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    Terça-feira, 15 de junho de 2010, atualizada às 12h20

    Universitários terão acesso à discussão sobre métodos contraceptivos e prevenção de DSTs e Aids

    Aline Furtado
    Repórter

    Com base no fato de que a maioria dos estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vem de outras cidades e, por isso, não fazem controle da saúde, será criado, na instituição, o primeiro Grupo de Direitos Sexuais e Reprodutivos.

    Grupos semelhantes já existem nas Unidades de Atenção Primária à Saúde (Uaps), entretanto, segundo uma das responsáveis pelo projeto, Marcela Candiá, a intenção é facilitar a vida dos universitários com a realização das reuniões dentro do campus.

    "Há alunos que passam o dia inteiro na UFJF e, por isso, não tem como ir às Uaps. Desta forma, estaremos facilitando a discussão a respeito de métodos contraceptivos e prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids", explica Marcela.

    Para ela, a importância do projeto está na possibilidade de esclarecimento. "Vários universitários não sabem sobre os métodos contraceptivos e, na maioria das vezes, apresentam desconhecimento quanto à forma de prevenção das DSTs/Aids, o que faz com que fiquem vulneráveis com relação às doenças e à gravidez não planejada." A partir da participação no grupo, os estudantes receberão o Cartão de Saúde, com o qual terão acesso a métodos contraceptivos nos postos de saúde.

    Cada grupo terá duração de três quartas-feiras, sendo que o primeiro tem início no dia 16 de junho. Os encontros serão realizados das 14h às 17h, na sala 108 do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFJF. O número máximo de participantes em cada grupo é de 15 estudantes.

    Dados preocupantes

    Um dos trabalhos que norteiam o projeto é a Pesquisa Nacional sobre Demografia e
    Saúde, realizada em 2006, apontando que as mulheres estão começando a vida sexual cada vez mais cedo. Além disso, a pesquisa demonstra que o tempo de concepção também tem reduzido ao longo dos anos.

    Em 2006, 33% das mulheres até os 15 anos já haviam tido relações sexuais. O índice representa o triplo do que foi verificado em 1996, quando a pesquisa foi iniciada. Entre os métodos contraceptivos mais utilizados por jovens de 15 a 19 anos, estão o preservativo, com 33%, a pílula, com 27%, e os injetáveis, com 5%. Entre as jovens de 15 a 19 anos, 23% estavam grávidas no momento da pesquisa e 12% já estiveram grávidas, mas não tiveram filhos nascidos vivos.

    Do total de nascimentos ocorridos nos últimos cinco anos, apenas 54% foram planejados. Entre os 46% restantes, 28% eram desejados para mais tarde e 18% não foram desejados. Na medida em que aumenta a idade da mulher com relação ao nascimento do filho, cresce a proporção de não desejados, chegando a 40% para aquelas acima dos 35 anos.

    Outro dado verificado pela pesquisa foi o aumento do número de ocorrências de mulheres infectadas pelo vírus da Aids no Brasil. A razão de sexos vem diminuindo sistematicamente, passando de 15,1 homens por mulher, em 1986, para 1,5 homem por mulher, em 2005.


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