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    JF conscientiza quanto ao diagnóstico da fibrose císticaSintomas comuns a outras doenças e falta de universalização do tratamento são os principais problemas dos pacientes 

    Pablo Cordeiro
    *Colaboração
    30/9/2009

    Um mutirão para conscientizar a sociedade e os profissionais da saúde quanto ao tratamento e diagnóstico da fibrose cística será realizado no dia 24 de outubro, das 9h às 13h, no PAM Andradas (avenida dos Andradas, 301, Centro). Na ocasião, crianças e adultos irão passar por uma triagem gratuita para verificar a existência da doença através do teste do suor, que compara os níveis de cloro no organismo. Nos portadores da doença os índices de cloro são mais elevados.

    A fibrose cística é uma doença genética que ataca principalmente as glândulas exócrinas, como o pâncreas e o fígado. Estes problemas levam o paciente a desenvolver deficiências nas funções pulmonares e digestivas, provocando problemas na absorção de alimentos, diarreia crônica, alta eliminação de gorduras nas fezes e perda total da função respiratória. É irreversível e pode causar a morte.

    Segundo a fisioterapeuta integrante da equipe do HU envolvida com a fibrose cística, Rosa Carvalho, o principal problema da doença é a dificuldade em detectá-la. "A fibrose cística pode vir oculta em sintomas de doenças comuns, como asma, diarreia e problemas digestivos. Nosso objetivo é alertar a população e os médicos sobre a presença da doença, para que um diagnóstico exato seja dado quando a criança nasce, evitando que a pessoa seja portadora e não saiba."

    Em Juiz de Fora, a identificação da doença teve início há seis anos. A primeira forma de diagnosticar é através do teste do pezinho, realizado quando a criança nasce. Caso dê positivo, o recém-nascido é encaminhado ao centro de referência a fim de que seja realizado o teste do suor. No município, existem cerca de 60 a 80 pacientes portadores da doença. Em Minas Gerais, o índice de crianças portadoras é de um para cada nove mil nascidos vivas.

    Outro fator que pode mascarar a doença e dificultar o diagnóstico é o próprio clima da cidade. "Temos grande prevalência de problemas respiratórios devido ao clima. Isto faz com que os médicos e a própria pessoa achem que não é portadora da doença."

    O chefe do Departamento de Saúde da Criança e Adolescente (DSCA) da Secretaria de Saúde (SS), Antônio Aguiar, também destaca a preocupação e cuidados com os portadores da doença, já que fazem parte de um grupo restrito e a saúde pública não direciona tratamento a eles com a mesma eficiência que a pacientes de doenças mais comuns. "Lutamos pelo princípio da universalidade. Tanto pacientes cardíacos como os de fibrose devem ter tratamento satisfatório."

    Centro de Referência em Tratamento de Fibrose Cística

    O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora integra a relação dos cinco centros de referência do estado de Minas Gerais no tratamento da Fibrose Cística (FC). A Fibrose Cística tem tratamentos específicos que, se iniciados na primeira infância, aumentam a sobrevida do paciente. Atualmente, o Centro atende a 12 pacientes de Juiz de Fora e região. A equipe é multidisciplinar e conta com médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social e bioquímico.


    *Pablo Cordeiro é estudante do 9º período de Comunicação Social da UFJF

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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