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes. Para quem desejar, vale a pena leitura.

Ali, me senti um pouco mais confortável com o assunto, ainda mais tendo vivenciado o falecimento do meu pai e, de certa forma, buscado viver com ele esse processo que constatei na leitura do livro uma congruência nos meus passos, de forma intuitiva.

O que pude ver? Que o amor e a presença é acalento. Que o bem estar e qualidade de estar presente é um bom caminho. Que assim como quando a alma nasce, começa com um puxar de fôlego e geralmente o bebê chora e seus pulmões recebem o ar e a respiração vai se completando; na morte, ocorre um processo também e que ao final, tudo se esvai em um suspiro suspenso.  No meu perceber poético, a completude desse suspiro é a suspensão da vida. E assim, ela retorna a sua origem que, para muitos é bem clara e para outros nem tanto. Mas o certo é que, no aqui e agora, ocorre um ciclo que se fecha que parece antinatural para o SER, mas é tão natural, se observarmos a Natureza.

O que deixo aqui desse meu relato de caminhada é um convite para quem assim o desejar e estiver aberto a dar esse passo de olhar um pouco para a morte e o morrer...

Como a vida tem sido vivida?

Será que estamos preparados para olhar a morte como algo que faz parte?

E olhar com amor para outras questões que possam surgir nessa leitura.

A meu respeito, só tenho a agradecer pela disponibilidade dessa Médica de compartilhar em seus livros a sua experiência de vida no acompanhar do processo do morrer...

Sobre "Histórias lindas de morrer", digo que, para mim é um livro para se sorver aos poucos à medida que essas histórias vão sendo absorvidos e acolhidas no meu coração.

Um abraço carinhoso e ótimo dia.

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