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    Stress pode ativar doenças crônicas e provocar traumasSegundo especialista, problemas provocados pela informática e no ambiente corporativo são grandes vetores para males de saúde na modenidade 

    Pablo Cordeiro
    *Colaboração
    20/7/2010

    De uns tempos para cá, uma palavra que tem sido bastante ouvida no dia-a-dia de qualquer pessoa é stress. Seja no trabalho, no lazer, em casa ou na rua. As rotinas, cada vez mais atribuladas de compromissos e períodos curtos, provocam, com mais facilidade, o cansaço e a irritação das pessoas. O que, em um futuro, pode retornar em forma de doenças crônicas e causar traumas permanentes. 

    Atualmente, as potencialidades mais comuns para causar o stress nas pessoas são situações de informática e ambientes corporativos, conforme explica a psicóloga clínica e consultora organizacional Selma Cordeiro. A especialista destaca que o stress é uma doença e deve ser diagnosticada como tal, por médicos e psicólogos. "Muitas vezes, a pessoa aparece com dores de cabeça crônicas, insônia, problemas de pressão e os profissionais se atentam apenas para o diagnóstico dos sintomas. O stress é um problema  biopsicossocial", destaca.

    Quando o indivíduo está estressado, os batimentos cardíacos ficam acelerados, a respiração ofegante e a produção de adrenalina e cortisol aumentam. Com o desnível desses hormônios no organismo, o sistema neurológico fica prejudicado, provocando a baixa na imunidade e favorecendo o aparecimento de doenças ocasionadas por fatores externas (vírus e bactérias) e de doenças crônicas, como o ataque cardíaco. "O stress predispõe o agravamento dessas doenças, o que, em alguns casos pode causar até a morte." Além das doenças, o problema também enfraquece o psicológico, favorecendo que a pessoa engorde, desenvolva o vício ao álcool e às drogas.

    Em situações em que a pessoa tem um contato com computadores (stress cibernético) e tecnologia (tecno stress), o stress pode surgir de forma acentuada e prejudicial. Em frente ao computador, os olhos ficam focados e a mente fica inerte, colocando o usuário em uma situação de embotamento, de enfraquecimento. Nesses casos, dicas simples podem relaxar e recuperar a energia em poucos minutos (confira o vídeo acima). É recomendado que a cada 90 minutos em frente à tela, a pessoa dê um tempo e tome um copo de água (meio copo de hora em hora) para que a circulação sanguínea no cérebro volte ao normal.

    Além da informática, o ambiente empresarial também é um dos grandes potenciais para o desenvolvimento do stress nos indivíduos. Jornalistas e advogados estão entre os mais prejudicados, segundo aponta a especialista, devido à pressões e tempos para entrega das tarefas. "O maior problema nem é o financeiro e sim o reconhecimento. O desequilíbrio entre o esforço e a recompensa ou valorização do profissional são as maiores causas do stress", elucida.

    A longo prazo, o problema causa alterações na memória e favorece o aparecimento de doenças senis, como Alzheimer. "Esse problema social é cuidado em apenas 10% das empresas brasileiras. O empresário também deve ensinar ao funcionário a lidar com as pressões." A especialista destaca que outros potenciais são o trânsito, os relacionamentos, o embate entre gerações familiares e o excesso de compromissos das crianças. 

    Facetas do stress e contágio

    Segundo a especialista, o stress é uma doença catalogada pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e, em aspectos gerais, possui duas fases: a fase aguda e a fase crônica. A primeira situação é caracterizada pelo choque imediato, como por exemplo na entrega de uma tese de faculdade ou quando a pessoa trabalha em vários períodos. "Nessas situações, temos uma limitação orgânica que afeta o sono,  a produtividade, a concentração e a memória", explica.

    Selma elucida que, nesta fase, caso a pessoa não administre o stress ou a carga de preocupações aumente, a chance é iminente do prolongamento da doença, transformando na fase crônica. "Quando a pessoa estuda para prova de vestibular, por exemplo. Por mais que ela lute, sempre vai estar fatigada. Isso compromete a saúde, sendo necessários cuidados médicos e até o afastamento do trabalho." Caso o problema permaneça, a especialista lembra que pode ocorrer a fase de esgotamento, que seria um terceiro nível, bem mais acentuado.

    Em casos agudos, os exemplos podem envolver situações pós-traumáticas, como o luto, guerras, acidentes, separações ou nascimento de filho. "Existem pessoas mais vulneráveis e mais resistentes. Às vezes a carga pesada para umas não é para outras", ressalta. Nesse sentido, aquelas pessoas que reclamam em demasia, são exigentes e autoritárias e acabam sendo mais suscetíveis ao stress. "A pessoa não tem gentileza e complacência. Ela acaba afetando o ambiente e agindo como agente de transmissão", explica.

    Formas de tratamento

    Segundo Selma, o stress é um problema fisiológico e o controle deve partir do próprio indivíduo. As formas de tratamento podem vir por meio de relaxamento e técnicas. "Em primeiro lugar, a pessoa tem que administrar e aprender a lidar e a descarregar a carga. Sempre tem que quebrar o ciclo vicioso com reposição orgânica e formas de relaxamento, como boa alimentação, entretenimento, exercícios físicos e organização", aponta.

    Outro aspecto pouco conhecido é a positividade do stress. De acordo com a especialista, existe necessidade de a pessoa sentir stress, para evitar situações de apatia e falta de motivação. "Ela deve aprender a dar a resposta com o relaxamento. Além de técnicas como ioga, esportes, jogos e práticas orientais, a própria pessoa deve saber como relaxar. O primeiro passo é a conscientização e a sensibilidade para tomar as providências", destaca.

    *Pablo Cordeiro é estudante do 10º período de Comunicação Social da UFJF

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