Quarta-feira, 09 de abril de 2008, atualizada às 10h30

Campanha visa identificar portadores de hepatite C em JF. Estima-se que entre cinco a sete mil e quinhentas pessoas portam o vírus



Marinella Souza
*Colaboração

Segundo o coordenador do centro de hepatologia da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Pedro Duarte Gaburri, de cada 20 portadores da hepatite C, apenas um sabe que tem a doença, isso contribui para que o vírus continue sendo transmitido e a doença avance muito rapidamente. Daí a importância da campanha que a Santa Casa está realizando entre os dias 09 e 10 de abril. Trata-se da "3ª Campanha Procura-C", que tem por objetivo identificar os portadores da doença, dando-lhes o encaminhamento necessário.

"O grande problema é que a doença não possui sintomas em sua fase inicial, isso dificulta o diagnóstico. Quando aparece algum sintoma é só um cansaço meio inexplicável, mas os piores sintomas, aqueles que levam a pessoa a procurar o médico, surgem quando a doença já está em sua fase avançada, evoluindo para a cirrose hepática ou mesmo o câncer do fígado", diz.

Segundo Gaburri, dados do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde indicam que entre 1 e 1,5% da população de Minas Gerais é portadora do vírus da hepatite C. Considerando que Juiz de Fora tenha em torno de 500 mil habitantes, esse número é alarmante, corresponde a um contingente de cinco a sete mil e quinhentas pessoas portando o vírus na cidade.

A campanha vai acontecer em um estande ao lado da Capela Senhor dos Passos, na Santa Casa, de 13h às 17h, quarta e quinta-feira, 09 e 10 de abril e está aberta à toda comunidade. "Pessoas que já fizeram tatuagens, usuários de drogas injetáveis, pessoas que já sofreram algum tipo de acidente com material perfuro-cortante usado por portadores da doença, profissionais da área de saúde e homens e mulheres que têm vários parceiros sexuais têm que fazer o teste porque pertencem ao grupo de risco, mas todo mundo pode fazer o teste. A pessoa não será identificada quanto à hábitos de vida", explica.

Os exames são gratuitos e a previsão é que se atenda 500 pessoas por dia. O teste é gratuito e praticamente indolor, feito através de uma picada no dedo. o resultado é rápido, sai em três a cinco minutos e, uma vez, diagnosticada a doença, o indivíduo é encaminhado para o tratamento no Centro de Hepatologia do hospital.

A hepatite C

A hepatite C é causada por um vírus chamado VHC, transmitido por sangue contaminado. A doença provoca uma inflamação no fígado que evolui lenta e silenciosamente. Cerca de 80% dos casos evolui para doenças crônicas como a cirrose ou o câncer.

A gravidade do caso depende de fatores como a duração prolongada da infecção, a idade da pessoa na época da infecção, o consumo exagerado de álcool e infecção conjunta com a hepatite B ou com o vírus da Aids.

Gaburri aconselha as pessoas a não compartilharem seringas, materiais perfuro- cortantes como as giletes nem material de manicure. "Esse tipo de material, quando compartilhado sem a esterilização adequada é um grande pólo de transmissão da hepatite C", alerta. O ideal é que cada mulher tenha o seu material separado.

Ferimentos de portadores da hepatite C devem ser protegidos para que o sangue e a secreção não contaminem outras pessoas. Gaburri alerta ainda que, atualmente, a transfusão de sangue não é mais uma via de transmissão porque são feitos testes em todas as amostras doadas para identificar a hepatite C.

É fundamental que o doente seja diagnosticado logo no início da doença para que seja feito um trabalho educativo no paciente, que deverá mudar seus hábitos a fim de evitar que a doença progrida de forma acelerada. "Além do álcool, o portador da hepatite C deve evitar alguns medicamentos que agridem o fígado, ervas medicinais, e o excesso de peso porque a gordura infiltra no fígado e agrava a doença", ressalta.

* Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF



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